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Díli, 7 de setembro de 2026 (RAFA) – O Presidente da República, José Ramos-Horta, defendeu hoje o aprofundamento da cooperação com o Brasil em áreas como o ensino superior, a agricultura, as pescas, a saúde pública, a transformação digital e as energias renováveis.
O chefe de Estado falava na embaixada brasileira em Díli, numa cerimónia por ocasião do 204.º aniversário da independência do Brasil.
Dirigindo-se ao embaixador brasileiro, Ricardo José Lustosa Leal, Ramos-Horta recordou que a data de 7 de setembro de 1822, “imortalizada pelo célebre ‘Grito do Ipiranga'”, permanece “um marco duradouro na afirmação da soberania, da liberdade e da identidade nacional do Brasil”, descrevendo o país, “mais de dois séculos depois”, como “o maior país da América do Sul e a maior economia da América Latina”, com mais de 210 milhões de habitantes.
Segundo o Presidente, “a força do Brasil reside na resiliência, criatividade e dinamismo do povo brasileiro” e no papel que o país desempenha no cenário internacional, “do G20 e dos BRICS à CPLP e às Nações Unidas”, como “voz importante do Sul Global e em defesa de um sistema multilateral mais forte, mais justo e mais representativo”.
O Chefe de Estado sublinhou que Timor-Leste “atribui profundo valor à amizade e à solidariedade” que unem os dois países desde o estabelecimento de relações diplomáticas, em 20 de maio de 2002.
“Ao longo de mais de duas décadas, o Brasil tem sido um parceiro generoso e firme” na construção do Estado timorense, apoiando o país nas áreas “da educação e formação profissional, justiça, administração pública, saúde e desenvolvimento institucional”, através da Agência Brasileira de Cooperação e de instituições e profissionais brasileiros, referiu.
Ramos-Horta destacou em particular a cooperação na área da justiça, recordando que, em julho, recebeu a desembargadora Cristina Gaulia, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, para conhecer melhor o modelo brasileiro de “Justiça Itinerante”, que leva os serviços judiciais diretamente às comunidades com maior dificuldade de acesso à justiça.
Segundo o Presidente, esta abordagem “oferece ensinamentos valiosos” para Timor-Leste, “enquanto continuamos a trabalhar para aproximar a justiça dos nossos cidadãos, particularmente daqueles que vivem em comunidades remotas”.
O Chefe de Estado manifestou ainda expectativa quanto à construção da nova embaixada do Brasil e do seu centro cultural em Timor-Leste, augurando que se torne “uma nova e importante casa da amizade entre os nossos povos”.
Ramos-Horta sublinhou também o compromisso partilhado dos dois países com “o multilateralismo, o Direito Internacional, a resolução pacífica dos conflitos e uma ordem global mais equitativa”.
E destacou a liderança brasileira em matéria de alterações climáticas e desenvolvimento sustentável, nomeadamente através da realização da COP30, em Belém, como demonstração “da importância vital de assegurar que o desenvolvimento económico e a proteção do ambiente avancem em conjunto”.
Questões que, segundo Ramos-Horta, assumem “profunda importância” para Timor-Leste enquanto “pequena nação insular e marítima altamente vulnerável às alterações climáticas”.
Ramos-Horta abordou ainda a recente adesão de Timor-Leste à ASEAN como abertura de “uma nova e promissora dimensão” na relação bilateral, saudando “o crescente envolvimento do Brasil com o Sudeste Asiático” e manifestando apoio pleno à aspiração brasileira de se tornar parceiro de diálogo da ASEAN.
Segundo o Presidente, Timor-Leste, “situado no ponto de encontro entre o Sudeste Asiático e o Pacífico e historicamente e culturalmente ligado ao mundo de língua portuguesa”, pode “contribuir para fortalecer os laços entre o Brasil, a CPLP e a nossa região mais ampla”.
O Chefe de Estado terminou a intervenção com votos de “boa saúde e de pleno sucesso” ao Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e de “contínua paz, democracia, prosperidade e unidade nacional” ao povo do Brasil.
FIM
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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