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Dezenas de soldados mortos ou detidos após motim no Níger

todayAgosto 31, 2026 30

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Niamey, Níger, 31 de agosto de 2026 (RAFA) – Dezenas de soldados foram mortos ou detidos depois de um grupo de militares jovens ter tentado um motim na capital do Níger, considerado uma grave ameaça à junta militar no poder, segundo a televisão estatal e analistas.

O motim foi o culminar de quase 24 horas de tensão, alegadamente protagonizada por soldados jovens descontentes com o agravamento da violência jihadista sob a junta militar.

O Corpo de África da Rússia prestou apoio aéreo e terrestre às forças locais para resistir à rebelião, segundo analistas e diplomatas citados pela agência AP.

A televisão estatal RTN mostrou imagens de dezenas de soldados, na maioria jovens, a serem exibidos publicamente depois de tiroteios e explosões sustentados terem sido ouvidos durante a noite de sexta para sábado numa base militar situada no principal aeroporto de Niamey e perto do palácio presidencial.

“Os combates duraram algumas horas em vários locais, o que permitiu [às forças de segurança] controlar gradualmente a situação, deter e neutralizar estes soldados descontrolados”, noticiou a televisão estatal.

Paradeiro do líder militar desconhecido

O paradeiro do chefe da junta, general Abdourahamane Tchiani, permanecia por esclarecer. Oficiais superiores das forças armadas nigerinas visitaram a base do Corpo de África russo no aeroporto e “manifestaram gratidão aos seus militares pela ajuda na repressão da rebelião”, segundo o embaixador russo no Níger, Viktor Voropayev, citado pela imprensa russa.

Os soldados amotinados mantiveram-se acampados na base militar até ao final de sábado, enquanto a guarda presidencial garantia a segurança do palácio e era destacada para retomar o controlo da base.

Segundo Wassim Nasr, investigador sénior do Soufan Center, as forças leais ao regime recuperaram “a vantagem, pelo menos no aeroporto e na base”, embora permaneça incerto se outras forças que se dirigiam para a capital pretendiam apoiar o motim ou a junta.

A AP não conseguiu confirmar de forma independente se as forças de segurança nigerinas retomaram o controlo total da base.

Segundo diplomatas e analistas, parte dos soldados amotinados provinha do sudoeste do país, uma das regiões mais afetadas pela insegurança.

A televisão estatal interrompeu a transmissão em direto durante algum tempo no sábado de manhã antes de a retomar, tendo depois divulgado uma declaração do ministro da Defesa, general Salifou Mody, segundo a qual um grupo de soldados fez reféns alguns oficiais na base e disparou contra “locais sensíveis”, numa “rutura com a disciplina e os regulamentos militares”.

O aeroporto é um ponto estratégico que alberga uma base da força aérea nigerina e o quartel-general da força militar conjunta Níger-Burquina Faso-Mali – três países vizinhos atualmente sob regime militar, na sequência de uma vaga de golpes de Estado na região do Sahel, todos a debater-se com problemas de insegurança.

A junta nigerina chegou ao poder através de um golpe de Estado em 2023, alegando incapacidade do governo eleito para conter a violência armada.

Desde então, o país da África Ocidental, com mais de 25 milhões de habitantes e entre os mais pobres do mundo, rompeu laços com os tradicionais parceiros ocidentais de segurança, aproximando-se da Rússia.

Contudo, a junta não tem conseguido travar a violência jihadista, o que tem alimentado o descontentamento nas fileiras militares.

O Conselho Nacional para a Salvaguarda da Pátria, órgão que dirige o país, apelou à união.

“As nossas Forças de Defesa e Segurança estão mobilizadas para a Defesa da Pátria. Mantenhamo-nos unidos, vigilantes e solidários”, declarou em comunicado publicado no Facebook.

A Argélia manifestou “total solidariedade e firme apoio” ao Níger, seu vizinho, “com vista a superar esta provação e promover um rápido regresso à estabilidade”, segundo o ministério argelino dos Negócios Estrangeiros.

Trata-se do terceiro ataque este ano à base situada no Aeroporto Internacional Diori Hamani, depois de dois assaltos anteriores por parte de rebeldes jihadistas.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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