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Hong Kong, 02 de setembro de 2026 (RAFA) – Os preços do petróleo atingiram esta semana o nível mais alto em mais de dois meses e as bolsas asiáticas seguem sob pressão, depois de os Estados Unidos terem lançado nova vaga de ataques contra o Irão.
O crude norte-americano ultrapassou os 90 dólares por barril pela primeira vez em mais de um mês, com uma subida superior a cinco por cento, enquanto o Brent, referência internacional, ultrapassou os 93 dólares, também com um avanço de cerca de quatro por cento.
Segundo a Bloomberg, os aumentos foram alimentados pelo receio de novas perturbações no fluxo de petróleo através do Estreito de Hormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de crude.
A subida do petróleo contribuiu para um forte recuo nas obrigações a nível global, com a taxa dos títulos do Tesouro norte-americano a dez anos a atingir o nível mais alto desde 2008, segundo a Bloomberg, e a subir para 4,79 por cento, segundo dados citados pela agência AP.
No Japão, a taxa das obrigações a dez anos tocou os três por cento, um patamar não visto desde 1996, enquanto as taxas soberanas na Alemanha e em França também avançaram para máximos de vários anos.
Nos mercados asiáticos, a sessão de terça-feira já tinha registado perdas expressivas, com o índice Nikkei 225, de Tóquio, a recuar ligeiramente, mas mantendo o quinto mês consecutivo de ganhos, enquanto o índice Kospi, da Coreia do Sul, inverteu perdas para fechar em alta. O crude WTI fechou a subir 2,83 por cento, para 85,76 dólares por barril, e o Brent avançou 2,71 por cento, para 90,49 dólares.
O Comando Central dos Estados Unidos confirmou que as forças norte-americanas atacaram, na terça-feira, sistemas de defesa aérea, radares, meios navais, instalações, capacidades de colocação de minas e centros de comunicações no Irão, um dia depois de um petroleiro ter sido atingido por três projéteis não identificados no Estreito de Hormuz.
Segundo o Pentágono, os ataques responderam a tentativas de Teerão de atacar navios comerciais no estreito e militares norte-americanos na região. No domingo, as forças dos EUA já tinham atacado lançadores de foguetes na ilha iraniana de Larak, no mesmo estreito, tendo o Irão respondido com mísseis contra instalações dos EUA na Jordânia, entretanto intercetados.
Após a nova ronda de ataques de terça-feira, o Irão lançou mísseis balísticos contra a Jordânia e, segundo a media semioficial iraniana, mísseis e drones adicionais, enquanto o Presidente Donald Trump avisou que qualquer retaliação seria respondida “a um nível muito mais duro e elevado”.
O Irão tem estado a trabalhar com Omã, país situado no lado sul do estreito, num quadro para a gestão do tráfego marítimo, embora não seja claro se tal plano seria aceitável para Washington – outras nações do Golfo têm insistido na reabertura incondicional da via.
Enquanto o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, defende há muito um fim negociado do conflito, a Guarda Revolucionária, força paramilitar mais poderosa do país, pressiona por maiores concessões dos EUA, incluindo o controlo iraniano sobre o estreito e compensação financeira pela guerra – condições dificilmente aceitáveis para Washington, fator que mantém elevado o prémio de risco geopolítico incorporado nos preços do petróleo.
O Departamento de Estado norte-americano renovou, entretanto, o alerta de viagem para toda a região do Médio Oriente, citando um “ambiente de segurança complexo, com potencial para uma escalada imprevista” – um sinal adicional, para os mercados, de que a tensão poderá persistir.
FIM
Escrito por RafaFM
Petróleo volta a subir e mercados asiáticos recuam após novos ataques dos EUA ao Irão
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