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EUA intensificam ataques contra o Irão; Teerão promete escalada de retaliação

todayJulho 17, 2026 12

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Doha, 17 de julho de 2026 (RAFA.TL) – Os Estados Unidos intensificaram na quinta-feira os seus ataques contra o Irão, atingindo alvos mais a norte do país e disparando contra um navio que Washington acusa de tentar violar o bloqueio naval imposto à República Islâmica.

Teerão respondeu com mísseis e drones contra aliados norte-americanos na região, avisando que os seus ataques podem ainda agravar-se.

O cessar-fogo provisório alcançado no mês passado colapsou, e a região vive dias de ataques mútuos entre Washington e Teerão pelo controlo do estreito de Ormuz.

Segundo autoridades iranianas, os ataques norte-americanos já mataram mais de 35 pessoas e feriram mais de 300.

Pela primeira vez nesta fase mais recente do conflito, os bombardeamentos atingiram também zonas próximas de Teerão, capital iraniana, evidenciando um alargamento do leque de alvos por parte dos Estados Unidos.

Washington lançou uma segunda vaga de ataques na noite de quinta-feira, alegando querer “degradar ainda mais” as capacidades militares iranianas.

Desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra o Irão, a 28 de fevereiro, Teerão encerrou na prática o estreito ao tráfego marítimo, uma decisão que disparou o preço do petróleo e conferiu a Teerão uma importante vantagem negocial.

O coronel Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do quartel-general central Khatam al-Anbiya das forças iranianas, ameaçou que o Irão poderá lançar ataques generalizados contra “toda a infraestrutura da região” caso Washington concretize os avisos repetidos do Presidente Donald Trump de que os Estados Unidos poderão atingir pontes e centrais elétricas iranianas.

“Em nenhuma circunstância e de forma alguma vamos permitir que os Estados Unidos, enquanto país estrangeiro e extrarregional, interfiram no estreito de Ormuz. Esta é a linha vermelha invencível do Irão”, declarou o responsável.

Segundo a comunicação social estatal iraniana, os ataques norte-americanos de quinta-feira atingiram zonas em torno de Teerão e a província de Semnan, onde se concentram a produção de mísseis balísticos e o programa espacial do país. Foram também reportados ataques nas províncias de Hamedan, Hormozgan, Cuzestão, Lorestão, Markazi e Sistão e Baluchistão, bem como na ilha iraniana de Queixume, próxima do estreito de Ormuz.

Sete pessoas ficaram feridas num ataque norte-americano ao bairro residencial de Allah-Akbar Hill, na cidade portuária de Bandar Abbas, segundo a mesma fonte. Outras duas pessoas ficaram feridas num ataque à estação ferroviária de Bandar Abbas.

A oeste desta cidade, testemunhas relataram o bombardeamento de duas pontes, num ataque que terá matado três pessoas e ferido outras nove, segundo a comunicação social estatal.

Um ataque à ilha de Tumb Maior visou instalações de defesa e mísseis iranianas, segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM).

A ilha, uma das três formações rochosas situadas na confluência entre o golfo Pérsico e o estreito, foi ocupada pelo Irão em 1971, tendo pertencido ao que viria a tornar-se os Emirados Árabes Unidos; o seu controlo permite a Teerão exercer influência significativa sobre o estreito.

As forças norte-americanas afirmam ainda ter neutralizado um petroleiro com pavilhão de Curaçau que navegava em direção ao principal terminal de exportação de petróleo do Irão, disparando um míssil depois de o navio “ignorar múltiplos avisos”.

Um outro ataque norte-americano, na quarta-feira, visou um quartel da 388.ª Brigada Mecanizada de Infantaria iraniana, unidade que opera tanques e veículos blindados, na província de Sistão e Baluchistão. Segundo a televisão estatal iraniana, o ataque matou sete pessoas, entre recrutas e militares de carreira.

Teerão retaliou na quinta-feira com mísseis e drones contra o Barém, a Jordânia e o Kuwait, países onde estão sediadas forças norte-americanas, segundo as respetivas autoridades. Não houve, para já, confirmação oficial de danos ou vítimas.

O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, condenou um ataque noturno com drone na região curda semiautónoma do norte do Iraque; o aparelho, segundo as autoridades, terá sido intercetado. O ataque ocorreu durante uma visita do chefe de governo iraquiano aos Estados Unidos, na qual este garantiu que Bagdade vai trabalhar no desarmamento de grupos armados não estatais, incluindo os apoiados por Teerão.

Um drone visou ainda, separadamente, um petroleiro no golfo Pérsico, ao largo de Baçorá, no sul do Iraque, segundo a agência estatal iraquiana INA. Não foram reportadas vítimas.

O petróleo Brent, referência internacional, negociava acima dos 85 dólares o barril na quinta-feira, mais de 15 por cento acima do preço registado antes da guerra, ainda que bem abaixo dos quase 120 dólares atingidos no auge do conflito.

A subida dos preços representa um desafio particular para Trump e para o Partido Republicano, que pretende manter o controlo do Congresso nas eleições de novembro.

Washington reimpôs na quarta-feira um bloqueio naval aos portos iranianos.

FIM

Escrito por RafaFM

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