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Segurança e confiança digital desafiam Timor-Leste na era dos serviços online

todayAgosto 25, 2026 65 5

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Díli, 25 de agosto de 2026 (RAFA) – A segurança, a confiança e a proteção dos cidadãos no meio digital marcou um dos painéis do segundo dia da Cimeira Ciência para o Desenvolvimento 2026, num debate que alertou para os desafios que Timor-Leste vai enfrentar com expansão do uso da internet e dos serviços públicos digitais.

O debate, com o tema segurança e confiança no mundo digital, foi moderado por Abel da Silva e contou com a participação de dois dos mais conceituados especialistas mundiais em informática: Whitfield Diffie, pioneiro da criptografia de chave pública, e Gilles Brassard, uma das figuras fundadoras da criptografia quântica e da computação quântica.

Diffie, informático norte-americano e vencedor do Prémio Turing 2015, partilhado com Martin Hellman pelo seu trabalho pioneiro na criptografia de chave pública, salientou que a expansão dos serviços digitais exige, principalmente, mecanismos capazes de estabelecer confiança entre os cidadãos, as instituições e os sistemas tecnológicos.

Segundo Diffie, à medida que Timor-Leste procura alargar a utilização da internet aos serviços oficiais, incluindo os diferentes mecanismos de atendimento ao cliente e os serviços públicos online, será necessário garantir que os cidadãos podem confiar nas máquinas e nos sistemas que utilizam.

“O governo muda, mas o Estado permanece”, afirmou.

Esta afirmação foi feita no contexto da necessidade de criar mecanismos de confiança que não dependam exclusivamente da continuidade de governos ou líderes políticos específicos.

Para Diffie, a tecnologia pode facilitar o acesso aos serviços públicos e criar oportunidades, incluindo na procura de emprego e na obtenção de documentos e outros serviços administrativos, mas esta transformação precisa de ser acompanhada por estruturas de segurança adequadas.

O especialista reconheceu, no entanto, preocupações relacionadas com a certificação e a confiança nos sistemas digitais, especialmente num país que está a expandir progressivamente a sua infraestrutura digital.

Para Diffie, o enquadramento legal e a educação são dois elementos fundamentais para garantir que a população compreende e confia nos mecanismos digitais.

A segurança tecnológica, na sua visão, não pode depender exclusivamente de ferramentas informáticas: necessita também de regras claras e de cidadãos preparados para as utilizar.

A questão da confiança foi explorada em profundidade por Gilles Brassard, cientista informático canadiano e professor na Universidade de Montreal, reconhecido pelo seu papel pioneiro no desenvolvimento da criptografia quântica e da computação quântica. Brassard recebeu também o Prémio Turing, um dos mais importantes reconhecimentos globais na área da ciência da computação.

Brassard chamou a atenção para a diferença entre o que as pessoas veem no mundo digital e o que realmente acontece. Num ambiente virtual, explicou, as aparências podem não corresponder necessariamente à realidade, fazendo da confiança um dos principais desafios da transformação digital.

“Não existe nenhum sistema 100% seguro”, declarou.

Com base nesta realidade, Brassard destacou a importância das chamadas autoridades de certificação, responsáveis ​​por estabelecer mecanismos que permitam a verificação da identidade e autenticidade das transações e comunicações digitais.

O especialista explicou que os sistemas de segurança digital utilizam mecanismos criptográficos baseados em chaves, incluindo uma chave secreta que deve ser protegida, e mecanismos de assinatura digital concebidos para garantir a autenticidade da informação.

Para Timor-Leste, a questão assume uma dimensão adicional, uma vez que o país procura reforçar a sua soberania digital.

Brassard observou que, se um país pretende alcançar uma maior soberania nesta área, não pode depender indefinidamente de autoridades de certificação estrangeiras e deve desenvolver as suas próprias capacidades.

As intervenções dos dois especialistas convergiram para um ponto essencial: a segurança digital não depende exclusivamente da tecnologia.

Enquanto Brassard chamou a atenção para as limitações dos sistemas de segurança e para a importância da criptografia e das autoridades de certificação, Diffie destacou a necessidade de combinar a tecnologia com a legislação e a educação.

A discussão mostrou que a expansão dos serviços públicos digitais em Timor-Leste, desde documentos e serviços administrativos a mecanismos relacionados com o emprego e outros serviços, exigirá uma infraestrutura fiável, capaz de proteger os cidadãos contra fraudes, falsificações e utilização indevida dos seus dados.

Neste contexto, a educação digital deve começar cedo. Diffie defendeu a formação das novas gerações para que compreendam os mecanismos e os riscos associados ao mundo digital, permitindo que a tecnologia seja utilizada de forma segura e responsável.

O painel revelou, assim, que a transformação digital de Timor-Leste não se resume a ligar mais pessoas à internet.

À medida que mais serviços estatais migram para as plataformas digitais, o país terá também de construir confiança, desenvolver competências nacionais, criar um quadro jurídico adequado e garantir mecanismos tecnológicos capazes de proteger os cidadãos e as instituições.

A principal mensagem transmitida pelos dois especialistas é que não basta tornar os serviços digitais possíveis; é necessário que as pessoas confiem neles.

Para Timor-Leste, este desafio tornar-se-á cada vez mais importante à medida que a digitalização se integrar no quotidiano do Estado e da sociedade.

Jornalista: Miguel Caldas

 

Escrito por RafaFM

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