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Díli, 3 de setembro de 2026 (RAFA) – O Banco Central de Timor-Leste (BCTL) marcou para 12 de setembro o lançamento oficial do TuQR (Timor Unified QR Code), o novo padrão nacional do tipo para pagamentos digitais, que vai ser adotado gradualmente pelos prestadores de serviços de pagamento no país.
Segundo material de divulgação do BCTL, o TuQR vai unificar num único código QR as transações digitais atualmente dispersas por diferentes plataformas, sendo adotado por bancos comerciais, fintechs e serviços de carteira eletrónica.
O sistema é suportado pelo Ti-Fast, o Sistema de Pagamento Instantâneo do BCTL, lançado em versão experimental em maio de 2025.
O nome do novo padrão resume os quatro princípios que o BCTL diz nortear o projeto: Together (promover a utilização de pagamentos digitais através dos bancos, fintechs e wallets participantes), Unified (um único padrão de QR, sem necessidade de códigos diferentes por prestador), Quick (transações rápidas e práticas) e Reliable (segurança, fiabilidade e monitorização por parte do BCTL).
Para pagar, o utilizador só precisa de abrir a aplicação de pagamento que utiliza, digitalizar o código QR e confirmar o valor e o destinatário, recebendo depois uma notificação de sucesso da transação.
O projeto foi anunciado pela primeira vez pelo governador do BCTL, Hélder Lopes, em maio.
Na altura, o governador explicou que a iniciativa faz parte da transformação do sistema nacional de pagamentos e visa reduzir a circulação de dinheiro físico e as oportunidades de falsificação de notas.
“No futuro, vamos chegar a esse ponto. O Estado vai ter o TuQR, ou código QR, para promover o pagamento digital. Toda a gente vai usar o telemóvel para fazer transações”, afirmou Hélder Lopes.
O BCTL tinha referido a possível preparação de um decreto-lei para regular e apoiar a implementação nacional dos pagamentos digitais, que, entre outros aspetos, exigiria que lojas e negócios ofereçam aos clientes a opção de pagar em dinheiro físico ou digital, cabendo a decisão final ao consumidor.
Timor-Leste já dispõe de um enquadramento legal parcial para pagamentos eletrónicos, estabelecido pelo Decreto-Lei do Sistema Nacional de Pagamentos, aprovado em 2015.
Esse diploma atribui ao BCTL a competência para regular e supervisionar todo o sistema de pagamentos do país, define “Instrumento de Pagamento” de forma suficientemente ampla para abranger transferências feitas por telemóvel ou internet, e regula a emissão de moeda eletrónica, exigindo que os emitentes reembolsem o valor a pedido do titular e não concedam crédito através dela.
A lei de 2015 não prevê, contudo, um padrão técnico único de interoperabilidade entre prestadores de pagamento nem obriga comerciantes a aceitar pagamentos digitais – lacunas que o novo decreto-lei em preparação, específico para o TuQR, deverá colmatar.
Hélder Lopes reconheceu em maio que a implementação do TuQR iria decorrer de forma faseada, devido a dois desafios principais: o reduzido conhecimento da população sobre pagamentos digitais e as limitações de infraestrutura de telecomunicações e internet em zonas rurais e montanhosas do país.
O turismo deverá ser um dos setores prioritários na fase inicial, uma vez que muitos visitantes estrangeiros já preferem transações sem recurso a dinheiro físico durante as suas viagens a Timor-Leste.
O anúncio do TuQR surge depois de o BCTL ter revelado, em novembro de 2025, os planos para lançar este padrão nacional de código QR, no âmbito do desenvolvimento do sistema nacional de pagamentos digitais e da sua integração com a rede de QR da ASEAN.
Além do TuQR e do Ti-Fast, o banco central alargou já o uso de cartões internacionais como Visa, Mastercard e UnionPay, tem promovido os serviços de banca digital através dos bancos comerciais, e concedeu licença à fintech nacional Ti-Oan para apoiar a inclusão financeira através de serviços de carteira eletrónica junto de comunidades sem acesso bancário.
FIM
Escrito por RafaFM
BCTL lança este mês o TuQR novo sistema nacional de pagamento digital por código QR
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