Destaque

Maluk Timor oferece cuidados materno-infantis a 16 aldeias de Ermera, realiza 324 consultas pré-natais e presta assistência em 42 partos

todayJulho 22, 2026 18

Fundo
share close

Díli, 22 de julho de 2026 (RAFA.TL) – Dezasseis aldeias remotas de Ermera receberam serviços regulares de saúde materno-infantil através de clínicas móveis em 2025, num programa que ofereceu 324 consultas pré-natais, apoiou 42 partos em unidades de saúde com profissionais qualificados e distribuiu mais de 10.000 comprimidos de ferro e ácido fólico a mulheres das comunidades.

Os dados são do Maluk Timor 2025 Annual Impact Report, relativo ao Programa de Saúde Materno-Infantil, desenvolvido em colaboração com o Ministério da Saúde através do projeto Community Approaches to Maternal and Newborn Health Equity in Rural Timor-Leste (CAMNHE).

O programa abrangeu cinco sucos do Posto Administrativo de Railaco: Railaco Leten, Railaco Craik, Samalete, Taraco e Deleco, levando os serviços de saúde diretamente às comunidades através de visitas regulares de clínicas móveis.

A iniciativa procura reduzir as barreiras de acesso à saúde enfrentadas pelas famílias que vivem em zonas rurais, onde a distância, as más condições das estradas e as infraestruturas limitadas dificultam o acesso aos serviços de saúde.

Segundo o relatório, estas dificuldades podem levar a que as grávidas tenham acesso limitado ou nenhum acesso a cuidados pré-natais essenciais e, em alguns casos, sejam forçadas a dar à luz em casa sem a presença de profissionais de saúde qualificados.

A nutrição foi uma das áreas prioritárias do programa. As atividades de rastreio permitiram a identificação de casos de malnutrição moderada e grave em crianças com menos de cinco anos, possibilitando a intervenção precoce e o acompanhamento por parte das equipas de saúde.

As grávidas e lactantes foram também submetidas a rastreios de desnutrição e receberam aconselhamento nutricional e suplementos de ferro e ácido fólico para promover gravidezes saudáveis ​​e o desenvolvimento infantil.

Durante o ano de 2025, foram distribuídos mais de 10.000 comprimidos de ferro e ácido fólico às mulheres das comunidades abrangidas pelo programa.

O relatório indica ainda que centenas de crianças com menos de cinco anos, grávidas e lactantes receberam exames de deteção de desnutrição e acompanhamento.

A participação da comunidade também desempenhou um papel central no programa. Através de atividades de investigação participativa e de sessões de promoção da saúde, os membros da comunidade foram encorajados a participar na identificação de problemas de saúde e na promoção de práticas positivas nas suas aldeias.

No total, 1.038 pessoas participaram em atividades de promoção da saúde e envolvimento comunitário durante o período abrangido pelo relatório.

Voluntários da comunidade e promotores de saúde locais também ajudaram a transmitir mensagens sobre a saúde materno-infantil às comunidades.

De acordo com a Maluk Timor, o programa está a contribuir para que mais mães e crianças procurem os serviços de saúde mais cedo e com maior regularidade.

As crianças estão também a receber vacinas, acompanhamento do crescimento e exames de deteção de malnutrição com mais consistência, enquanto as famílias demonstram maior confiança na procura de cuidados de saúde.

O relatório destaca ainda a história de Verónica C. Soares, de 30 anos, mãe de um filho e residente no suco de Samalete, cujo percurso é apresentado como exemplo do papel das mulheres e das voluntárias da comunidade na promoção da saúde materno-infantil.

Verónica ingressou na Maluk Timor como voluntária em 2023.

Em 2025, integrou o Grupo de Apoio às Mães (GAM) e participou em formações em educação para a saúde, consultas de saúde e atividades de promoção da saúde, além de apoiar a vacinação infantil e grávidas e lactantes.

“Queria aprender e ajudar a comunidade”, disse Verónica.

A própria Verónica também beneficiou dos serviços da clínica móvel durante a gravidez.

“Também tive uma consulta pré-natal numa clínica móvel porque a minha casa fica longe do centro de saúde. Depois do parto, levei o meu bebé a uma consulta e ele recebeu as vacinas”, contou.

A experiência permitiu-lhe compreender em primeira mão as dificuldades enfrentadas pelas famílias que vivem em zonas remotas e, posteriormente, utilizar esse conhecimento no seu trabalho voluntário.

“Estou muito feliz por trabalhar com a Maluk Timor todos os meses para ajudar e apoiar as atividades da clínica móvel”, disse.

Segundo Verónica, através do trabalho, adquiriu conhecimentos sobre gravidez segura, alimentação infantil e sinais de alerta.

“Tenho agora informação de saúde que me permite ajudar a comunidade da minha aldeia, garantindo que as mães têm partos seguros nas unidades de saúde e que as crianças têm acesso às vacinas de que necessitam”, acrescentou.

A Maluk Timor sublinha que, em muitas zonas remotas de Timor-Leste, os voluntários e os promotores de saúde locais desempenham um papel fundamental na ligação das famílias ao sistema nacional de saúde.

O Programa de Saúde Materno-Infantil visa reduzir as barreiras de acesso à saúde, capacitar as mulheres, fortalecer os sistemas de saúde liderados pela comunidade e contribuir para um futuro mais seguro para as mães e os bebés.

A Maluk Timor é uma organização não governamental, sem fins lucrativos e não religiosa, criada por australianos e timorenses, que trabalha para promover e fortalecer os cuidados de saúde primários em Timor-Leste.

Desde 2010, a organização tem apoiado áreas como tuberculose, HIV, desnutrição e doença cardíaca reumática, colaborando com profissionais de saúde timorenses e as comunidades para contribuir para o fortalecimento do sistema de saúde do país

Jornalista: Miguel Caldas

 

Escrito por RafaFM

Avaliação

Quem Somos

Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

Contactos
error: Content is protected !!