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Solar foi pela primeira vez, em julho, a principal fonte de eletricidade em Portugal

todayAgosto 6, 2026 23

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Lisboa, 6 de agosto de 2026 (RAFA) – A energia solar tornou-se, pela primeira vez, em julho, a principal fonte de geração de eletricidade em Portugal, com as energias renováveis a cobrirem 53 por cento do consumo nacional, segundo dados da REN.

A produção fotovoltaica liderou a tabela com 19 por cento do total, à frente da hídrica (16 por cento), eólica (13 por cento) e biomassa (5 por cento), de acordo com informação divulgada pela Redes Energéticas Nacionais (REN), a operadora da rede elétrica portuguesa.

Trata-se de um marco inédito no sistema elétrico nacional: é a primeira vez que a fotovoltaica assume isoladamente o primeiro lugar entre as fontes de produção num mês completo, ultrapassando a hídrica, que tradicionalmente lidera em anos de maior pluviosidade, e a eólica, historicamente a segunda maior fonte renovável do país.

A operadora indica que o pico de produção solar foi atingido a 29 de junho, às 13h30, com um valor recorde de cerca de 3.800 megawatts, um número que ilustra o ritmo de expansão da capacidade fotovoltaica instalada em Portugal nos últimos anos, impulsionada por parques solares de grande escala e pela produção descentralizada em autoconsumo.

Nos primeiros sete meses do ano, as fontes limpas garantiram 68 por cento do consumo elétrico nacional.

Ainda assim, olhando para este período mais longo, o cenário inverte-se: a hídrica lidera com 27 por cento, seguida da eólica com 24 por cento, enquanto a fotovoltaica surge em terceiro lugar, com 12 por cento. A biomassa manteve-se estável, nos 5 por cento, tanto no mês como no acumulado anual.

A diferença entre os dois períodos explica-se pela sazonalidade: os meses de inverno e início da primavera de 2026 registaram maior pluviosidade, o que impulsionou a produção hídrica, ao passo que julho, com mais horas de sol e menor precipitação, favoreceu claramente a fotovoltaica.

Apesar do recorde histórico da energia solar em julho, a REN nota que tanto a produção solar (índice de produtividade de 0,89) como a eólica (0,71) ficaram abaixo da respetiva média histórica no mês, ao contrário da hídrica, que registou um índice de 1,26, acima da média.

A geração não renovável assegurou 13 por cento do sistema elétrico português em julho, com os restantes 34 por cento importados de Espanha através da interligação ibérica, uma dependência que continua a ser um dos pontos sensíveis da política energética nacional.

O consumo de eletricidade subiu 3 por cento em julho e 3,5 por cento no acumulado dos primeiros sete meses de 2026, face a igual período do ano anterior, um aumento que a REN associa ao crescimento económico e às temperaturas elevadas registadas no verão, que impulsionam o uso de sistemas de climatização.

Já o consumo de gás natural cresceu 4,1 por cento entre janeiro e julho.

A Nigéria e os Estados Unidos mantêm-se como os principais mercados de origem do gás consumido em Portugal, representando 53 por cento e 33 por cento do total, respetivamente, um dado que reflete a diversificação de fornecedores promovida pela União Europeia desde a redução das importações de gás russo.

Os dados da REN chegam poucas semanas depois de um relatório da própria empresa ter colocado Portugal entre os países da União Europeia com maior peso das renováveis no consumo elétrico, atrás da Dinamarca e da Lituânia, num contexto em que Bruxelas tem pressionado os Estados-membros a acelerar a transição energética rumo às metas climáticas de 2030.

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Escrito por RafaFM

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