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Governos de países com cidadãos desaparecidos nas cheias do Nepal multiplicam apelos e ofertas de ajuda

todayAgosto 27, 2026 25

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Katmandu, 27 de agosto de 2026 (RAFA) – Líderes e ministros de vários países com cidadãos desaparecidos nas inundações repentinas na fronteira entre o Nepal e o Tibete manifestaram-se nas últimas horas, entre condolências, ofertas de assistência e apelos à colaboração das autoridades locais.

O balanço mais recente confirma 157 mortos no Nepal e pelo menos três no Tibete com centenas de pessoas desaparecidas, maioritariamente cidadãos estrangeiros, num desastre que arrasou aldeias inteiras e afetou também muitos turistas.

Do lado do Nepal, mais de 300 estrangeiros continuam por localizar, incluindo pelo menos 47 norte-americanos, 34 australianos, 33 britânicos, 24 canadianos, 133 indianos, 19 malaios, quatro russos, quatro alemães, nove sul-coreanos, dois portugueses, um israelita e cerca de 90 italianos na zona afetada, segundo dados avançados por autoridades e agências noticiosas dos respetivos países.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, falou por telefone com o homólogo nepalês, Balendra Shah, e garantiu que a Índia está pronta para prestar à vizinha toda a assistência humanitária possível, com equipas a coordenar de perto os esforços de busca e salvamento.

O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, classificou as cheias de “absolutamente devastadoras” e pediu aos cidadãos canadianos na região que se registassem no serviço que permite ao governo do Canadá enviar alertas de emergência.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, manifestou a solidariedade dos Estados Unidos para com o povo nepalês, garantindo que o seu departamento está pronto a apoiar o governo do Nepal com a assistência humanitária necessária.

Também o Departamento de Estado confirmou estar a par de cidadãos norte-americanos afetados pelas cheias.

Do lado britânico, o secretário dos Negócios Estrangeiros, Ed Miliband, afirmou que os seus pensamentos estão com os afetados pelas cheias no Nepal, incluindo cidadãos britânicos, enquanto o Foreign Office disse estar profundamente entristecido com a perda de vidas e a devastação.

A Embaixada da Austrália em Katmandu associou-se a uma declaração conjunta com o Reino Unido e outros países, apelando aos cidadãos nas zonas afetadas para seguirem as orientações e conselhos de segurança das autoridades locais e expressando solidariedade com o povo do Nepal.

Um comunicado mais alargado, subscrito também pela União Europeia, Finlândia, França, Noruega e Suíça, seguiu a mesma linha de apelo à população para respeitar as indicações oficiais.

Na Ásia, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Malásia confirmou a perda de contacto com cidadãos malaios na zona afetada, através de relatos recebidos de agências de viagens, enquanto a Embaixada da Rússia em Katmandu deu conta de quatro cidadãos russos desaparecidos.

As autoridades sul-coreanas confirmaram que vários trabalhadores envolvidos na construção de uma central hidroelétrica no Nepal se encontram entre os desaparecidos.

Nas Nações Unidas, o porta-voz Stephane Dujarric confirmou que vários organismos da organização estão a mobilizar-se para responder ao que classificou como uma necessidade humanitária de grande dimensão.

As autoridades nepalesas apontam como causa mais provável uma avalanche de gelo e rocha ocorrida do lado do Nepal.

A Autoridade Nacional de Gestão e Redução do Risco de Catástrofes do país atribuiu a “cheia com componente glaciar” a um deslizamento de terras no rio Lhende, ocorrido cerca de 20 quilómetros a nordeste de uma passagem fronteiriça entre o Nepal e a China.

O geólogo da autoridade Prakash Pokharel, que analisou imagens de satélite da Planet Labs, afirmou que as cheias repentinas foram causadas por uma avalanche de gelo e rocha do lado nepalês, ainda que relatórios iniciais tenham também apontado um sismo na zona como possível gatilho, sem que essa hipótese esteja confirmada.

O International Centre for Integrated Mountain Development (ICIMOD) alerta que cheias, deslizamentos de terra, avalanches e secas têm vindo a aumentar em frequência e intensidade em toda a região do Hindu Kush-Himalaia, com as alterações aceleradas na água, na terra e no ar a representarem uma ameaça séria para as populações.

Segundo a organização, a onda de cheia arrastou um volume considerável de água, sedimentos e pedras pelos sistemas fluviais do Bhote Koshi e do Trishuli, com o nível da água na zona de Galchhi, a jusante, a subir cerca de nove metros em apenas 30 minutos.

O distrito montanhoso de Rasuwa, com cerca de 50 mil habitantes e onde se situam vários projetos hidroelétricos, foi uma das zonas mais atingidas.

Autoridades nepalesas mantêm em aberto a análise sobre o papel exato das alterações climáticas no fenómeno, remetendo uma conclusão definitiva para os próximos tempos.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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