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Presidente da Nicaragua, Daniel Ortega, diz que país deixará de realizar eleições

todayJulho 21, 2026 16

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Managua, 21 de julho de 2026 (RAFA.TL) – O Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou que o país centro-americano deixará de realizar eleições, eliminando a possibilidade de um desafio eleitoral quando o seu mandato terminar no próximo ano e reforçando ainda mais o poder que partilha com a esposa.

Ortega, de 80 anos, que se mantém continuamente no poder desde 2007 – após um mandato presidencial anterior entre 1979 e 1990 -, discursou no domingo perante milhares de apoiantes em Manágua, durante a cerimónia de comemoração do 47º aniversário da revolução sandinista.

“Não haverá mais eleições aqui para que tentem tomar o governo e tomar o poder”, afirmou, na sua primeira aparição pública em dois meses.

O líder nicaraguense não deu pormenores sobre a forma como o fim do voto será formalmente implementado.

A Nicarágua tinha eleições gerais agendadas para novembro do próximo ano, mas uma reforma constitucional aprovada há ano e meio já tinha alargado o mandato presidencial de cinco para seis anos.

Reformas constitucionais aprovadas no início de 2025 eliminaram a separação de poderes e elevaram a esposa de Ortega, Rosario Murillo, do cargo de vice-presidente para “co-presidente”, cargo com que apareceu ao lado do marido durante o discurso de domingo.

O casal controla atualmente, praticamente todas as alavancas do poder de Estado, incluindo as forças armadas e o poder judicial.

Ortega culpou a oposição, alegadamente financiada pelos Estados Unidos, de tentar recuperar o poder, e anunciou que o governo vai trabalhar com a Assembleia Nacional para criar leis destinadas a bloquear qualquer regresso dos partidos opositores.

A Nicarágua vive uma grave crise política desde abril de 2018, quando o governo respondeu a protestos antigovernamentais com uma repressão que deixou mais de 300 mortos e mais de 2.000 feridos.

Na eleição presidencial de 2021, o governo prendeu os principais candidatos da oposição e reivindicou 76% dos votos, num escrutínio que os Estados Unidos e outros governos se recusaram a reconhecer.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos concluiu que a Nicarágua “se tornou um Estado policial”, sem qualquer sistema de checks and balances, já que todas as instituições respondem às decisões do poder executivo.

Um conselho das Nações Unidas já acusou também o governo de abusos sistemáticos e de exercer um regime autoritário.

FIM

 

 

Escrito por RafaFM

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