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Viveiro de mangais adaptado às marés melhora sobrevivência de mudas em Timor-Leste

todaySetembro 4, 2026 27

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Díli, 4 de setembro de 2026 (RAFA) – Um viveiro de mangais instalado diretamente na zona entre-marés, em Ulmera, no município de Liquiçá, está a melhorar as taxas de sobrevivência das mudas transplantadas, através de um método que as habitua desde cedo às condições do mar, em vez de água doce.

O projeto, desenvolvido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em conjunto com a Direção-Geral de Florestas do Ministério da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas (MAPPF), integra a iniciativa de cooperação técnica “Reforço da Resiliência das Comunidades Costeiras e Melhores Meios de Subsistência através da Conservação e Restauração de Mangais”.

Em parceria com a organização não-governamental local Konservasaun Flora no Fauna (KFF), foi criado em Ulmera um viveiro de maré, ou in-situ, que já produziu cerca de sete mil mudas de mangal.

Ao contrário do método anteriormente usado pelo grupo comunitário – um viveiro afastado da costa, regado com água doce -, a nova abordagem expõe as mudas à salinidade e à submersão desde o início, numa baía intertidal abrigada, onde o movimento natural das marés proporciona a rega.

Segundo a FAO, mudas habituadas apenas a água doce, precisam de tempo para se aclimatarem à água salgada quando reintroduzidas no mar, o que pode reduzir as taxas de sobrevivência e de crescimento após o transplante – um problema agravado quando a escolha do local é inadequada ou há falta de conhecimento sobre as condições hidrológicas locais.

O sistema foi concebido para fortalecer o desenvolvimento das raízes e a resiliência das mudas, melhorando as suas hipóteses de sobrevivência após o transplante, além de reduzir a necessidade de gestão intensiva da água no viveiro.

O projeto introduziu ainda vasos de plantação biodegradáveis, feitos por membros do grupo comunitário – sobretudo mulheres – a partir de folhas de palmeira disponíveis na aldeia.

Os vasos decompõem-se naturalmente após o transplante, substituindo os recipientes de plástico e reduzindo progressivamente o uso deste material nas atividades de restauração de mangais, com o objetivo de longo prazo de passar a usar exclusivamente vasos biodegradáveis.

Estas inovações somam-se a esforços de restauração já em curso em Ulmera, onde a comunidade tem visto mudanças nas zonas onde os mangais foram recuperados. Verissimo das Neves, líder do Grupu Habelun Ai-Parapa, disse que as áreas restauradas têm atraído peixe, caranguejo, camarão e outra vida marinha para mais perto da comunidade, que antes tinha de se deslocar mais longe para encontrar estes recursos, segundo nota da FAO.

“Começámos a nossa restauração dos mangais, e agora apanhamos caranguejos aqui perto – não precisamos de ir longe. Este é o benefício para a comunidade”, afirmou.

Os mangais oferecem ainda benefícios ambientais mais amplos: ajudam a proteger zonas costeiras da erosão e da subida do nível do mar, absorvem dióxido de carbono e fornecem habitat a peixes, aves, tartarugas e outras espécies, podendo também apoiar meios de subsistência alternativos e contribuir para o desenvolvimento da economia azul de Timor-Leste.

“Os mangais são importantes para Timor-Leste porque, em primeiro lugar, oferecem proteção às zonas costeiras. Quando dizemos proteção, isso significa que travam a erosão e a subida do mar”, afirmou o diretor nacional de Florestas, Bacias Hidrográficas e Áreas de Mangal, Adelino do Rosário.

O viveiro de maré de Ulmera pretende funcionar como modelo de demonstração para uma restauração de mangais resiliente ao clima e de baixo impacto, combinando abordagens ecológicas com medidas práticas para reduzir o desperdício e melhorar a resiliência das mudas – uma experiência que a FAO espera possa oferecer lições práticas para futuros esforços de restauração de mangais em Timor-Leste.

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Escrito por RafaFM

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