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Países do Sudeste Asiático defendem cuidados especializados mais próximos das populações

todaySetembro 10, 2026 24

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Díli, 10 de setembro de 2026 (RAFA) – A falta de especialistas e a concentração de serviços de saúde nas capitais e nos grandes hospitais continuam a dificultar o acesso a cuidados especializados para as populações rurais, remotas e mais vulneráveis, alertou a Organização Mundial de Saúde (OMS) durante a 79. ª Sessão do Comité Regional para o Sudeste Asiático, em Díli.

Durante a mesa-redonda ministerial sobre “Recursos Humanos para a Saúde: Equidade nos Cuidados Especializados”, o responsável interino da OMS para o Sudeste Asiático, Dr. Nilesh Buddha, destacou o progresso da região na expansão dos recursos humanos na área da saúde, mas alertou que estes avanços ainda não se traduzem igualmente no acesso a cuidados especializados.

Segundo Buddha, “persistem défices críticos em muitas especialidades, enquanto os especialistas estão frequentemente concentrados nas capitais, nos hospitais terciários e no sector privado”, deixando as comunidades pobres, rurais, remotas e desfavorecidas com acesso limitado aos serviços.

A Ministra da Saúde de Timor-Leste, Élia Amaral, afirmou que o país investiu em infraestruturas de saúde e no reforço da capacidade nacional para prestar serviços especializados nas últimas duas décadas.

“Este progresso é importante, mas o simples aumento do número de médicos não garantirá o acesso equitativo a cuidados especializados”, afirmou a ministra, acrescentando que os serviços continuam concentrados e que muitas pessoas enfrentam longas deslocações, dificuldades de transporte e custos indiretos para aceder aos serviços de saúde.

“O foco de Timor-Leste é, portanto, organizar o sistema de saúde para que as pessoas que necessitam de cuidados especializados possam recebê-los de forma atempada e adequada”, afirmou Élia Amaral.

A Tailândia apresentou uma estratégia baseada na cobertura universal de saúde e na redução das desigualdades na distribuição dos profissionais.

O Diretor-Geral do Departamento de Saúde Mental, Dr. Kittisak Aksornwong, destacou o recrutamento local, as bolsas de estudo, os incentivos financeiros e uma rede de serviços organizada regionalmente.

A Tailândia está também a utilizar ferramentas digitais, incluindo telemedicina e inteligência artificial, para ligar especialistas com equipas de saúde rurais.

Segundo Aksornwong, estas tecnologias ajudam a “apoiar a deteção precoce e a reforçar a coordenação dos cuidados”.

No Sri Lanka, a estratégia envolve o planeamento baseado em evidências e a distribuição geográfica dos profissionais.

O Ministro da Saúde e Comunicação Social, Dr. Nalinda Jayatissa, explicou que o país utiliza “mecanismos centralizados de recrutamento, distribuição e transferência anual” para promover uma distribuição mais equitativa de especialistas e manter os serviços especializados fora dos principais centros urbanos.

O Nepal está a alinhar a formação médica e a produção de especialistas com as necessidades da população, a carga de doença e as lacunas existentes nos serviços.

A Vice-Ministra da Saúde e Segurança Alimentar, Dra. Sangeeta Mishra, afirmou que os serviços especializados também estão a ser expandidos para além de Katmandu, incluindo cirurgia cardíaca e diálise.

As Maldivas defendem uma força de trabalho qualificada que seja “resiliente, digitalmente conectada e orientada para a equidade”, adaptada à realidade de um pequeno Estado insular em desenvolvimento.

Na Índia, o Ministro da Saúde e Bem-Estar Familiar, J. P. Nadda, destacou uma transformação do sistema de saúde na última década, com reformas, expansão da formação médica e fortalecimento dos profissionais, especialmente “em zonas rurais e carenciadas”.

O Butão definiu três prioridades: reforçar a formação de especialistas de pós-graduação, melhorar a retenção de profissionais através de planos de carreira e incentivos, especialmente nas áreas regionais e rurais, e expandir o encaminhamento digital e a telessaúde.

O Ministro da Saúde, Lyonpo Tandin Wangchuk, afirmou que o país pretende criar “um modelo de rede totalmente integrado, que ligue os serviços nacionais, regionais, distritais e comunitários”.

O Bangladesh destacou a expansão da formação de médicos, especialistas e enfermeiros em áreas como a medicina de emergência, cuidados intensivos, oncologia, cardiologia, nefrologia, geriatria, reabilitação, saúde mental e saúde pública.

O Ministro da Saúde e Bem-Estar Familiar, Sardar Md. Sakhawat Hossain, resumiu a posição do país: “Os cuidados especializados equitativos começam com a equidade na força de trabalho da saúde: profissionais devidamente capacitados, distribuídos de forma justa, apoiados e retidos onde são mais necessários”.

Das discussões resultou a Declaração de Díli sobre Recursos Humanos para a Saúde: Equidade nos Cuidados Especializados, que estabelece um compromisso comum dos países para enfrentar as desigualdades na distribuição dos profissionais e garantir que os cuidados especializados chegam às populações que mais deles necessitam.

Jornalista: Miguel Caldas

 

Escrito por RafaFM

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