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Advgado de Singapura, ativista de Myanmar e voluntária do Bangladesh vencem Prémio Ramon Magsaysay

todaySetembro 1, 2026 24

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Manila, 1 de Setembro de 2026 (RAFA) – Um advogado de Singapura, um ativista de Myanmar e uma voluntária do Bangladesh venceram o Prémio Ramon Magsaysay 2026, o mais alto galardão da Ásia, atribuído desde 1958 a título de reconhecimento pela “grandeza de espírito” no serviço às populações do continente.

Os vencedores são o advogado e diplomata Tommy Koh, de 88 anos, que presidiu à conferência da ONU que adotou a Convenção sobre o Direito do Mar, em 1982; o ativista birmanês Bo Kyi, de 61 anos, antigo preso político que fundou uma associação de apoio a detidos políticos no Myanmar; e Runa Khan, de 67 anos, fundadora da organização “Friendship Bangladesh”, que emprega mais de 7.500 pessoas em apoio aos mais pobres do país.

Os prémios, com medalha, certificado e valor monetário não divulgado, serão entregues a 15 de novembro, no Teatro Metropolitano de Manila.

Tommy Koh é conhecido sobretudo por ter presidido a uma conferência das Nações Unidas com mais de 150 países, que adotou a Convenção sobre o Direito do Mar.

“De enorme significado para os países marítimos, esta ‘constituição para os oceanos’ definiu as águas territoriais e os direitos económicos dos países sobre as suas águas costeiras, além de prever mecanismos para a resolução de litígios”, afirmou a organização do prémio.

A convenção serviu de base principal a uma decisão de 2016 de um tribunal arbitral da Haia que invalidou as reivindicações expansivas da China no mar do Sul da China – arbitragem que Pequim recusou integrar, iniciada pelas Filipinas em 2013, e cuja decisão continua a rejeitar. China, Filipinas, Vietname, Malásia, Brunei e Taiwan mantêm há décadas impasses territoriais tensos naquelas águas disputadas.

Foi ainda o documento usado por Timor-Leste como base na disputa contra a Austrália sobre as fronteiras marítimas no Mar de Timor.

Bo Kyi foi detido por duas vezes e passou sete anos na prisão por uma vida dedicada à defesa da democracia e à resistência contra as violações de direitos humanos pelos militares no Myanmar.

Exigiu a libertação de todos os presos políticos no país, incluindo a antiga líder Aung San Suu Kyi, e ajudou a angariar fundos para detidos e respetivas famílias.

Em março de 2000, fundou com outros antigos presos políticos a Associação de Assistência a Presos Políticos, dedicada a documentar o encarceramento político e apoiar detidos e famílias no Myanmar.

Runa Khan, oriunda de uma família abastada, começou por ser professora de crianças pobres em 1979. Em 2002, fundou a “Friendship Bangladesh”, que ajuda os mais desfavorecidos a lidar com as alterações climáticas, educar os filhos e criar oportunidades de subsistência.

A organização conta hoje com sete navios-hospital, dois hospitais terrestres e 550 clínicas móveis.

Timor-Leste conta com dois timorenses distinguidos com o Ramon Magsaysay. Em 2018, a irmã Maria de Lourdes Martins Cruz, natural de Liquiçá, foi reconhecida pelo trabalho junto dos mais pobres.

Em 2023, Eugénio Lemos, fundador da Permakultura Timor-Lorosa’e (Permatil), foi distinguido pela promoção da agricultura sustentável.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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