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Díli, 28 de agosto de 2026 (RAFA) – Timor-Leste tem a oportunidade de desenvolver a sua Economia Azul, aproveitando que o ambiente marinho do país ainda não sofreu danos generalizados, segundo a responsável do Departamento de Fronteiras Marítimas e Terrestes.
O futuro deste setor dependerá, no entanto, da capacidade de transformar o conhecimento científico sobre o oceano em políticas e ações concretas para a conservação e o desenvolvimento sustentável.
A informação foi apresentada hoje por Elizabeth Exposto, Chefe de Gabinete do Primeiro-Ministro e Diretora Executiva do Departamento de Fronteiras Terrestres e Marítimas, durante o Simpósio OceanX Timor-Leste, realizado no Centro de Convenções de Díli.
Na sua apresentação intitulada “From Science to Action: Applying the Findings of the OceanX Timor-Leste 2025 Mission to Timor-Leste’s Blue Economy and Ocean Priorities”, Exposto destacou a importância dos dados recolhidos em 2025 pela missão OceanX sobre o mapeamento marinho, a biodiversidade e os ecossistemas.
As descobertas, disse, devem servir não só para expandir o conhecimento científico, mas também para apoiar a formulação de políticas públicas, fortalecer a investigação nacional e orientar as prioridades de Timor-Leste para o oceano.
“Timor-Leste precisa de um conhecimento profundo dos seus mares e da biodiversidade marinha para identificar melhores formas de os proteger e conservar”, afirmou.
Exposto considerou que Timor-Leste parte de uma posição privilegiada para desenvolver a Economia Azul, uma vez que o ambiente marinho do país ainda não sofreu uma destruição generalizada.
Para a chefe do gabinete, isto permite ao país estabelecer desde o início uma estratégia baseada na ciência, nas parcerias e na experiência internacional, evitando que o crescimento económico comprometa os recursos marinhos.
“Estamos a começar do zero, ou, como diria, com uma página azul”, declarou.
A estratégia do Governo procura, assim, conciliar a conservação dos oceanos com a utilização sustentável dos seus recursos para criar emprego, investimento e novas oportunidades económicas.
Exposto enfatizou que proteger o oceano não significa impedir a utilização dos seus recursos.
Segundo a mesma, Timor-Leste deve utilizar o seu património marinho de forma responsável para desenvolver setores como a pesca, a aquacultura, o turismo náutico, o transporte marítimo, a construção naval e a produção de sal.
“A conservação não significa deixar os nossos recursos marinhos intocados. Somos abençoados com um oceano extraordinário e devemos usá-lo com sabedoria para criar empregos, meios de subsistência e novas oportunidades para a nossa população”, afirmou.
Ao mesmo tempo, defendeu o reforço das medidas de proteção da biodiversidade, incluindo os recifes de coral, os mangais, as ervas marinhas, os cetáceos, os peixes e os crustáceos.
A implementação da Economia Azul, segundo Exposto, exigirá mais do que apenas políticas governamentais.
A proteção dos oceanos deve envolver as comunidades, os cientistas, as universidades, as escolas, a sociedade civil, o setor privado, as autoridades municipais e os parceiros internacionais.
A representante defendeu ainda a articulação entre as práticas comunitárias, como o Tara Bandu, e mecanismos legais e de gestão capazes de proteger os recursos e habitats marinhos.
“O governo não pode fazer isto sozinho”, afirmou, defendendo uma ação nacional conjunta para proteger o oceano.
Para Exposto, o desafio agora é transformar a Política de Economia Azul em ações concretas.
O objetivo, segundo Exposto, é garantir que Timor-Leste possa desenvolver a sua economia marítima sem comprometer a saúde do oceano, demonstrando que o desenvolvimento económico e a proteção ambiental podem reforçar-se mutuamente.
A representante agradeceu à OceanX o inquérito realizado em Timor-Leste e manifestou a esperança de que o simpósio marque o início de uma parceria duradoura entre a organização e o país.
Jornalista: Miguel Caldas
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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