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Oficina “ISIN MAKEES”, com Zia Soares e Xullaji, decorre na Fundação Oriente em setembro

todayAgosto 26, 2026 28

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Díli, 26 de agosto de 2026 (RAFA) – Uma oficina gratuita orientada pela encenadora Zia Soares e pelo músico Xullaji, dirigida a artistas das artes performativas, visuais, audiovisuais e musicais timorenses, decorre em setembro na Fundação Oriente, em Díli.

A oficina, que decorre entre 03 e 08 de setembro, integra-se na residência artística de “ISIN MAKEES” em Timor-Leste e culminará numa performance pública construída a partir do encontro com os participantes timorenses.

O projeto nasce de uma investigação sobre a Guerra de Laleia (1878-1881), conflito em que guerreiros ao serviço do governo colonial português, liderado por Hugo de Lacerda, decapitaram timorenses tidos como rebeldes.

Reflete ainda sobre os crânios timorenses removidos do território no final do século XIX, atualmente guardados em Portugal – designadamente uma coleção de 35 crânios humanos que desde 1882 se encontra no Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra.

A criação reflete sobre o desterramento forçado, os insepultos e a performance enquanto espaço entre mortos e vivos, entre memória, pertença e apagamento.

Zia Soares é uma encenadora e atriz nascida em Angola, filha de pai timorense e mãe angolana, e diretora artística do Teatro GRIOT, em Lisboa, a primeira companhia teatral portuguesa a ter uma mulher negra como diretora artística.

O tema dos crânios timorenses já tinha sido abordado pela encenadora na performance “Fanun Ruin” (“Chamar Ossos”, em tétum), estreada em 2022 e distinguida com o Prémio Internacional Teresa Pomodoro (Itália) para Melhor Performance de 2021/2022.

História que Soares entrelaçava com a memória do próprio pai, preso e desterrado para Angola em 1959 por opor-se ao regime colonial português.

Xullaji, que assina a música de “ISIN MAKEES”, colaborou também com Soares em “Fanun Ruin” e noutras criações do Teatro GRIOT.

A oficina propõe trabalhar corpo, voz, som, palavra, canto, movimento, língua e oralidade como matérias de criação e formas de conhecimento e transmissão, cruzando as propostas dos dois artistas com as referências, memórias e práticas dos participantes timorenses, num processo de criação coletiva.

O espetáculo “Isin Makees” (“arrepios”, em tétum), já esteve em cena no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, entre 11 e 20 de fevereiro.

Cruzando teatro, música, cinema expandido, dança e artes visuais, “Isin Makees” repete em cena o gesto da decapitação “até à exaustão”, dissecando-o até se tornar disfuncional, enquanto a construção de uma Uma Lulik (casa sagrada timorense) instaura um espaço de mediação entre vivos e antepassados.

A obra é descrita como “um arquivo volátil, a que se acede no corpo, no pesadelo e no sonho”, e incluiu uma conversa com os artistas no dia 14 de fevereiro.

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Escrito por RafaFM

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