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Díli, 3 de setembro de 2026 (RAFA) – A Organização Mundial da Saúde (OMS) validou Timor-Leste como tendo eliminado o tracoma como problema de saúde pública, tornando o país o último da Região Sudeste Asiático da OMS a alcançar este marco, com a doença agora erradicada como problema de saúde pública em toda a região.
O tracoma é a principal causa infecciosa de cegueira no mundo. Timor-Leste era o único país da região com suspeita de tracoma endémico ainda por validar.
“Felicito Timor-Leste por esta importante conquista. Ao combinar um planeamento sólido, investigação de terreno cuidadosa e vigilância moderna, o país demonstrou como a ciência e sistemas de saúde robustos podem proteger as pessoas de uma cegueira evitável”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “A eliminação do tracoma na Região Sudeste Asiático é um passo significativo rumo à nossa meta global de eliminar o tracoma em todo o mundo até 2030.”
A validação da OMS resultou de um processo rigoroso e plurianual para determinar se o tracoma constituía um problema de saúde pública no país e para documentar a capacidade do sistema de saúde para detetar, investigar e gerir futuros casos. Uma série de investigações realizadas entre 2015 e 2017 examinou crianças na ilha de Ataúro, rastreou doentes em clínicas oftalmológicas por todo o país e conduziu buscas casa a casa em zonas específicas, sem encontrar casos de tracoma.
Timor-Leste reforçou depois essa evidência através de novos estudos. Um inquérito de 2025 analisou 4.949 amostras de crianças entre um e cinco anos, abrangendo os 13 municípios do país, sem encontrar evidência de transmissão a um nível que exigisse intervenção de saúde pública específica para o tracoma.
“Timor-Leste demonstrou mais uma vez que a liderança nacional forte, a evidência de elevada qualidade e serviços de saúde integrados podem produzir ganhos duradouros em saúde pública”, afirmou o responsável interino do Gabinete Regional da OMS para o Sudeste Asiático, Nilesh Buddha. “A abordagem do país mostra também o valor de integrar a vigilância entre diferentes doenças, para que recursos limitados produzam o maior benefício possível para as comunidades.”
À semelhança de outros países já validados pela OMS, Timor-Leste vai manter capacidade para identificar e gerir casos individuais de triquíase e outras doenças oculares através do seu sistema de cuidados oftalmológicos. Os serviços especializados, incluindo cirurgia de triquíase, continuam disponíveis através do Centro Nacional de Oftalmologia, no Hospital Nacional Guido Valadares, em Díli, e através de ações de proximidade nos municípios. Os programas nacionais mais amplos continuam a alargar o acesso a água potável, saneamento e higiene, e a vigilância do tracoma será integrada nas plataformas nacionais já existentes de vigilância de doenças e de doenças tropicais negligenciadas.
“A eliminação do tracoma como problema de saúde pública em Timor-Leste, oficialmente validada pela OMS, é motivo de imenso orgulho nacional. Esta conquista só foi possível graças ao compromisso nacional sustentado e ao esforço coletivo dos nossos profissionais de saúde, comunidades e parceiros, a quem manifestamos a nossa mais profunda gratidão”, afirmou a ministra da Saúde de Timor-Leste, Élia A. dos Reis Amaral. “Isto renova a nossa determinação em avançar rumo à cobertura universal de saúde e construir um sistema de saúde equitativo e resiliente, que alcance e proteja todas as pessoas, onde quer que vivam. Apelamos à comunidade de saúde global para que aprofunde a cooperação e a solidariedade, de forma a que todos os países e todas as comunidades possam superar doenças evitáveis e garantir um futuro mais saudável para as próximas gerações.”
“A validação de Timor-Leste para a eliminação do tracoma como problema de saúde pública é uma conquista notável e um testemunho do compromisso inabalável do país em acabar com doenças evitáveis”, disse o representante da OMS em Timor-Leste, Arvind Mathur. “Reflete uma liderança nacional forte, profissionais de saúde dedicados, envolvimento comunitário sustentado e vigilância integrada robusta e de elevada qualidade. A OMS tem a honra de ter sido parceira do Ministério da Saúde e da população nesta caminhada, e vai continuar a apoiar a consolidação destes ganhos e o avanço da inspiradora agenda de eliminação de múltiplas doenças do país.”
A evidência que sustenta a validação foi gerada sob liderança do Ministério da Saúde, com o apoio da OMS e de parceiros de saúde ocular e investigação, incluindo o Royal Australasian College of Surgeons, a Fred Hollows Foundation, a Menzies School of Health Research, a London School of Hygiene & Tropical Medicine, o Kirby Institute da UNSW Sydney, a Lions Clubs International Foundation e a International Agency for the Prevention of Blindness.
O tracoma, causado pela bactéria Chlamydia trachomatis, propaga-se pelo contacto com secreções oculares e nasais de pessoas infetadas. Infeções repetidas podem provocar cicatrização da pálpebra interna, fazendo com que as pestanas se voltem para dentro (triquíase), o que pode resultar em cegueira. A doença está fortemente associada à pobreza e a desigualdades no acesso a serviços básicos, incluindo água, saneamento, higiene e cuidados de saúde, permanecendo endémica nalgumas das comunidades mais vulneráveis do mundo.
Timor-Leste é o quarto país da Região Sudeste Asiático da OMS e o 33.º a nível mundial a alcançar este marco. A validação da OMS aplica-se apenas a países onde o tracoma era conhecido ou suspeito como problema de saúde pública – os restantes Estados-membros da região não têm historial da doença endémica e nunca foram considerados suspeitos, pelo que não necessitam de validação. Timor-Leste era o último país da região onde a doença era suspeita, razão pela qual a sua validação significa que o tracoma deixa de ser um problema de saúde pública em toda a Região Sudeste Asiático da OMS.
Segundo a OMS, até setembro de 2026, 64 países já eliminaram pelo menos uma doença tropical negligenciada a nível mundial, incluindo oito países na Região Sudeste Asiático.
FIM
Escrito por RafaFM
OMS valida eliminação do tracoma como problema de saúde pública em Timor-Leste
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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