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Sánchez tem dificuldade em responder a deputados sobre crise fronteiriça em Ceuta

todaySetembro 4, 2026 17

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Madrid, 4 de setembro de 2026 (RAFA) – O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, teve dificuldade em responder a perguntas dos deputados sobre a crise migratória em Ceuta, incluindo qual o papel de Marrocos na travessia em massa mortífera de julho, num debate parlamentar.

O debate ocorreu um dia depois de dezenas de milhares de espanhóis terem protestado contra a gestão do Governo do incidente.

Cinco semanas depois do episódio, continuam por esclarecer as circunstâncias que permitiram que 72 mil pessoas atravessassem a fronteira partilhada entre o enclave espanhol no Norte de África e Marrocos.

Sánchez rejeitou sugestões de que as autoridades marroquinas tenham ajudado a orquestrar o incidente, mas admitiu que a polícia marroquina “permitiu que a fronteira fosse atravessada”.

O chefe do Governo disse que o executivo vai divulgar em breve relatórios fundamentais sobre a violação da fronteira, sem especificar quando serão tornados públicos ou o que vão conter.

Nas suas declarações, Sánchez afirmou que morreram 141 pessoas durante a travessia em massa, um número acima da estimativa oficial mais recente, de 96 mortos, fornecida pelas autoridades de Ceuta e pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos de Marrocos.

Nem o gabinete do primeiro-ministro nem o Ministério do Interior souberam explicar à Associated Press como foi feita a nova contagem.

Sánchez enfrenta um escrutínio crescente no contexto de uma prolongada crise humanitária em Ceuta, onde a chegada maciça de milhares de migrantes tem gerado revolta entre os residentes da pequena cidade, mal preparada para lidar com um influxo desta dimensão.

Nas semanas seguintes ao incidente, altos responsáveis do executivo de Sánchez deram por vezes informações contraditórias: a ministra da Defesa, Margarita Robles, afirmou na semana passada que os serviços de informações espanhóis tinham alertado previamente para a travessia em massa, enquanto o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, negou tê-lo feito.

Espanhóis juntaram-se na quarta-feira a protestos de apoio a Ceuta, exigindo soluções para as tensões que persistem na cidade e pedindo a demissão de Sánchez – uma crise que se perfila como uma das ameaças mais sérias enfrentadas pelo seu Governo.

O primeiro-ministro foi confrontado na quinta-feira com uma vaga de perguntas dos deputados após o discurso de abertura, em meio a apelos a eleições antecipadas.

“O povo de Ceuta está há mais de um mês sem normalidade, sem segurança e sem respostas. E nós, espanhóis, estamos ao mesmo tempo perplexos e indignados perante a violação da nossa integridade territorial”, afirmou o líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo, do Partido Popular, de centro-direita. “Por que tem medo de Marrocos?”, questionou.

A maioria dos migrantes que entraram em Ceuta no final de julho regressou dias depois a Marrocos ou foi reencaminhada de volta, mas cerca de cinco mil pessoas, incluindo 1.200 menores, permanecem na cidade semanas depois, segundo o Governo central – o executivo local de Ceuta aponta para um número superior, de cerca de nove mil pessoas.

Sánchez, que enfrenta eleições no próximo ano, tem defendido que uma interpretação incorreta de uma decisão do Supremo Tribunal, associada a desinformação nas redes sociais, incentivou as pessoas a precipitarem-se para a fronteira.

O primeiro-ministro acusou ainda contas nas redes sociais ligadas à Rússia e a Israel, bem como grupos de direita, de explorarem e amplificarem a crise de Ceuta depois de esta ter eclodido a 30 e 31 de julho – acusações que Israel e a Rússia negaram.

Sánchez manteve ainda que não há provas de que o Governo marroquino esteja por trás da travessia em massa.

“Posso garantir que nenhuma instituição – nem o serviço diplomático, nem a Comissão Europeia, nem qualquer organismo internacional – forneceu ao Governo espanhol provas sólidas de que Marrocos planeou ou executou o incidente. Nenhuma”, afirmou.

No início desta semana, a comunicação social espanhola avançou que um relatório policial tinha destacado a alegada permissividade das forças de segurança marroquinas no incidente, embora responsáveis espanhóis tenham negado que o documento responsabilizasse o Governo de Marrocos.

Sánchez reconheceu que, durante um período de dez horas a 30 de julho, quando as chegadas de migrantes atingiram o pico, a Gendarmaria marroquina “permitiu que a fronteira fosse atravessada” em Ceuta, mas sustentou que a mesma força acabou por retomar o controlo da situação mais tarde.

Perante o crescimento de questões, tanto da direita como da esquerda espanholas, sobre o papel de Marrocos na travessia em massa, o primeiro-ministro disse que só agiria caso existissem provas do envolvimento de Rabat.

“Para que fique registado: se existissem provas sólidas dessas, agiríamos em conformidade com absoluta determinação, como a situação exige”, afirmou.

Sánchez condenou ainda declarações de dois ministros marroquinos que questionaram a soberania de Ceuta e Melilha, o outro território espanhol no Norte de África, revelando que Espanha convocou o embaixador de Marrocos em Madrid devido a essas declarações.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros marroquino não respondeu a pedidos de comentário da sobre a disputa diplomática ou sobre o relatório da polícia espanhola.

Os dois enclaves constituem as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com África.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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