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Brasil considera “injustas” novas tarifas dos EUA e ameaça retaliação

todayJulho 17, 2026 14

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Rio de Janeiro, 17 de  julho  de 2026 (RAFA.TL) – O Brasil classificou as mais recentes tarifas norte-americanas sobre determinadas importações brasileiras como injustas e politicamente motivadas, ameaçando na quinta-feira aplicar medidas recíprocas contra produtos dos Estados Unidos.

O chefe da diplomacia brasileira criticou duramente o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, pela decisão.

Washington anunciou na quarta-feira a imposição de uma nova tarifa de 25 por cento sobre determinadas importações brasileiras, invocando práticas comerciais desleais por parte da 10.ª maior economia do mundo.

As tarifas, propostas inicialmente no mês passado, entram em vigor na próxima quarta-feira.

A medida exclui alguns produtos não fabricados nos Estados Unidos ou cuja tributação as autoridades norte-americanas consideram poder perturbar cadeias de abastecimento – entre eles café, carne bovina, laranjas, sumo de laranja e componentes aeronáuticos.

Segundo o governo brasileiro, a decisão afeta cerca de três mil produtos, não estando ainda definido se, e como, o país irá retaliar ao abrigo de uma lei aprovada pelo Congresso em 2025, em resposta às tarifas impostas pelo Presidente Donald Trump.

O ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou na quinta-feira que a medida norte-americana atinge cerca de 18 por cento das exportações do país, num valor estimado em 7,4 mil milhões de dólares, com base em dados de 2024.

O gabinete do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou, na quarta-feira, as acusações norte-americanas de práticas comerciais desleais, sublinhando que 76 por cento das importações provenientes dos Estados Unidos entraram no Brasil isentas de tarifas em 2025, e que a tarifa média efetivamente aplicada a produtos norte-americanos foi de apenas 3,1 por cento.

A nota oficial adianta ainda que o Brasil já tomou medidas para impor tarifas recíprocas, entre outras contramedidas comerciais, ao abrigo da sua própria legislação e através do mecanismo de resolução de litígios da Organização Mundial do Comércio.

O ministro brasileiro dos Negócios Estrangeiros, Mauro Vieira, acusou a administração Trump de pressionar o país sul-americano para conceder a empresas norte-americanas acesso exclusivo a determinados setores da economia brasileira, sublinhando que o Brasil nunca abandonou a mesa de negociações.

Vieira considerou “inaceitáveis” e “ofensivas para o povo e o governo brasileiros” as declarações feitas por Rubio na sequência do anúncio das novas tarifas.

O secretário de Estado norte-americano tinha escrito, numa publicação na rede social X, que as tarifas resultavam da decisão de Lula em colocar “o seu próprio ego à frente de um acordo”, recusando negociar de boa-fé com os Estados Unidos.

“Rubio lança um ataque grosseiro e arrogante contra o chefe de Estado de uma nação amiga, que por diversas vezes procurou pessoalmente abrir canais de diálogo”, afirmou Vieira, em conferência de imprensa na capital, Brasília.

“O que o secretário Rubio desvaloriza como ‘ego’ é, na realidade, a firme determinação do Presidente Lula em defender a soberania do Brasil e os interesses das empresas e trabalhadores do país”, acrescentou o chefe da diplomacia brasileira.

Os Estados Unidos acumulam há anos um défice comercial expressivo com o resto do mundo, argumento que Trump tem invocado para justificar o uso agressivo de tarifas.

No entanto, o Brasil constitui um alvo pouco habitual nesse contexto: Washington regista, de forma persistente, excedentes comerciais com o país sul-americano.

No ano passado, as exportações norte-americanas para o Brasil superaram as importações em quase 42 mil milhões de dólares, um valor apenas inferior aos excedentes registados pelos Estados Unidos com os Países Baixos e o Reino Unido.

A nova tarifa “aumenta a pressão sobre as exportações nacionais e a insegurança para empresas de ambos os países”, afirmou a Confederação Nacional da Indústria do Brasil, em comunicado divulgado na quinta-feira.

A administração Trump tinha já imposto, em julho do ano passado, uma tarifa de 50 por cento sobre importações brasileiras, então justificada por Trump com aquilo que classificou como uma “caça às bruxas” contra o antigo Presidente Jair Bolsonaro – aliado de Trump, que enfrentava então julgamento por tentativa de golpe de Estado, após a derrota eleitoral de 2022 para Lula. Bolsonaro viria a ser condenado, tendo parte dessas tarifas sido posteriormente revogadas.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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