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Analista indonésio diz que Prabowo “apertou o controlo” sobre a Nahdlatul Ulama após congresso de agosto

todaySetembro 8, 2026 23

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Jacarta, 8 de setembro de 2026 (RAFA) – O investigador e jornalista indonésio Ary Hermawan defendeu, num artigo de opinião publicado hoje, que o Presidente indonésio Prabowo Subianto pode ter reforçado o controlo do Estado sobre a Nahdlatul Ulama (NU), a maior organização islâmica da Indonésia.

O artigo, publicado no portal académico Indonesia at Melbourne, ligado à Universidade de Melbourne, refere que o controlo terá sido conseguido no âmbito do congresso nacional do movimento que decorreu a 31 de agosto, em Jombang, Java Oriental.

No congresso, a NU – organização com mais de 40 milhões de membros e milhares de escolas islâmicas (pesantren) – elegeu Miftachul Akhyar (Kiai Miftach) para o cargo de líder supremo (Rois ‘Am) e Abdul Hakim Mahfudz (Gus Kikin) para presidente executivo (Ketua Tanfidziyah), com mandatos que se estendem até 2031.

Foi o primeiro congresso da organização realizado sob a presidência de Prabowo.

Hermawan, que cita noticias da revista Tempo, explica que vários membros do Governo e dirigentes do partido Gerindra, de Prabowo, reuniram-se no Palácio Presidencial na segunda semana de agosto para discutir o congresso da NU.

Entre os participantes estiveram o ministro dos Assuntos Sociais, Syaifullah Yusuf, o ministro do Ordenamento Agrário e Espacial, Nusron Wahid, e o ministro dos Assuntos Religiosos, Nasaruddin Umar – todos ligados formalmente à NU.

O analista escreve que os dois eleitos foram apelidados pelos participantes do congresso de “paket istana” (pacote do palácio), indicando serem os candidatos preferidos do Governo.

Segundo o artigo, a reunião no palácio terá também discutido a possibilidade de restituir ao conselho consultivo Ahlul Halli wal ‘Aqdi (AHWA) o poder de nomear diretamente os líderes da organização, alterando um mecanismo mais recente e democrático de votação direta pelos participantes do congresso.

Hermawan refere que o líder cessante, Yahya Cholil Staquf (Gus Yahya), aliado do ex-Presidente Joko Widodo e primeiro dirigente da NU a perder uma recandidatura em anos, disse à Tempo ter conhecimento de que ministros e políticos do Gerindra pressionaram pela eleição dos candidatos apoiados pelo palácio, embora se mostrasse cético quanto ao envolvimento direto de Prabowo.

Gus Yahya acusou ainda os rivais de recorrerem a subornos e falsificações para viciar o processo eleitoral.

O Palácio Presidencial e a própria NU negaram qualquer interferência de Prabowo no processo de eleição da liderança, segundo o artigo.

O analista sublinha ainda que a queda de Gus Yahya surge num contexto de problemas judiciais que afetam figuras próximas dele, incluindo o irmão, Yaqut Cholil Qoumas, atualmente a ser julgado por alegada corrupção na gestão de quotas para a peregrinação a Meca (hajj).

No artigo, Hermawan traça um paralelo com a forma como o ex-Presidente Jokowi construiu uma aliança política com a NU a partir de 2014, nomeando o então líder supremo da organização, Maruf Amin, como seu vice-presidente em 2019.

E argumenta que esse padrão de aproximação entre o Estado e a organização islâmica se aprofundou sob Prabowo, com risco para o papel histórico da NU como defensora de normas democráticas e do islão civil na Indonésia.

Hermawan é editor do portal onde o artigo foi publicado, diretor associado do Centro de Direito, Islão e Sociedade da Indonésia (CILIS) da Universidade de Melbourne e investigador visitante no ISEAS-Yusof Ishak Institute, em Singapura.

Foi anteriormente editor executivo do diário The Jakarta Post e diretor-adjunto da Amnistia Internacional na Indonésia.

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Escrito por RafaFM

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