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Sudeste Asiático reforça luta contra a tuberculose enquanto Timor-Leste enfrenta elevada incidência da doença

todaySetembro 10, 2026 42 3

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Díli, 10 de setembro de 2026 (RAFA) — Os Estados-Membros da Região do Sudeste Asiático da Organização Mundial da Saúde (OMS) comprometeram-se a reforçar e integrar ações para abordar as principais lacunas na luta contra a tuberculose.

As ações darão prioridade ao diagnóstico precoce, ao acesso à prevenção e ao tratamento, à proteção financeira para as famílias e à preparação para futuras vacinas contra a doença.

“A tuberculose é curável e prevenível, mas continua a tirar centenas de milhares de vidas na nossa região todos os anos e a empurrar as famílias para a pobreza”, afirmou o Dr. Nilesh Buddha, Chefe Interino da OMS para o Sudeste Asiático, durante a 79ª Sessão do Comité Regional da OMS para o Sudeste Asiático, em Díli.

Buddha enfatizou que a região já possui as ferramentas para mudar esta realidade, mas é necessário garantir que elas chegam a todas as pessoas que delas necessitam.

“Precisamos de garantir que estas ferramentas chegam a todos os que delas necessitam, mais cedo, de forma equitativa e como parte de cuidados de saúde primários de qualidade”, afirmou.

A região do Sudeste Asiático, que alberga quase um quarto da população mundial, foi responsável por aproximadamente 34% dos novos casos de tuberculose registados a nível global em 2024, com uma estimativa de 3,68 milhões de casos e cerca de 433 mil mortes.

Aproximadamente 150 mil pessoas desenvolveram tuberculose multirresistente e resistente à rifampicina, representando mais de 38% da carga global da doença.

Em Timor-Leste, a incidência estimada de tuberculose é de 496 casos por 100 mil habitantes, enquanto a mortalidade está estimada em 78 mortes por 100 mil habitantes, os números mais elevados da região.

De acordo com a OMS, estes dados reforçam a necessidade de deteção precoce, prevenção da transmissão e acesso atempado a tratamento de qualidade.

Para melhorar a deteção, os países concordaram em reforçar os serviços de rotina, o rastreio sistemático e a pesquisa ativa de casos entre as populações de alto risco e as comunidades carenciadas.

A estratégia inclui também a utilização mais ampla de diagnósticos rápidos recomendados pela OMS, incluindo diagnósticos moleculares e tecnologias digitais, quando apropriado.

Os países comprometeram-se também com cuidados da tuberculose mais centrados na pessoa, incluindo um melhor acesso a tratamento de qualidade para a tuberculose resistente aos medicamentos, apoio nutricional e comunitário e medidas para combater o estigma, a discriminação e as barreiras sociais, financeiras e geográficas que dificultam o acesso ao tratamento.

Na área da prevenção, os esforços devem incluir a expansão do tratamento preventivo a contatos familiares elegíveis e outras pessoas em risco, o reforço da prevenção e do controlo de infeções e medidas para abordar fatores de risco como a malnutrição, a diabetes e o tabagismo.

As projeções regionais indicam que a maior redução da incidência e da mortalidade pode resultar de uma combinação de tratamento melhorado, colaboração entre os sectores público e privado, diagnóstico rápido, prevenção direcionada, pesquisa ativa de casos em populações de alto risco e carenciadas e a introdução de vacinas contra a tuberculose quando disponíveis.

Uma vacina contra a tuberculose introduzida a partir de 2028, juntamente com estas intervenções, poderá prevenir aproximadamente 1,45 milhões de novos casos e 300 mil mortes até 2030, de acordo com as projeções regionais.

Apesar dos progressos, a região ainda não atingiu o ritmo necessário para alcançar as metas da Estratégia para o Fim da Tuberculose, que visa uma redução de 80% na incidência da tuberculose e de 90% nas mortes por tuberculose até 2030, em comparação com 2015.

A doença continua também a representar um encargo financeiro significativo para as famílias.

Quase 44% dos agregados familiares afetados pela tuberculose enfrentam custos catastróficos, percentagem que ultrapassa os 80% entre os agregados familiares afetados pela tuberculose resistente aos medicamentos.

Em 2024, existiam aproximadamente 900 milhões de dólares disponíveis para a resposta regional à tuberculose, em comparação com uma necessidade estimada de cerca de 3 mil milhões de dólares.

Timor-Leste está a acelerar a sua resposta nacional através do novo Plano Estratégico Nacional para o Fim da Tuberculose 2026-2030, que inclui a expansão da pesquisa ativa de casos nas comunidades e do rastreio de contatos, maior acesso a diagnósticos moleculares rápidos e maior disponibilidade de tratamento preventivo da tuberculose.

Os Estados-Membros concordaram também em reforçar a cooperação regional, incluindo a cooperação Sul-Sul, o encaminhamento transfronteiriço e a continuidade dos cuidados às populações móveis e migrantes.

Foi também destacada a participação das comunidades, da sociedade civil, das pessoas afetadas pela tuberculose e dos prestadores de serviços não estatais como parceiros na resposta à doença.

A inovação e a utilização de dados também fazem parte da estratégia, através da saúde digital, da investigação operacional, da transferência voluntária de tecnologia e da utilização de dados a nível subnacional para direcionar as intervenções para as áreas onde são mais necessárias.

Considerando que o financiamento para o combate à tuberculose ainda está muito aquém das necessidades estimadas, os países solicitaram uma maior mobilização de recursos nacionais, uma utilização eficiente dos recursos, compras conjuntas e uma maior cooperação regional para melhorar o acesso a medicamentos, diagnósticos e outros produtos essenciais.

“Acabar com a tuberculose exigirá uma maior solidariedade regional e ação em todos os sistemas de saúde, sistemas comunitários e mais além”, concluiu Dr. Nilesh Buddha.

Jornalista: Miguel Caldas

 

Escrito por RafaFM

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