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Incêndio no sudoeste de França já tem quatro vezes o tamanho de Paris e calor extremo ameaça nova vaga

todayJulho 30, 2026 14

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Lège-Cap-Ferret, 30 de julho de 2026 (RAFA.TL) – Os bombeiros continuaram esta quarta-feira a combater um incêndio no sudoeste de França com uma área quatro vezes superior à cidade de Paris, com as temperaturas na região a atingir os 40 graus Celsius.

As autoridades de Gironde afirmaram que o fogo não se tinha propagado durante a noite, mas alertaram que a subida das temperaturas e os ventos da tarde podiam reativar focos ainda quentes, transportar brasas para além das faixas corta-fogo e abrir novas frentes fora do alcance das equipas.

No centro de comando instalado em Lège, os bombeiros seguiam três zonas de risco: o norte de Cap-Ferret, o corredor florestal entre Marcheprime, Cestas e Saint-Jean-d’Illac, e uma instalação militar perto de Martignas, onde um foco importante obrigou a um grande reforço de meios.

Mais de 2.200 bombeiros e mais de 20 aeronaves permaneciam mobilizados, com o apoio de equipas de toda a França e de parceiros europeus.

O comandante dos bombeiros de Gironde, Matthieu Jomain, disse que as equipas “atacam rapidamente e com força qualquer nova emissão de fumo”.

Além do centro de comando, a população local também se mobilizou.

Em Souge, voluntários inundaram as margens de caminhos de terra enquanto um operador de maquinaria pesada revolvia solo ainda em combustão, para evitar que as chamas voltassem a atravessar a zona quando soprasse o vento de oeste previsto.

Em Lacanau, moradores bombearam água de um lago para cisternas destinadas aos bombeiros.

Flavien Dubuch, de 33 anos, que se deslocou desde Saint-Émilion com o pai para ajudar, disse acreditar que a mesma solidariedade seria retribuída se o incêndio começasse na sua zona.

O avanço dos incêndios nas regiões de Landes e Var foi travado, o que torna Gironde a maior frente de combate a incêndios ainda ativa em França, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez. O fogo em Gironde obrigou, no pico da crise, à fuga de 220 mil pessoas; dezenas de milhares já puderam regressar a casa, mas as autoridades avisaram que o perigo não passou.

Segundo a Météo-France, esta quarta-feira seria o dia mais quente e seco da semana, com risco elevado de incêndio em todas as regiões do país. A seca abrange atualmente a França continental e a Córsega, com os solos a aproximarem-se dos níveis recorde de secura registados em agosto de 2022.

O fumo dos incêndios de Gironde e Landes fez também subir os níveis de partículas poluentes nos dois departamentos, segundo estações regionais de qualidade do ar.

As autoridades de Gironde ordenaram na terça-feira a saída de mais quatro mil pessoas de zonas turísticas do litoral atlântico, naquela que poderá ser a maior evacuação de sempre em França em tempo de paz. A prefeita de Gironde, Sophie Brocas, que também autorizou o regresso de 60 mil evacuados a três subúrbios de Bordéus não afetados pelo fogo, reconheceu que a situação continua complicada.

O incêndio em Gironde chegou a gerar uma nuvem de tempestade negra, eletrificada e iluminada por dentro, capaz de produzir relâmpagos, ventos violentos e novos focos para além da frente original – o primeiro pirocumulonimbo registado em França.

Em Espanha, dezenas de milhares de pessoas começaram a regressar a casa na região central do país, depois de progressos no combate aos incêndios junto a Madrid e Ávila. Foram levantadas as ordens de evacuação para cerca de 20 mil pessoas na região de Madrid, e terminaram as restrições de permanência em casa para outras 14 mil. Ainda assim, dez mil pessoas continuam sob ordem de evacuação em Castellón, onde um incêndio permanecia fora de controlo, numa altura em que Espanha enfrenta a quarta vaga de calor do verão.

No pico da crise, cerca de 330 mil pessoas tinham sido obrigadas a deixar casas e locais de férias em França e Espanha. Segundo o Ministério do Interior francês, já arderam este ano mais de 1.160 quilómetros quadrados no país.

A Europa é o continente que mais rapidamente aquece no mundo, a um ritmo mais do que duas vezes superior à média global, segundo o serviço europeu Copernicus para as alterações climáticas. O organismo indicou ainda que a Europa Ocidental registou o junho mais quente de que há registo, com o calor extremo e a seca generalizada a contribuírem para a propagação e intensificação dos incêndios em França e Espanha.

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Escrito por RafaFM

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