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Pieribone: sucesso do simpósio será ver investigador timorense usar dados da missão da OceanX num novo estudo

todayAgosto 28, 2026 18

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Díli, 28 de agosto de 2026 (RAFA) – O co-diretor executivo e diretor científico da OceanX, Vincent Pieribone, disse hoje que o sucesso da missão científica em Timor-Leste se vai medir pela capacidade de investigadores, estudantes e do próprio Governo timorense usarem os dados recolhidos para novos estudos e políticas públicas.

Pieribone falava na sessão de contextualização do “Timor-Leste OceanX Symposium: Science for a Blue Future”, no arranque do simpósio promovido pelo Governo, através do Gabinete de Fronteiras Terrestres e Marítimas, em conjunto com a organização OceanX, no Centro de Convenções de Díli.

Segundo o responsável, o planeamento da missão de 2025 foi desde o início guiado pelas perguntas dos parceiros timorenses – que informação faltava, que áreas precisavam de ser estudadas e de que forma a investigação científica poderia apoiar as prioridades da economia azul do país.

Pieribone descreveu a expedição como uma operação conjunta, que ligou o trabalho científico às políticas nacionais: a OceanX disponibilizou equipamento e especialistas, enquanto equipas do Governo deram apoio logístico, permitindo que a missão decorresse em segurança.

O responsável agradeceu a confiança depositada pelas autoridades timorenses.

Pieribone afirmou que a possibilidade de observar em profundidade o ambiente marinho de Timor-Leste foi um dos principais motivos que levaram a organização a apostar em ciência, tecnologia e produção de conteúdos multimédia durante a expedição.

As capacidades científicas a bordo do navio, disse, permitem hoje responder a perguntas que no passado seriam difíceis de esclarecer.

O foco da OceanX está agora centrado em como o conhecimento reunido pode ser utilizado por Timor-Leste e em como dar seguimento a este trabalho, sublinhou.

Segundo Pieribone, a recolha de dados no terreno é apenas uma parte do processo – segue-se a análise dos dados e das espécies recolhidas, bem como a reunião de informação adicional.

“Não interessa apenas o que a missão descobriu, mas como isso pode ser útil, como pode ajudar”, afirmou.

O responsável da OceanX defendeu que os investigadores internacionais envolvidos na missão devem manter-se ligados a Timor-Leste à medida que a análise científica avança, um processo que pode demorar anos, mas que deve incluir atualizações regulares para dar a conhecer os progressos ao país.

Segundo Pieribone, a ciência pode ajudar a estabelecer uma base de conhecimento, reduzir incertezas e identificar onde faltam mais dados e documentação, cabendo depois ao Governo ponderar essa evidência científica em conjunto com os recursos políticos e as comunidades.

Pieribone explicou que o simpósio foi organizado precisamente para que este diálogo possa continuar, com uma reflexão sobre os resultados preliminares mais relevantes para Timor-Leste, sobre que áreas precisam de mais investigação e análise e sobre que questões devem guiar os próximos passos.

O objetivo, disse, é identificar as prioridades do país, o que pode e deve ser feito, e definir como todas as partes podem comunicar e colaborar – incluindo pontos de contacto e um calendário de atualizações regulares.

“O sucesso será ver um investigador timorense a usar o material da missão para um novo estudo, o Governo a usar esse material para um novo plano, estudantes a explorarem os dados recolhidos”, concluiu Pieribone.

Vincent Pieribone é co-diretor executivo (co-CEO) e diretor científico da OceanX desde 2022, organização sem fins lucrativos de exploração oceânica fundada em 2016 por Ray Dalio e Mark Dalio, à qual se juntou como vice-presidente logo no ano da fundação. É também professor de fisiologia celular e molecular e neurociência na Escola de Medicina de Yale, além de investigador associado no Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade de Columbia. Ao longo de mais de vinte anos, liderou expedições de investigação oceânica em várias partes do mundo, incluindo a missão da OceanX em Timor-Leste em novembro de 2025.

Formado em Biologia e Química pela Universidade de Nova Iorque, com doutoramento em neurociência pela mesma instituição, Pieribone é especialista em bioluminescência e na utilização de proteínas de origem marinha para medir a atividade cerebral. É autor de mais de cem publicações científicas e fundador de duas empresas biomédicas, a farmacêutica Marinus Pharmaceuticals e a empresa de diagnóstico Affinimark Technologies.

A missão, a bordo do navio OceanXplorer, decorreu entre 6 e 24 de novembro de 2025 ao longo da costa norte do país e na região da ilha de Ataúro, em parceria com o Governo timorense e cientistas da KAUST (Universidade de Ciência e Tecnologia Rei Abdullah), da Universidade da Flórida, da Universidade da Austrália Ocidental e de instituições timorenses.

Ao longo de 14 dias operacionais, a equipa recolheu mais de quatro mil amostras biológicas – corais, invertebrados e espécies crípticas – em ambientes de recife, mesofóticos e batiais.

As avaliações preliminares apontam para a representação de cerca de duas mil espécies diferentes, resultados que serão hoje apresentados em detalhe na sessão dedicada à biodiversidade e descoberta de ecossistemas, a cargo do investigador Arthur Anker, da KAUST.

O mapeamento de alta resolução do fundo do mar, que abrangeu cerca de cinco mil quilómetros quadrados, contribui para a iniciativa global Seabed 2030 e visa colmatar lacunas de dados batimétricos que ainda existiam sobre a região – tema também na agenda da manhã, numa sessão conduzida por Erin Heffron e Kailani Acosta, da OceanX.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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