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Marvi, a primeira jovem cantora timorense a realizar um tour internacional

todaySetembro 7, 2026 220 5

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Díli, 7 de setembro de 2026 (RAFA) – A cantora timorense Maria Vitória da Costa Borges, conhecida artisticamente por Marvi, inicia este mês o seu primeiro tour internacional, levando a sua música e experiência artística a diferentes países.

A iniciativa representa, segundo a artista, um passo importante para consolidar a sua carreira e, ao mesmo tempo, contribuir para o desenvolvimento e a projeção da indústria musical de Timor-Leste no panorama internacional.

O tour é um projeto que Marvi idealiza há vários anos, mas que começou a ganhar forma mais concreta no ano passado.

Para a cantora, realizar um tour internacional não significa simplesmente viajar e fazer consertos, mas envolve um processo profissional que requer preparação, planeamento, definição de conceitos, orçamento, produção e trabalho em equipa.

“Tinha este plano de fazer um tour há vários anos, mas só comecei a trabalhar nisso mais especificamente no ano passado. Tenho esta ideia porque, no entretenimento, especialmente para os artistas, é muito importante fazer um tour”, explicou Marvi à RAFA.

Segundo a artista, um tour permite a um músico criar ligações, estabelecer contatos profissionais e mostrar o seu talento a diferentes públicos.

A vencedora do The Voice Portugal em 2018 acredita que este tipo de experiência é também importante para quem quer construir uma carreira profissional na indústria musical.

“Fazer tour é uma forma de procurar e criar ligações para, depois, desenvolver o nosso talento profissional. Quem faz tour já sabe que está a construir a sua carreira profissional. Nós é que criamos o tour, desde o conceito e o orçamento até toda a preparação com a nossa equipa”, disse.

O Tour acontece numa altura em que Marvi também está a preparar um novo álbum, projeto que, segundo a própria, exigiu um investimento significativo, tanto na produção como na preparação das músicas para o lançamento.

O álbum conta já com pelo menos com 10 músicas já publicadas, representando uma nova etapa na carreira da artista e constituindo também uma das bases para a o tour internacional.

Para Marvi, produzir um álbum e depois levá-lo para o palco através de um tour faz parte de um processo de desenvolvimento profissional.

As atuações ao vivo permitem não só a promoção da música, mas também a criação de uma relação mais próxima com o público.

Para os concertos do tour, Marvi preparou um repertório de 18 canções, reunindo diferentes estilos e momentos do seu percurso artístico. Cinco canções serão do seu próprio repertório, enquanto as restantes serão músicas que foram importantes na sua carreira e temas de diferentes estilos musicais.

Entre as canções escolhidas estará “Tebe Tebe”, bem como temas do género dangdut, um estilo musical ao qual Marvi teve uma ligação particularmente forte durante a sua participação em concursos musicais na Indonésia.

Desta forma, o repertório dos concertos pretende mostrar não só a sua produção musical, mas também algumas das influências e experiências que contribuíram para a formação da sua identidade enquanto cantora.

A cantora acredita que a experiência de atuar em diferentes países lhe permitirá estabelecer novas ligações dentro da indústria musical, conhecer novos públicos e expandir as possibilidades de colaboração com outros artistas e profissionais.

“Um dos maiores impactos do tour é o impacto positivo que podem ter na minha carreira no futuro”, explicou.

A artista considera que este tipo de iniciativas pode também contribuir para tornar a indústria musical timorense mais dinâmica e incentivar novos talentos a procurar oportunidades dentro e fora do país.

Marvi reconhece que o percurso na indústria musical nem sempre é fácil e que muitos artistas podem hesitar em seguir uma carreira profissional devido à falta de oportunidades ou à incerteza quanto aos resultados.

Apesar disso, considera importante que os artistas tenham a coragem de trilhar novos caminhos e desenvolver os seus próprios projetos.

“As nossas atividades muitas vezes não são muito promissoras. Por isso, algumas pessoas têm medo de escolher este caminho. Mas este é um caminho que decidi seguir e que considero um bom caminho. Também quero motivar outras pessoas para que possam fazer o mesmo no futuro”, disse Marvi.

