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Washington, 8 de setembro de 2026 (RAFA) – Uma rede de jovens entre os 18 e os 20 anos, responsável por um dos maiores roubos de criptomoeda da história dos Estados Unidos, enfrenta agora a justiça depois de ter gasto parte da fortuna roubada em carros desportivos, jatos privados, seguranças pessoais e mansões.
O alegado cabecilha do grupo, Malone Lam, de 22 anos, tem audiência marcada para esta terça-feira, num processo que pode culminar a investigação do FBI ao caso.
Lam, natural de Singapura e que abandonou os estudos ainda no ensino básico, chegou a gastar mais de 569 mil dólares numa única noite numa discoteca de Los Angeles.
As acusações contra Lam e outras 17 pessoas ilustram uma forma de cibercrime cada vez mais comum: as queixas de fraude com investimento em criptomoedas junto do FBI subiram quase 50% em 2025, ao mesmo tempo que a administração do Presidente Donald Trump recuou em grande medida no combate regulatório à volátil indústria das criptomoedas.
O Departamento de Justiça extinguiu no ano passado uma unidade dedicada a processos por crimes ligados a criptoativos.
A investigadora de cibersegurança Allison Nixon, que há anos acompanha “The Com”, uma subcultura clandestina de jovens hackers unidos pela “quantidade insana de dinheiro” que a fraude com criptomoedas pode gerar, defende mais recursos das autoridades para travar este tipo de crime.
“Se não reforçarmos a sério os recursos para travar estas pessoas, e o fizermos mais depressa, isto vai continuar a espalhar-se”, disse.
O esquema remonta a agosto de 2024, quando um residente de Washington, identificado nos autos como “Vítima 7”, recebeu chamadas de pessoas que se fizeram passar por representantes da Google e da plataforma de criptomoedas Gemini, alertando-o para supostos ataques informáticos à sua carteira digital.
Os autores do esquema manipularam o homem para obter acesso à sua conta Google Drive e a códigos de segurança, permitindo a Lam desviar mais de 4.100 bitcoins, segundo o Ministério Público.
Lam e os amigos Veer Chetal e Jeandiel Serrano – que se conheceram em fóruns de jogos online – já tinham usado esquemas semelhantes noutros roubos multimilionários desde finais de 2023.
Desta vez, porém, Serrano cometeu um erro fatal: não conseguiu ocultar o endereço IP usado para criar uma conta numa plataforma de criptomoedas onde guardou cerca de 30 milhões de dólares do dinheiro roubado, o que permitiu à investigação associá-lo a uma casa arrendada por 47.500 dólares mensais em Encino, Califórnia.
A notícia do “prémio” espalhou-se rapidamente nos círculos de fraude com criptomoedas.
Uma semana depois do roubo, os pais de Chetal foram raptados em Danbury, Connecticut, por homens mascarados que os forçaram a sair do carro, agrediram o pai com um bastonete de basebol e os mantiveram amarrados numa carrinha, numa tentativa de extorquir a Chetal a sua parte do dinheiro roubado.
O plano falhou depois de testemunhas terem alertado a polícia, que deteve os raptores.
O FBI encontrou 37 milhões de dólares em criptomoeda roubada no apartamento de Chetal, em Brunswick, Nova Jérsia, e o jovem aceitou colaborar com a investigação.
Lam, por seu lado, gastou centenas de milhares de dólares por noite em discotecas, atirou malas de marca no valor de dezenas de milhares de dólares para o público, e comprou um relógio de 2 milhões de dólares e mais de 30 automóveis, incluindo Porsches, Lamborghinis e Ferraris personalizados, segundo o FBI.
“Este estilo de vida de luxo, com que tantos jovens só podiam sonhar, foi construído sobre uma base de fraude”, disse o procurador William Hart, numa recente audiência de sentença de um dos coarguidos por lavagem de dinheiro.
Serrano foi detido no Aeroporto Internacional de Los Angeles a usar um relógio avaliado em 500 mil dólares, tendo inicialmente negado envolvimento antes de admitir ter em seu poder cerca de 20 milhões de dólares do dinheiro roubado à vítima de Washington.
Lam foi detido no mesmo dia numa das suas mansões em Miami, depois de um agente da autoridade fora de serviço o ter alertado sobre a operação policial.
Na primeira comparência de Lam em tribunal, em Miami, a juíza federal Alicia Valle disse ter ficado siderada com o resumo do procurador sobre os seus gastos: “Só me ocorreu pensar no Ferris Bueller, mas do mal”, numa referência ao protagonista do filme de 1986 sobre um estudante que falta às aulas.
Ao todo, 18 arguidos foram acusados, e Lam seria o 11.º a declarar-se culpado, caso o acordo se confirme; segundo um procurador, as diretrizes de sentença preveem pelo menos 14 anos de prisão em caso de condenação.
A juíza federal Colleen Kollar-Kotelly, que preside ao processo, já condenou três coarguidos, incluindo dois responsáveis por lavagem de dinheiro a penas próximas de seis anos de prisão. Chetal declarou-se culpado de conspiração em novembro de 2024 e aguarda sentença; as acusações contra Serrano continuam pendentes.
FIM
Escrito por RafaFM
Rede de jovens que roubou 240 milhões de dólares em bitcoin gastava fortuna em carros e festas
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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