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Sistema bancário timorense acumula liquidez, mas trava na transmissão de crédito às empresas, alerta Banco Central

todaySetembro 3, 2026 27

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Díli, 03 de setembro de 2026 (RAFA) – Os ativos do sistema bancário timorense cresceram 19,5% em termos homólogos até junho de 2026, mas quase dois terços desse aumento ficaram em colocações junto de outros bancos, e não em crédito à economia, segundo o Banco Central de Timor-Leste.

Segundo a Revisão Económica Intercalar de Timor-Leste 2026, divulgada pelo BCTL, as colocações junto de outros bancos representaram 60% da expansão do balanço bancário, contra apenas 23% atribuído a crédito.

O banco central conclui que a “composição da expansão do balanço sugere que a principal restrição é cada vez mais a transmissão de liquidez para crédito doméstico, e não a disponibilidade de liquidez em si”.

Os depósitos totais do sistema bancário atingiram 1.911 milhões de dólares até junho de 2026, enquanto o crédito total somou 768 milhões, com uma taxa de juro média de 10,3% e um rácio de crédito sobre o PIB de 39,7%.

Os ativos totais do sistema bancário alcançaram 3.046 milhões de dólares, dos quais 1.701 milhões correspondem a ativos externos – mais de metade do total, reflexo do peso ainda reduzido do crédito doméstico no balanço da banca.

O relatório do BCTL mostra ainda uma expansão consistente dos ativos totais do sistema financeiro e dos empréstimos bancários entre junho de 2022 e junho de 2026, com a carteira de crédito a manter uma trajetória de crescimento ano após ano ao longo de todo o período.

Por sector de atividade, o crédito concentra-se fortemente em particulares, que absorvem 43,9% do total (336,8 milhões de dólares), seguidos do comércio e finanças, com 26,9% (206,4 milhões), e da construção, com 20,7% (159,1 milhões).

Em sentido inverso, sectores produtivos como a agricultura recebem apenas 1,5% do crédito (11,5 milhões de dólares) e a indústria transformadora 0,9% (6,7 milhões), enquanto os transportes ficam-se pelos 2,3% (17,9 milhões) e o turismo e serviços pelos 3,8% (29,1 milhões).

No total, a indústria transformadora, o turismo e os transportes somam, em conjunto, menos de 7% do crédito concedido pelo sistema bancário.

O Banco Central associa este desequilíbrio setorial à “limitada intermediação financeira” que ainda caracteriza a economia timorense, apontando o reforço do acesso ao financiamento como condição necessária para apoiar o investimento privado e a diversificação produtiva do país.

Jornalista: António Sampaio

Escrito por RafaFM

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