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Díli, 11 de agosto de 2026 (RAFA) – Timor-Leste tem uma das populações mais jovens da Ásia, com 510.657 pessoas entre os 15 e os 35 anos, o que equivale a 38,1% da população total do país, segundo os dados dos Censos Demográficos de 2022 apresentados esta terça-feira durante o lançamento do Perfil Nacional e Municipal da Juventude.
Dos 1.340.925 habitantes registados nos Censos 2022, 21,6% têm entre 15 e 24 anos, enquanto a população entre os 15 e os 35 anos representa 38,1%. Entre os jovens dos 15 aos 35 anos, 257.665 são homens e 252.992 são mulheres.
Os dados mostram ainda que uma parcela significativa da juventude timorense permanece fora do sistema educativo. Entre os jovens dos 15 aos 24 anos, 37,1% dos homens e 34,6% das mulheres não estão atualmente a estudar.
A participação dos jovens no mercado de trabalho também continua limitada. Entre a população dos 15 aos 35 anos, a taxa de participação na força de trabalho é de 32,9% para os homens e de 24% para as mulheres, correspondendo a uma taxa de participação global de 28,5%.
A desigualdade de género é também evidente nos dados relacionados com o casamento precoce. Entre os jovens que se casaram antes dos 18 anos, a percentagem é de 0,7% para os homens e de 4,6% para as mulheres. Os jovens com deficiência representam 0,5% da população jovem.
Os dados foram apresentados durante a cerimónia de lançamento do Perfil Nacional e Municipal da Juventude, realizada no Ministério da Juventude, Desporto, Artes e Cultura (MJDAC) em Díli.
O perfil foi desenvolvido com base nos dados do Censos Populacionais de 2022, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística de Timor-Leste (INETL), em colaboração com o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e outras instituições parceiras.
O Diretor do INETL, Silvino Lopes, afirmou que os dados sobre a juventude são fundamentais para que as instituições definam melhor as políticas e os programas direcionados para este público.
“Hoje é um momento oportuno para falarmos sobre os dados da juventude. Precisamos destes dados para saber o que devemos fazer pelos jovens no futuro. Os dados não são apenas estatísticas; devem ser utilizados pelas instituições para o desenvolvimento, especialmente para a juventude e a economia.”
Silvino Lopes defendeu que o investimento na juventude deve ser baseado em evidências e destacou a importância da utilização de dados para orientar as políticas públicas.
“Timor-Leste tem uma população jovem abundante. Se investirmos mais em áreas importantes como a educação e a saúde, podemos alcançar o que o país deseja. Os jovens não devem ser vistos apenas como beneficiários, mas como promotores do desenvolvimento.”
Segundo o Diretor do INETL, a instituição pretende continuar a trabalhar com diferentes parceiros, incluindo o UNFPA e a UNICEF, para melhorar a recolha, a análise e a divulgação de dados. O instituto planeia também partilhar esta informação com os municípios para facilitar a utilização dos dados pelas instituições locais.
A representante do UNFPA em Timor-Leste, Navchaa Suren, considerou que a elevada proporção de jovens representa tanto uma mais-valia como uma responsabilidade para Timor-Leste.
“Timor-Leste é um país com uma população muito jovem. Isto representa uma mais-valia, mas também uma responsabilidade de investir nas capacidades dos jovens e moldar o país do futuro.”
Navchaa Suren sublinhou que os perfis dos jovens devem servir de instrumentos para orientar as decisões públicas, definir prioridades e direcionar recursos para as áreas que mais necessitam de intervenção.
“Os dados, por si só, não criam mudanças. Os perfis devem ser utilizados como evidência e como ferramenta para o planeamento, a alocação orçamental e outras áreas importantes.”
A representante da UNFPA destacou ainda a importância da colaboração entre instituições para garantir que os dados são transformados em políticas e investimentos mais adequados às necessidades dos jovens.
Por sua vez, O Ministro da Juventude, Desporto Arte e Cultura, Nélio Isaac, afirmou que os dados apresentados devem ajudar o Governo e as instituições a compreender que os jovens não constituem um grupo homogéneo e que as políticas devem ter em conta as diferentes realidades existentes no país.
“Ao criarmos programas, não podemos esquecer que uma parte da juventude não é igual a outra. Precisamos de observar as diferentes realidades e necessidades.”
Nélio Isaac afirmou que o desenvolvimento da juventude não é da exclusiva responsabilidade do Governo, mas exige a participação dos diferentes setores da sociedade, incluindo os parceiros de desenvolvimento, as instituições públicas, o sector privado e as comunidades.
O Ministro considerou ainda que o lançamento do perfil constitui uma oportunidade para refletir sobre a realidade enfrentada pelos jovens, os progressos alcançados e os desafios que ainda persistem.
Segundo Nélio Isaac, o Governo continuará a considerar a juventude como uma área estratégica para o desenvolvimento nacional, dando prioridade à igualdade de género, à inclusão social e à acessibilidade.
“Quando uma jovem não tem oportunidades, não só perde a hipótese de realizar o seu potencial, como a nação e todos nós perdemos uma pessoa que poderia acelerar o desenvolvimento sustentável.”
O Ministro acrescentou que as respostas aos desafios enfrentados pela juventude devem ser integradas e envolver todas as instituições, defendendo que as políticas públicas devem ser baseadas em dados e evidências.
“As políticas não devem basear-se apenas em percepções. Devem basear-se em dados e evidências, porque os dados ajudam a identificar prioridades. A nossa maior riqueza é o nosso povo”.
A nível Municipal, Díli tem a maior concentração de jovens. Dos 324.738 habitantes do município, os jovens entre os 15 e os 24 anos representam 25,4%, enquanto a população entre os 15 e os 35 anos representa 46%. Díli concentra 29,3% da população jovem de Timor-Leste.
Baucau é o segundo município com maior população jovem, representando 9,2% da população jovem nacional, seguido de Ermera, com 10,2%, embora os dados percentuais apresentados para cada município se refiram à sua respetiva população municipal.
Entre os municípios com menor proporção de jovens no total nacional estão Manatuto, com 3,5%, Aileu, com 4,1%, e Manufahi, com 4,4%. Ataúro tem a menor população jovem em termos absolutos.
Os dados dos municípios mostram diferenças significativas na distribuição da juventude pelo território nacional, informação que o INETL e os seus parceiros consideram importante para orientar políticas e programas adaptados às necessidades específicas de cada município.
O Perfil Nacional e Municipal da Juventude visa, assim, fornece uma base de evidências para apoiar o planeamento, a priorização e a implementação de políticas públicas dirigidas à juventude, num país onde mais de um terço da população tem entre 15 e 35 anos.
Jornalista: Miguel Caldas
Escrito por RafaFM
Timor-Leste tem mais de 510 mil jovens e enfrenta desafios no acesso à educação e ao emprego
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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