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RENETIL aos 38 anos defende crítica construtiva para encontrar soluções e fortalecer o Estado democrático de Timor-Leste”

todayJulho 18, 2026 59 5

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Díli, 18 de julho de 2026 (RAFA.TL) – O presidente do Conselho Central da Resistência Nacional dos Estudantes de Timor-Leste (RENETIL), José Neves Samalarua, afirmou que o IX Congresso Nacional da organização deve ser um espaço de profunda reflexão, análise crítica e procura de soluções para os desafios que Timor-Leste enfrenta.

Samalarua defendeu ainda que a crítica deve servir para construir e fortalecer o Estado de Direito democrático, e não para diminuir ou atacar as pessoas.

A afirmação foi feita durante a abertura do IX Congresso Nacional da RENETIL, realizado na Universidade da Paz (UNPAZ) em Díli, subordinado ao tema “Refletir sobre o passado, afirmar o presente e projetar o futuro: A crítica no processo de construção do Estado e transformação da nação”.

Na sua intervenção, Samalarua destacou que a RENETIL está a completar 38 anos de existência, uma idade que representa maturidade e maior responsabilidade em relação à história, ao presente e ao futuro de Timor-Leste.

O Presidente do Conselho Central da RENETIL começou por afirmar que o encontro se realiza num momento simbólico para o país, que recentemente celebrou 24 anos desde a restauração da independência.

De acordo com José Neves, o número 24 tem um significado importante para a história nacional, pois representa tanto os 24 anos de resistência como os 24 anos de independência restaurada, períodos distintos, mas ligados pela mesma trajetória política e histórica de Timor-Leste.

“Cada período tem os seus factos e narrativas na trajetória política de Timor-Leste. Precisamos de analisar e debater estes momentos em profundidade, com pensamento crítico e a coragem de expressar as nossas críticas”, afirmou.

José Neves Samalarua defendeu que o congresso deve demonstrar competência através de intervenções e debates, não só durante os dias do encontro, mas também através de contributos permanentes para reforçar o Estado de direito democrático e promover o desenvolvimento integrado e sustentável.

Para o líder da RENETIL, a experiência passada moldou a capacidade do povo timorense de resistir e ultrapassar momentos difíceis.

“O nosso passado tornou-nos mais críticos. Foi por isso que resistimos e nos tornámos resilientes em momentos críticos. O resultado é que hoje estamos aqui, num país independente. Mas esta postura crítica deve continuar”, afirmou.

No entanto, alertou que as críticas existem muitas vezes sem um verdadeiro pensamento crítico, defendendo uma análise mais profunda dos problemas nacionais.

“Criticar não significa minimizar alguém. A crítica deve servir para analisar, descobrir e procurar soluções”, enfatizou.

José Neves reconheceu que Timor-Leste vive atualmente uma realidade diferente da vivida pela geração da resistência.

“Vivemos com uma geração que não vivenciou o que nós vivenciamos, mas devemos estar todos juntos para analisar uma política que ainda não respondeu plenamente aos reais benefícios e necessidades do povo”, afirmou.

Segundo o Presidente do CCR da RENETIL, o objetivo deve ser o de encontrar soluções integradas, envolvendo diferentes gerações e diferentes perspetivas.

No seu discurso, apresentou ainda uma reflexão sobre as mudanças sociais vividas pelos combatentes e cidadãos após a independência.

Algumas pessoas que antes se identificavam como trabalhadores começaram a reivindicar direitos conquistados durante este período; outras que eram vistas como empregadores mantêm-se nessa posição até aos dias de hoje. Algumas pessoas vivem atualmente em boas condições, enquanto outras tiveram as suas casas destruídas ou permanecem sem-abrigo.

Para José Neves, estas diferentes realidades demonstram a necessidade de uma reflexão nacional mais profunda sobre o caminho percorrido pelo país e sobre as desigualdades existentes.

O Presidente do Conselho Central da RENETIL alertou ainda para as situações em que algumas pessoas procuram benefícios pessoais ou para os seus grupos próximos, enquanto outras, ocupando posições de liderança, podem distanciar-se das necessidades da população.

Por isso, apelou a uma atitude coletiva baseada na humildade e no pensamento crítico.

“Todos nós, com o nosso pensamento crítico, devemos procurar e descobrir soluções, não para nos minimizarmos uns aos outros, mas para nos apoiarmos mutuamente”, afirmou.

José Neves reconheceu que há muitos aspetos positivos no percurso de Timor-Leste.

O Presidente do CCR da RENETIL apelou aos participantes do congresso para que conduzissem os debates com uma perspectiva estratégica, lembrando que a principal função do congresso é identificar problemas e encontrar soluções.

De acordo com José Neves, uma solução correta começa por uma compreensão profunda do próprio problema.

“O problema pode começar dentro de nós próprios, noutras pessoas ou no ambiente que nos rodeia. É por isso que precisamos de descobrir as razões destes problemas”, explicou.

Durante o seu discurso, destacou ainda a importância da humildade intelectual e do reconhecimento das próprias limitações.

“Sei que sei, mas também sei que não sei. Sei que ainda não sei e sei que tenho dúvidas. Quando não sei, alguém sabe; quando tenho dúvidas, alguém pode ter a certeza”, afirmou.

Para José Neves, este reconhecimento permite a construção de uma sociedade mais unida, porque o conhecimento e a procura da verdade devem aproximar as pessoas.

No final do seu discurso, José Neves Samalarua recordou a experiência de resistência, quando os timorenses estavam separados pelas montanhas, pela diáspora e por outros espaços de luta, mas mantiveram a unidade em prol do mesmo objetivo.

Segundo ele, recuperar o valor desta distância não significa distanciar as pessoas, mas sim lembrar que, mesmo fisicamente separados, os timorenses conseguiram manter-se unidos.

“O passado mostrou que estivemos juntos. Os companheiros nas montanhas, na diáspora e noutros lugares permaneceram unidos. Hoje estamos mais próximos, mas precisamos de reviver este valor da distância, porque a distância não significa separação”, disse.

O IX Congresso Nacional da RENETIL prossegue com sessões de reflexão sobre a consciência crítica, a construção do Estado e a transformação nacional, juntando antigos membros da resistência, actuais dirigentes políticos, deputados, académicos e representantes da sociedade timorense.

Jornalista: Miguel Caldas

 

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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