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Governo e PNUD discutem preparação de Timor-Leste para impactos climáticos do El Niño

todaySetembro 8, 2026 2

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Díli, 8 de setembro de 2026 (RAFA) – O Governo timorense e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) reforçaram esta semana o diálogo sobre a preparação do país para os riscos do El Niño, numa altura em que se antecipa possíveis riscos sérios do efeito climático.

O tema foi debatido numa reunião entre o vice-primeiro-ministro e ministro coordenador dos Assuntos Sociais, Mariano Assanami Sabino, e a representante do PNUD em Timor-Leste, Katyna Argueta, segundo comunicado divulgado hoje.

“Os países que conseguem responder melhor às crises são aqueles que se preparam antes de as crises acontecerem”, disse Argueta, sublinhando que, apesar de ainda não ser possível determinar com precisão a dimensão dos impactos do fenómeno em Timor-Leste, a antecipação é fundamental para reduzir riscos e proteger as comunidades.

A representante do PNUD identificou a agricultura como o setor mais vulnerável em Timor-Leste.

“A área que será, sem dúvida, mais afetada é a agricultura.” Segundo Argueta, os impactos das alterações climáticas não se limitam à dimensão económica, podendo também gerar consequências sociais significativas nas comunidades que dependem diretamente da agricultura e dos recursos naturais – um risco que atinge diretamente a maioria da população timorense: segundo o Censo Agrícola de 2019, 66% dos agregados familiares dependem da agricultura como principal fonte de rendimento.

Argueta alertou ainda que a preparação não deve focar-se apenas no risco de seca prolongada, apontando a necessidade de uma visão mais abrangente que considere também episódios de precipitação intensa, excesso de água e inundações inesperadas.

O PNUD defende o reforço das capacidades das próprias comunidades para responder de forma mais rápida e eficaz aos riscos climáticos, associado a um investimento continuado na manutenção das infraestruturas existentes.

“É importante não só desenvolver e construir infraestruturas, mas também garantir a sua manutenção, para que não sejam danificadas quando ocorrerem impactos de maior dimensão”, segundo o encontro entre as duas partes.

O encontro ocorre num momento em que a Organização Meteorológica Mundial (OMM) já classifica o atual episódio como firmemente estabelecido, com uma probabilidade próxima dos 100% de persistir até fevereiro de 2027.

Segundo a atualização da OMM de 3 de setembro, o fenómeno deverá intensificar-se ainda mais nos próximos meses, atingindo intensidade “muito forte” antes de atingir o pico no final do ano.

Esta é a primeira vez que a organização emite uma avaliação tão inequívoca sobre um episódio de El Niño, refletindo o forte consenso entre a sua rede de centros climáticos.

O índice Niño 3.4, que mede as anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico central e oriental, atingiu +2,45°C na semana que terminou a 30 de agosto, segundo o gabinete meteorológico australiano (BOM) – um valor que os modelos preveem continuar a subir na primavera do hemisfério sul, para níveis potencialmente acima dos mais altos já registados desde 1950.

A OMM prevê ainda o desenvolvimento de uma fase positiva do Dipolo do Oceano Índico entre setembro e novembro, um fator climático que, combinado com o El Niño, tende a agravar a redução de chuva na região da Ásia-Pacífico, incluindo o Sudeste Asiático e partes do subcontinente indiano.

O próprio PNUD divulgou já mapas de perigo identificando risco de seca moderada a severa nas regiões sul e leste de Timor-Leste, associado aos efeitos ainda sentidos do episódio de El Niño de 2023-2024, que fez cair a precipitação mais de 30% abaixo da média entre outubro de 2023 e janeiro de 2024 e desencadeou seca em 10 dos 13 municípios do país.

Nesse episódio, cerca de 360 mil pessoas – 27% da população timorense – enfrentaram insegurança alimentar aguda, segundo dados do sistema IPC das Nações Unidas, obrigando o Presidente da República, José Ramos-Horta, a convocar uma reunião de emergência sobre o tema.

No episódio de El Niño de 2015-2016, um dos mais fortes já registados até então, Timor-Leste perdeu 70 mil cabeças de gado e chegou a ter 120 mil pessoas afetadas nos municípios de Lautém, Viqueque, Baucau, Oecusse e Covalima.

Com o atual episódio a caminho de igualar ou ultrapassar a intensidade do de 2015-2016, segundo as previsões da OMM, a cooperação entre o Governo e o PNUD deverá continuar a centrar-se na definição de medidas de preparação e prevenção, com especial atenção às comunidades rurais, à segurança alimentar, à agricultura e à proteção das infraestruturas nacionais.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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