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‘Nobel’ da Economia apela a Timor-Leste para liderar criação de painel internacional sobre desigualdade

todaySetembro 4, 2026 64

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Díli, 4 de setembro de 2026 (RAFA) – O economista Joseph Stiglitz apelou ao Presidente da República, José Ramos-Horta, para apoiar a criação de um Painel Internacional sobre Desigualdade (IPI), num artigo de opinião em que defende que a desigualdade extrema “não é um dado adquirido”, mas sim “uma escolha política” que pode ser desfeita.

“O Presidente José Manuel Ramos-Horta tem uma oportunidade fundamental para ajudar a liderar a luta global contra a desigualdade extrema, ao apoiar o rápido estabelecimento de um IPI”, escreveu Stiglitz, acrescentando aguardar o apoio do chefe de Estado timorense e de Timor-Leste à iniciativa.

Stiglitz preside ao Comité Extraordinário de Peritos Independentes do G20 sobre Desigualdade Global, criado sob a presidência sul-africana do G20, que ao longo do último ano analisou, junto com outros economistas, o estado da desigualdade mundial.

Segundo o economista, as conclusões do comité revelam “uma crise de grande escala e de trajetória perigosa” e que exige medidas urgentes.

O painel proposto seria um organismo global, inspirado em parte no Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, destinado a produzir avaliações periódicas e cientificamente rigorosas sobre a magnitude e a evolução da desigualdade, os seus fatores e consequências, e os sucessos e falhanços no combate ao fenómeno em todo o mundo.

O artigo cita dados sobre a concentração de riqueza mundial: desde 2000, 41% de toda a riqueza criada foi para o top 1% mais rico, enquanto a metade mais pobre da humanidade recebeu apenas 1%.

Segundo Stiglitz, 2,3 mil milhões de pessoas – uma em cada quatro – saltam refeições regularmente, ao mesmo tempo que fortunas individuais se medem em centenas de milhares de milhões.

Para Stiglitz, a desigualdade “não se limita a prejudicar o desempenho económico”, constituindo também “uma ameaça profunda e direta à democracia”, com corporações e elites abastadas a moldar leis, regulação e políticas monetárias e fiscais a seu favor em todo o mundo.

O economista aponta ainda que seis pessoas ultrarricas controlam nove das dez maiores plataformas de redes sociais do mundo, e que metade do panorama mediático global pertence a bilionários – concentração que, segundo Stiglitz, corrói as sociedades e a política.

O artigo dedica especial atenção a Timor-Leste, descrito como um país com “um histórico de orgulho” em manter níveis relativamente baixos de desigualdade de rendimento face a muitos vizinhos e pares regionais, mas que “não está imune” às forças que impulsionam a desigualdade. Segundo os dados citados, os 10% mais ricos da população timorense captam atualmente 41% do rendimento antes de impostos, enquanto os 40% mais pobres recebem apenas 11%.

Ao longo do último ano, o comité liderado por Stiglitz trabalhou em conjunto com os governos do Brasil, da África do Sul, de Espanha e da Noruega na construção de um roteiro concreto para o IPI, iniciativa que já reúne apoio de governos, organismos internacionais e do secretário-geral das Nações Unidas.

Os quatro governos fundadores vão reunir líderes mundiais na Assembleia-Geral da ONU ainda este mês, para discutir a proposta.

FIM

Escrito por RafaFM

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