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Xanana Gusmão diz que soberania de Timor-Leste “não termina na linha costeira” e alerta para ameaças “irreversíveis” ao oceano

todayAgosto 28, 2026 116 2

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Díli, 28 de agosto de 2026 (RAFA) – O Primeiro-Ministro Xanana Gusmão defendeu hoje que a soberania de Timor-Leste não pode terminar na linha costeira e alertou que as alterações climáticas, a poluição e a pesca ilegal ameaçam de forma irreversível a biodiversidade marinha do país.

“O povo timorense lutou durante décadas pela sua liberdade. Quando finalmente alcançámos a independência, tornou-se claro que a nossa liberdade não podia terminar na linha costeira”, afirmou o chefe do Governo, na abertura do simpósio com a organização OceanX, no Centro de Convenções de Díli.

“A luta para delimitar as nossas fronteiras marítimas é, por isso, inseparável da nossa luta pela soberania: o mesmo povo, a mesma determinação, o mesmo direito a beneficiar plenamente – económica, social, cultural e ambientalmente – daquilo que é nosso.”

“Hoje, portanto, olhamos para o nosso mar com renovada ambição”, declarou.

Xanana Gusmão disse que Timor-Leste “pode ser um país de pequena área terrestre”, mas “quando olhamos para o mar, somos uma nação vasta.

Não só pela sua beleza, nem apenas por ser um elemento central da nossa cultura e identidade, mas pelo seu imenso potencial.”

O chefe do Governo situou o país no coração do Triângulo de Coral, “uma das regiões mais ricas em vida marinha em todo o planeta”, com condições únicas para observar baleias, golfinhos e outros grandes animais marinhos relativamente perto da costa, e recifes de coral que servem de abrigo e viveiro a peixes, invertebrados, tartarugas marinhas e dugongos.

Este “oásis de biodiversidade é um verdadeiro tesouro do nosso planeta”, disse, sublinhando que “este privilégio traz também consigo uma grande responsabilidade.

Temos o dever de proteger, de cuidar e, sobretudo, de agir.” Xanana Gusmão apontou ameaças “cada vez mais reais”: “as alterações climáticas, que estão a aquecer as nossas águas e a fazer subir o nível do mar; a poluição, que sufoca a vida marinha; e a pesca ilegal, não reportada e não regulamentada, que retira ao mar mais do que aquilo que consegue repor.”

“Este dano pode ser irreversível. E Timor-Leste não pode enfrentar sozinho estas ameaças. Proteger o oceano exige unidade, responsabilidade e cooperação – tanto regional como internacional”, afirmou.

Foi também por essa razão, disse o Primeiro-Ministro, que o Governo de Timor-Leste convidou a OceanX a realizar uma missão em Timor-Leste no ano passado.

“A missão recolheu novos dados sobre mapeamento marinho, biodiversidade e ecossistemas – dados que nos vão ajudar a cumprir melhor as nossas responsabilidades e a alcançar os objetivos da nossa Política de Economia Azul”, disse.

“A nossa jornada começa com um passo simples: compreender o nosso potencial”, resumiu.

O chefe do Governo anunciou que “Timor-Leste pretende estabelecer uma rede de parcerias científicas e tecnológicas internacionais e realizar o seu primeiro Levantamento e Estudo da Biodiversidade Marinha, envolvendo jovens e comunidades locais e reforçando a sua capacitação.” Segundo Xanana Gusmão, “esta iniciativa estará ligada a outros objetivos estratégicos, tais como a criação de Centros de Investigação e Educação Marinha; o Ordenamento e Gestão Nacional do Espaço Marítimo; a criação de uma rede de Áreas Marinhas Protegidas; e a criação do Parque Nacional de Ataúro.”

O Primeiro-Ministro sublinhou, no entanto, que “estas iniciativas de conservação não significam deixar os nossos recursos marinhos intocados. Temos de usar os nossos recursos marinhos de forma sábia para criar emprego, rendimento e novas oportunidades para o nosso povo.”

Segundo o chefe do Governo, “a segurança alimentar, o desenvolvimento económico e o bem-estar social são essenciais para a vida e os meios de subsistência do nosso povo”, pelo que o Governo quer criar oportunidades “na conservação e gestão marinha, mas também nas pescas sustentáveis e na aquacultura, no turismo marinho, nas energias renováveis e noutras atividades que gerem emprego digno para o nosso povo, sem comprometer a saúde do oceano de que todos dependemos.”

“Queremos agir, mas agir de forma responsável, através de um modelo em que o desenvolvimento económico e a proteção ambiental podem e devem reforçar-se mutuamente. É disso que trata a nossa Política de Economia Azul. É disso que trata este Simpósio”, afirmou.

A visão para a Economia Azul, indicou, está alinhada com o Plano de Desenvolvimento Estratégico 2011-2030, com a cooperação estratégica de Timor-Leste na ASEAN e na região do Pacífico, e com os valores e objetivos partilhados no âmbito da CPLP.

Xanana Gusmão agradeceu à OceanX “o seu apoio a Timor-Leste e por partilhar connosco hoje o seu conhecimento científico e as suas descobertas”, manifestando esperança de que o simpósio “inspire outros cientistas e organizações científicas, bem como universidades, a sociedade civil, o sector privado e as nossas comunidades, a trabalhar em conjunto, com determinação e visão.” “Espero que as discussões de hoje se traduzam em resultados tangíveis para o nosso povo, para o nosso mar e para um futuro azul para todos”, afirmou.

“Para que possamos criar uma verdadeira geração azul”, disse ainda.

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Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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