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Díli, 19 de agosto de 2026 (RAFA) – Timor-Leste importou 95,9 milhões de dólares em bens durante julho, um valor quase 28 vezes superior ao das exportações, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INETL).
De acordo com o relatório mensal de estatísticas do comércio externo, as importações totais atingiram 95,9 milhões de dólares em julho, dos quais 91 milhões de dólares (94,9% do total) correspondem a importações de mercadorias e 4,9 milhões de dólares (5,1%) a importações não comerciais, categoria que inclui bens destinados a embaixadas, missões estrangeiras e forças internacionais.
O volume total importado ultrapassou as 110 mil toneladas.
Já as exportações totalizaram apenas 3,5 milhões de dólares no mesmo período, para um volume de 2.645 toneladas – dos quais 3,4 milhões de dólares (96,7%) em exportações não petrolíferas e 100 mil dólares (3,3%) em reexportações, bens anteriormente importados para o país e reexportados sem incorporação de conteúdo timorense significativo.
Não houve exportações de petróleo registadas em julho, pelo que a totalidade das vendas ao exterior teve origem em produtos não petrolíferos, sobretudo agrícolas.
As exportações representaram apenas 3,6% do valor das importações no mês.
O café continua a ser o principal produto de exportação genuinamente timorense, com vendas ao exterior no valor de 1,7 milhões de dólares em julho – cerca de metade (49,8%) do total exportado pelo país -, para um volume de 713 toneladas.
Os Estados Unidos foram o principal destino, com 800 mil dólares (44,7% do total do café), seguidos da Indonésia, com 400 mil dólares (24,7%) para 533 toneladas, da Austrália, com 400 mil dólares (22,4%), e de Taiwan, com 100 mil dólares (8,2%).
Olhando para o total das exportações por país de destino, a China liderou com 1,3 milhões de dólares, cerca de 39,4% do total, à frente dos Estados Unidos, com 800 mil dólares (23%), e da Indonésia, com 700 mil dólares (21,5%) para 1.881 toneladas – o maior volume de qualquer destino, sugerindo produtos de baixo valor unitário.
Do lado das importações, a Indonésia manteve-se de longe a principal fornecedora de Timor-Leste, com 32,7 milhões de dólares – 36% do total de mercadorias importadas – para 56.753 toneladas, seguida da China, com 17,7 milhões de dólares (19,4%) para 15.229 toneladas.
Completam o grupo dos dez maiores fornecedores a Índia, com 7,3 milhões de dólares (8%), Singapura, com 6,9 milhões de dólares (7,6%), Taiwan, com 5,5 milhões de dólares (6,1%), Malásia, com 3 milhões de dólares (3,3%), Austrália, com 2,4 milhões de dólares (2,7%), Bélgica, com 2,1 milhões de dólares (2,3%), Brasil, com 2,1 milhões de dólares (2,3%), e Japão, com 1,6 milhões de dólares (1,7%). Portugal surge em 15.º lugar, com 1,1 milhões de dólares (1,2% do total).
Por categoria de produto (classificação HS2), os combustíveis e óleos minerais foram o principal item importado, com 14 milhões de dólares – 15,4% do total de mercadorias – para 11.924 toneladas, seguidos dos veículos automóveis, tratores e respetivas peças, com 13 milhões de dólares (14,3%).
Seguem-se cereais, com 6,7 milhões de dólares (7,4%) para 17.747 toneladas, o maior volume de qualquer categoria de produto.
Seguem-se a maquinaria elétrica e eletrónica, com 6,5 milhões de dólares (7,2%), e a maquinaria e aparelhos mecânicos, com 6 milhões de dólares (6,6%).
Entre os bens de consumo direto destacam-se ainda as bebidas, com 3,5 milhões de dólares (3,9%), as preparações de cereais e farinhas, com 2,7 milhões de dólares (2,9%), a carne e miudezas comestíveis, com 2,5 milhões de dólares (2,8%), os artigos de ferro e aço, com 2,5 milhões de dólares (2,8%), e o tabaco, com 2,6 milhões de dólares (2,8%) para apenas 92 toneladas, revelando um valor unitário muito elevado face ao volume.
Segundo a classificação por categoria económica, o consumo final absorveu a maior fatia das importações, com 54,3 milhões de dólares – 59,7% do total -, seguido do consumo intermédio, com 22,7 milhões de dólares (25%) para 59.497 toneladas, o maior volume de qualquer categoria, compatível com matérias-primas e bens intermédios de baixo valor unitário, e da formação bruta de capital fixo, com 13,5 milhões de dólares (14,8%), associada a bens de investimento como maquinaria e veículos.
O INETL sublinha que os registos de comércio externo não são diretamente comparáveis com os dados das contas nacionais, dada a diferente metodologia de agregação e classificação utilizada.
FIM
Escrito por RafaFM
Défice comercial de Timor-Leste ultrapassa 92 milhões de dólares em julho
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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