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Défice externo dispara 27% e Timor-Leste importa 36 vezes mais do que exporta

todaySetembro 2, 2026 29

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Díli, 02 de setembro de 2026  (RAFA) – O défice da conta corrente de Timor-Leste agravou-se 27% no primeiro semestre de 2026, para 374,1 milhões de dólares, em termos homólogos, com as importações a superarem em 36 vezes as exportações não-petrolíferas, indica o Banco Central.

Segundo a Revisão Económica Intercalar de Timor-Leste 2026, divulgada hoje pelo Banco Central de Timor-Leste (BCTL), o défice da conta corrente subiu de 294,4 milhões de dólares no primeiro semestre de 2025 para 374,1 milhões no mesmo período de 2026.

Excluindo a atividade petrolífera, o défice cresceu de forma ainda mais acentuada, de 342,2 milhões para 374,0 milhões de dólares – praticamente equiparando-se ao défice global, sinal da fraca expressão que a atividade petrolífera mantém hoje na balança externa.

O défice de bens e serviços foi o principal responsável pela deterioração, alargando-se 19,2% para 582,5 milhões de dólares, face a 488,8 milhões um ano antes.

O rendimento primário caiu 10,3%, para 125,9 milhões de dólares, mas o rendimento secundário duplicou, para 82,6 milhões, atenuando parcialmente a queda.

Ainda assim, o BCTL sublinha que este alívio foi “insuficiente para reverter a deterioração da balança comercial”.

A conta financeira registou uma saída líquida de 705,9 milhões de dólares, impulsionada sobretudo por saídas de investimento de carteira e outros investimentos – um valor que o banco central associa a uma “vulnerabilidade externa” acrescida da economia timorense.

O desequilíbrio comercial mantém-se acentuado: as importações de mercadorias somaram 565,6 milhões de dólares no primeiro semestre, contra apenas 15,5 milhões de exportações não-petrolíferas – uma diferença de cerca de 36 vezes.

Considerando as exportações domésticas na sua totalidade (19,7 milhões de dólares), a proporção desce ligeiramente, mas mantém-se acima de 28 vezes.

Os combustíveis (175 milhões de dólares) e os veículos (59 milhões) lideram a despesa com importações, seguidos de cereais (32 milhões), maquinaria (26 milhões) e equipamento elétrico (19 milhões).

A Indonésia (177,9 milhões de dólares) e Taiwan (131,2 milhões) são os principais fornecedores, seguidos da China (72,1 milhões), Singapura (33,3 milhões) e Índia (31,8 milhões).

Do lado das exportações, o café domina isoladamente as vendas ao exterior, com quase 9 milhões de dólares (8.982.854), seguido de copra (620.742 dólares), conjac (363.156 dólares), candlenuts (205.403 dólares) e semente de palma (201.012 dólares).

A Indonésia (5,5 milhões de dólares) e a Austrália (4,1 milhões) são os principais mercados de destino, à frente do Japão e da China (1,3 milhões cada) e dos Estados Unidos (0,8 milhões).

O Banco Central alerta que a “elevada dependência de importações” e a “fraca diversificação das exportações” limitam a margem de resposta da economia sob o regime de dolarização total, apontando o reforço das exportações como uma das reformas essenciais para reduzir a vulnerabilidade externa do país.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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