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Díli tem melhores indicadores de género do país, mas mantém maior fosso laboral entre casados

todayAgosto 19, 2026 28

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Díli, 19 de agosto de 2026 (RAFA.TL) – Apesar de registar as taxas mais baixas de casamento infantil e analfabetismo do país, Díli mantém um dos maiores fossos de género no emprego, sobretudo entre pessoas casadas, revela o Perfil de Género dos Municípios de Timor-Leste, lançado esta segunda-feira na capital.

O documento foi apresentado pela secretária de Estado para a Igualdade, Elvina Sousa Carvalho, com a coordenadora residente da ONU, Funmi Balogun, o presidente do INETL, Elias dos Santos Ferreira, a chefe da missão da ONU Mulheres Timor-Leste, Amy Nishtha Satyam, e o director-geral da Descentralização e do Poder Local, António Augusto Guterres, entre outros responsáveis, incluindo o presidente da Autoridade Municipal de Díli, Francisco dos Santos.

Segundo o documento, apenas 39% das mulheres casadas em Díli estão empregadas, contra 71% dos homens casados – o maior fosso registado entre todos os municípios timorenses neste indicador.

O grupo etário dos 55 aos 59 anos apresenta ainda a maior diferença de participação laboral por género na capital, de 27 pontos percentuais, e a participação laboral feminina global situa-se em 30%, contra 46% entre os homens – um dos fossos mais largos do país, apesar de Díli ser o município mais urbanizado, com 82% da população a residir em áreas urbanas.

O relatório nota que, ao contrário da maioria dos municípios, as mulheres inativas em Díli citam a educação quase tantas vezes como as responsabilidades de cuidados de outros para justificar a sua ausência do mercado de trabalho.

Um padrão que reflete a maior proximidade a instituições de ensino na capital.

Ainda assim, 42% das mulheres inativas em idade ativa continuam a apontar cuidados familiares como motivo principal, mais do dobro da proporção entre homens.

A participação laboral é, aliás, ligeiramente inferior em zonas urbanas do que em zonas rurais da própria Díli (30% contra 32%), sugerindo que a concentração urbana não elimina, por si só, as barreiras à participação económica das mulheres.

Díli é também o município com a menor prevalência de trabalho vulnerável e agrícola do país, refletindo o seu perfil predominantemente urbano. Apenas 8% da população em idade ativa está envolvida em atividades agrícolas, subindo a 16% em zonas rurais da capital – a proporção mais baixa do país.

Ainda assim, as mulheres continuam mais expostas do que os homens a formas precárias de emprego, e as disparidades entre zonas rurais e urbanas do próprio município mantêm-se, com mais mulheres em zonas rurais de Díli a trabalharem como familiares não remuneradas ou por conta própria (31% contra 21% entre homens rurais).

Noutro âmbito, o relatório mostra que Lautém regista a participação laboral feminina mais baixa do país: apenas 18% das mulheres em idade ativa integram a força de trabalho, contra 27% dos homens – o fosso mais acentuado entre os municípios timorenses, com a maior diferença a verificar-se no grupo dos 30 aos 34 anos, de 16 pontos percentuais.

Quase metade das mulheres fora do mercado de trabalho em Lautém aponta as responsabilidades de cuidados como principal razão, uma tendência mais acentuada entre os 30 e os 39 anos, coincidindo com o pico de responsabilidades parentais.

Lautém destaca-se ainda por ser o único município onde uma parcela significativa da inatividade – tanto entre mulheres (23%) como entre homens (27%) – é atribuída à perceção de falta de trabalho disponível, um fator menos citado noutros municípios.

Lautém apresenta ainda outros indicadores preocupantes: regista a maior proporção de mulheres fora da força de trabalho de todos os municípios (82%) e, entre a população casada, apenas 22% das mulheres estão empregadas, contra 39% dos homens. Apesar disso, o município regista uma das taxas mais baixas de emprego vulnerável entre mulheres do país, e a participação em produção de subsistência aumenta significativamente com a idade, atingindo 84% entre as mulheres idosas.

O lançamento do relatório coincide com a discussão das Prioridades das Políticas Governamentais (PPG), que decorre entre 17 e 27 de agosto, uma janela que, segundo os organizadores, oferece a oportunidade de utilizar estes dados como evidência para fundamentar decisões que promovam a igualdade de género em todo o país.

O diretor-geral da Descentralização e do Poder Local solicitou ainda que estas publicações sejam integradas no Perfil Municipal, juntamente com outros resultados do censo, para garantir acesso alargado à informação.

O relatório recomenda, para ambos os municípios, o reforço de políticas de ativação laboral e de acesso a trabalho digno para as mulheres, associadas à expansão de sistemas de proteção social para mulheres idosas, viúvas e com deficiência – em Díli, com particular ênfase em serviços de cuidados acessíveis e disposições laborais amigas da família; em Lautém, com foco na transição de formas de emprego vulnerável para trabalho mais seguro e na simplificação do acesso a apoios sociais em comunidades rurais.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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