“É a primeira vez que faço um tour e estou um pouco nervosa, porque sou cantora e isso deixa-me naturalmente nervosa. Mas vou esforçar-me para dar o meu melhor”, afirmou.

Segundo Marvi, algumas partes do processo não correram exatamente como planeado, mas a equipa continuou unida e a procurar soluções para os desafios.

“A preparação continua até hoje. Algumas coisas correram mal, mas seguimos em frente. É uma questão de cair, levantar, cair e levantar de novo. Estamos a enfrentar diferentes desafios, mas a minha equipa e eu não vamos separar as nossas ideias. Estamos juntos para encontrar soluções para esses desafios”, explicou.

Para a artista, os obstáculos fazem parte da construção de um projeto desta dimensão e constituem também uma oportunidade de adquirir experiência para futuros trabalhos.

O tour inclui atuações em Portugal, Irlanda, Reino Unido, Oxford, Coreia do Sul e Austrália. Algumas datas inicialmente agendadas foram alteradas e serão reagendadas. Na Irlanda, Marvi tem apresentação marcada para 12 de setembro, enquanto o concerto em Oxford, Inglaterra, está agendado para 19 de setembro.

A cantora pediu desculpa ao povo timorense na Coreia do Sul, Austrália e Portugal pelas alterações em algumas datas, garantindo que pretende realizar os concertos nesses países após o respetivo reagendamento.

“Convido os timorenses e todos os que tiverem tempo para virem dançar conosco e participar nesta digressão”, apelou.

O tour foi possível graças ao apoio de várias pessoas, empresas e instituições. MarVi agradeceu especialmente a todos os que contribuíram para que o projeto fosse possível.

Entre os apoiantes referidos pela cantora estão, o Presidente da República, José Ramos-Horta, o Vice-Primeiro-Ministro Francisco Kalbuadi Lay, Telkomcel, Telemor (a mosan) Virna Ovalido, East Timor Trading (marca Legend), entre outros.

A artista agradeceu ainda à sua equipa e ao Embaixador de Timor-Leste no Reino Unido, bem como a todos os que contribuíram para a preparação do tour.

Para Marvi, o apoio recebido demonstra a importância da colaboração entre artistas, empresas, instituições e comunidade para permitir que os projetos culturais timorenses cheguem ao público internacional.

Da Indonésia ao The voice Portugal

A carreira de Marvi é já marcada por experiências em palcos internacionais

A cantora ganhou grande popularidade em Timor-Leste após ter participado na segunda edição do programa televisivo indonésio D’Academy Asia, experiência que contribuiu para aumentar o seu reconhecimento junto do público timorense.

Quando regressou a Timor-Leste, em janeiro de 2017, foi recebida por uma multidão num comboio demonstrando a popularidade que tinha conquistado junto do público timorense.

Em 2018, a cantora participou na sexta temporada do The Voice Portugal, chegando à final e sendo consagrada vencedora da edição daquele ano.

A sua trajetória ganhou também uma dimensão social. Em 2019, tornou-se Embaixadora da Juventude da UNICEF em Timor-Leste, assumindo um papel ligado à promoção e participação dos jovens.

Agora, depois de experiências em concursos musicais na Indonésia e em Portugal, Marvi prepara-se para iniciar uma nova etapa da sua carreira com o seu próprio tour internacional.

Mais do que uma simples série de concertos, a cantora vê este projeto como uma oportunidade para apresentar o seu trabalho, criar ligações profissionais, ganhar experiência e mostrar que os artistas timorenses também podem procurar novos espaços para desenvolver as suas carreiras.

Com um repertório de 18 canções, incluindo cinco da sua autoria, “Tebe Tebe”, canções de dangdut e outros temas que marcaram o seu percurso, Marvi prepara-se para levar a sua voz a diferentes públicos.

O primeiro tour internacional representa, por isso, não só um novo desafio pessoal e profissional para a cantora, mas também uma tentativa de abrir caminho para que outros jovens artistas timorenses acreditem que a música pode transcender as fronteiras do país.

Jornalista: Miguel Caldas

 

Escrito por RafaFM

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