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James Robinson: Timor-Leste quebrou “instituições extrativistas” e tem base para prosperidade

todayAgosto 25, 2026 52 5

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Díli, 25 de agosto de 2026 – Timor-Leste conseguiu fazer uma transição rara do colonialismo para uma sociedade mais inclusiva e por isso tem a base para alcançar a prosperidade, segundo o economista James Robinson, coautor do livro “Why Nations Fail”.

O especialista, que falava durante o lançamento da tradução da obra para tétum, na Galeria Memória Viva, Díli, destacou a inclusão social como fator diferencial do país.

Para Robinson, a história de Timor-Leste encaixa-se perfeitamente na tese central do livro. O país viveu “séculos de instituições extrativistas”: primeiro com a exploração portuguesa, marcada pelo trabalho forçado e pela extração de recursos como o sândalo, e depois com 25 anos de ocupação indonésia.

“A razão principal por que Timor-Leste é um país pobre hoje é essa história de instituições extrativistas. Mas o que é surpreendente é que vocês conseguiram gerir a transição do colonialismo para algo muito mais inclusivo”, disse.

O autor citou um dos capítulos do livro “O Círculo Vicioso”, onde Robinson e Acemoglu explicam a “Lei de Ferro da Oligarquia”: muitas sociedades pós-coloniais acabam por recriar as hierarquias e instituições extrativistas do período colonial.

“Se olharmos para África, muitos regimes pós-coloniais recriaram as hierarquias coloniais. Mas vocês não fizeram isso aqui. Criaram uma sociedade muito mais inclusiva”, afirmou o especialista.

Na sua análise, esse resultado pode estar ligado à luta de resistência contra a Indonésia.

“Não sei se tem a ver com a luta, com o incrível capital social e a solidariedade forjados contra a Indonésia. Mas o que me impressionou estando aqui é que vocês conseguiram fazer essa transição tão difícil”.

Robinson destacou que, apesar de ainda não ser um país rico, Timor-Leste já tem o elemento mais fundamental para o desenvolvimento: inclusão genuína e mobilidade social.

“É animador. Vocês têm a base para a prosperidade. Há muito trabalho a fazer, mas estão num lugar onde podem aprender com experiências”, afirmou.

O economista citou como exemplos Maurícias, Cabo Verde e Coreia do Sul – países pequenos e insulares que conseguiram transformar-se. “Como é que eles fizeram? Como construir sobre o que vocês têm? Para mim, vocês estão num lugar muito bom. É preciso acertar nas coisas básicas – e acho que vocês acertaram na mais fundamental”.

O lançamento da tradução para tétum de “Why Nations Fail” na Galeria Memória Viva reuniu estudantes, académicos e sociedade civil e outras entidades.

O evento fez parte da Cimeira da ciência para o desenvolvimento que termina hoje em Díli.

A RAFA é parceira de media para a cimeira.

Jornalista: Mateus Romário

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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