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Ramos-Horta: Monsenhor Martinho foi a “voz dos sem voz” em Timor-Leste

todaySetembro 3, 2026 22

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Díli, 03 de setembro de 2026 (RAFA) – O Presidente da República, José Ramos-Horta, afirmou esta quinta-feira que Monsenhor Martinho da Costa Lopes foi uma das principais vozes internacionais a denunciar o sofrimento do povo timorense durante a ocupação indonésia, tornando-se naquilo que é hoje recordado como a “voz dos sem voz”.

Ramos-Horta discursava numa cerimónia de homenagem a Monsenhor Martinho em Manatuto, onde a ponte foi batizada com o seu nome, passando a chamar-se “Ponte Monsenhor Martinho da Costa Lopes”.

O Presidente recordou que conheceu pessoalmente Monsenhor Martinho durante o período da Resistência, quando ambos trabalhavam no estrangeiro, destacando a coragem demonstrada pelo antigo Administrador Apostólico de Díli ao denunciar perante a comunidade internacional os crimes e o sofrimento infligidos ao povo timorense.

“Ele descobriu que, no mundo da diplomacia, dos interesses estratégicos e da chamada ‘realpolitik’, a verdade de um pequeno povo podia facilmente ser considerada menos importante do que as relações entre Estados”, disse Ramos-Horta.

Após deixar Timor-Leste, Monsenhor Martinho continuou a sua missão no exílio, viajando e procurando governos, parlamentares, jornalistas, organizações religiosas e de direitos humanos para chamar a atenção internacional para a situação no território.

“Quando a sua voz parecia incomodar e alguns preferiam que ele fosse prudente, face aos interesses das grandes potências, continuou a falar, a denunciar, a viajar!”, declarou.

Ramos-Horta realçou que a força de Monsenhor Martinho não provinha do poder político ou militar, mas da sua consciência, fé e convicção de que a dignidade humana não era negociável.

“A força de Monsenhor Dom Martinho não vinha de um exército, de um Estado poderoso, ou de recursos financeiros. Vinha da sua consciência, da sua fé e da convicção de que a dignidade humana não pode ser negociada”, afirmou.

O Presidente recordou ainda que a intervenção de Monsenhor Martinho ajudou a unir diferentes setores da Resistência Timorense, entre os quais a Igreja Católica, a frente diplomática, a resistência armada, a juventude, as mulheres, os estudantes e as comunidades.

Segundo Ramos-Horta, esta convergência permitiu transformar o sofrimento do povo timorense numa causa internacionalmente reconhecida e fortalecer a luta pela autodeterminação e pelos direitos humanos.

“Monsenhor Dom Martinho levou a voz de Timor para além das fronteiras”, afirmou, destacando o seu trabalho até ao fim da vida em defesa da autodeterminação do povo timorense.

Jornalista: Miguel Caldas

 

Escrito por RafaFM

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