Destaque

Terceiro país mais pequeno do mundo, Nauru, muda de nome para República de Naoero, alinhando-se com a língua nacional

todayAgosto 5, 2026 2

Fundo
share close

Naoero, 5 de agosto de 2026 (RAFA.TL) – O terceiro país mais pequeno do mundo, Nauru, mudou oficialmente de nome para República de Naoero, fazendo corresponder a grafia e a pronúncia à língua nacional, anunciou o Presidente do país.

O código internacional do país vai mudar de NRU para NRO, e os seus habitantes passarão a ser designados dei-Naoero, em vez de nauruanos.

O nome, habitualmente pronunciado no estrangeiro como “Now-roo”, passa a pronunciar-se “Now-ero”.

A mudança devolve à remota nação insular do Pacífico Sul o seu nome tradicional, segundo um comunicado publicado na página oficial do Governo no Facebook, que explica que o país só passou a ser internacionalmente conhecido como Nauru porque o nome local era difícil de pronunciar para estrangeiros, uma questão de conveniência e não de escolha.

“Esta mudança proposta procura honrar de forma mais fiel a herança, a língua e a identidade da nossa nação”, afirmou o Presidente David Adeang, quando propôs a alteração ao Parlamento em janeiro.

A emenda constitucional foi aprovada pelos deputados nas duas votações exigidas, ainda que não seja imediatamente claro se o documento foi já formalmente alterado.

Com 12 mil habitantes, Nauru é o terceiro país mais pequeno do mundo por população, depois de Tuvalu e da Cidade do Vaticano.

O pequeno atol de calcário coralino, com apenas 21 quilómetros quadrados, foi colonizado pela Alemanha e mais tarde administrado pela Austrália, antes de se tornar república independente em 1968.

O país atravessou circunstâncias tumultuosas: a exploração de fosfato gerou enorme riqueza na ilha nos anos 1970, deixando grande parte do interior inabitável, antes de a indústria colapsar e levar Nauru à beira da ruína económica nos anos 1990.

Atualmente, a esmagadora maioria da população e das infraestruturas concentra-se em áreas costeiras de baixa altitude.

O nível do mar em torno de Nauru tem subido mais depressa do que a média global nas últimas

décadas, contribuindo para o aumento da intensidade e duração das marés vivas (“king tides”). Para enfrentar esta ameaça, o Governo lançou em 2024, na cimeira do clima COP29, em Baku, o Programa de Cidadania para a Resiliência Económica e Climática, um esquema de “passaporte dourado” que permite obter a nacionalidade nauruana mediante uma contribuição financeira – atualmente fixada em cerca de 90 mil dólares por requerente único, após um desconto temporário face aos 115 mil dólares habituais.

Segundo o Governo, as receitas do programa destinam-se a financiar a chamada Iniciativa Higher Ground (“Terreno Mais Alto”), um projeto plurianual que visa deslocar cerca de 90% das famílias e infraestruturas do país para zonas interiores mais elevadas, longe do avanço do oceano.

A primeira fase do projeto de relocalização está estimada em mais de 60 milhões de dólares. O esquema de cidadania por investimento tem, no entanto, suscitado escrutínio quanto à possibilidade de proteção adequada da cidadania quando esta é concedida em troca de dinheiro.

Quando o Parlamento aprovou pela primeira vez a mudança de nome, em maio, o Presidente tinha anunciado um referendo para a confirmar. Segundo comunicado do Governo, contudo, após “extensas discussões”, os deputados decidiram que uma consulta popular não era necessária. “Embora um referendo se destine a determinar a vontade do povo, o nome Naoero nunca se perdeu, mas esteve à espera de ser plenamente assumido”, lê-se no comunicado, que sublinha que a designação “já é a identidade do povo, consta do brasão nacional e é falada na comunidade, sendo, além disso, permitida pela Constituição”. Segundo Adeang, a mudança de nome assinala “o início de um renovado orgulho nacional”.

A decisão coloca Nauru entre um conjunto de países que têm sinalizado um afastamento do seu passado colonial através da mudança de nome.

O pequeno reino africano de Essuatíni recuperou o seu nome histórico, deixando de se chamar Suazilândia, em 2018.

Outros países procuraram a mudança como forma de reposicionamento internacional, como fez a Turquia, quando Ancara pediu às Nações Unidas, em 2022, para passar a designar o país como Türkiye, nome pelo qual já era conhecido internamente.

A decisão de Nauru vai obrigar à mudança de nome das suas aeronaves e navios nacionais, e o Governo já procurava obter o reconhecimento da alteração por parte de outros países e instituições internacionais.

Segundo a AP, o site das Nações Unidas já regista o país com o novo nome, indicando que o Governo tinha pedido a alteração em junho, e os ministérios dos Negócios Estrangeiros da Austrália e da Nova Zelândia, bem como as embaixadas dos Estados Unidos e da China na região, já designam o país como Naoero nos respetivos sítios oficiais.

FIM

 

Escrito por RafaFM

Avaliação

Quem Somos

Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

Contactos
error: Content is protected !!