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Trump anuncia bloqueio naval ao Irão e taxa de 20% no estreito de Ormuz após ataques no Golfo

todayJulho 14, 2026 17

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Dubai, 14 de julho de  2026 (RAFA.TL) – O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou hoje a reposição de um bloqueio naval a navios iranianos no estreito de Ormuz e uma taxa de 20% sobre a restante carga transportada pela via, depois de uma nova troca de fogo ter ameaçado as negociações para pôr fim à guerra.

Trump escreveu nas redes sociais que os navios iranianos deixarão de poder atravessar o estreito e que os Estados Unidos vão cobrar a taxa a toda a carga elegível, numa altura em que o conflito com o Irão se intensificou após as conversações de paz não terem registado progressos significativos.

O Presidente norte-americano justificou a medida com a necessidade de cobrir os custos de “segurança nesta secção muito volátil do mundo”.

Cerca de um quinto do petróleo e gás mundiais passava pelo estreito antes de o Irão ter reivindicado o seu controlo desde o início da guerra, a 28 de fevereiro.

A mais recente troca de fogo foi desencadeada por um ataque iraniano a um navio porta-contentores no domingo, no estreito de Ormuz.

Teerão alega ter o direito de gerir o tráfego na via e de cobrar taxas ao abrigo de um acordo de paz interino alcançado no mês passado, algo contestado por Washington e outros países com base no direito internacional sobre a liberdade de navegação.

Os preços do petróleo subiram quase 5% na segunda-feira antes de recuarem, com o barril de referência norte-americano a negociar por volta dos 72,92 dólares, após ter chegado a quase 120 dólares no auge da guerra.

O exército dos Estados Unidos afirmou ter atingido dezenas de alvos no Irão na segunda-feira, incluindo sistemas de defesa aérea, radares, equipamento de mísseis e drones, e pequenas embarcações, reiterando que o Irão “não controla” o estreito de Ormuz.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, apelou à reabertura do estreito nos moldes anteriores à guerra, defendendo que a liberdade de navegação “tem de ser respeitada”.

Do lado iraniano, o conselheiro do líder supremo, Mohammed Mokhber, garantiu que Teerão vai “defender” o controlo do estreito para não ser forçado a pagar tributo ao inimigo no futuro.

Os Guardiões da Revolução iranianos classificaram o estreito como “nosso território”, acusando Washington de interferência ilegal.

Segundo a AP, soaram sirenes de alerta de mísseis por três vezes no Barém, sede da 5.ª Frota da Marinha dos Estados Unidos, enquanto o Kuwait afirmou estar a intercetar fogo hostil.

A Jordânia disse ter abatido quatro mísseis iranianos sem registo de vítimas ou danos materiais.

No Irão, as autoridades reportaram ataques nas províncias de Hormozgan, Khuzestan e Markazi, com pelo menos duas mortes, segundo a agência estatal IRNA, havendo ainda relatos de ataques na província de Sistan e Baluchistão.

No início de domingo, as forças norte-americanas tinham atingido cerca de 140 alvos, incluindo locais de lançamento de mísseis e drones, depósitos de munições e equipamento de comunicações – um volume de ataques superior às duas rondas anteriores. O Irão retaliou com ataques a países da região que acolhem forças militares dos Estados Unidos, incluindo Barém, Kuwait, Catar, Jordânia e Omã, que partilha o estreito com Teerão e convocou um diplomata iraniano para criticar o ataque.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, responsabilizou Washington pelo caos na região e afirmou que Teerão não vai autorizar visitas da Agência Internacional de Energia Atómica aos locais nucleares bombardeados pelos Estados Unidos em 2025.

Irão e Estados Unidos encontram-se a meio do período de 60 dias estabelecido para negociar um fim permanente da guerra e um acordo sobre o programa nuclear iraniano.

Mediadores, incluindo Paquistão, Catar e Egito, continuam a diligenciar por um acordo final, com o chefe da diplomacia paquistanesa a apelar à redução da tensão entre as partes.

FIM

Escrito por RafaFM

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