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Estados Unidos lançam novos ataques aéreos contra o Irão e Teerão responde contra países aliados dos EUA no Médio Oriente

todayJulho 10, 2026 31 5

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Dubai, 10 de julho de 2026 (RAFA.TL) – Os Estados Unidos lançaram novos ataques aéreos contra o Irão na madrugada de quinta-feira, tendo Teerão respondido com ataques contra países do Médio Oriente aliados de Washington, numa troca de fogo que ameaça o acordo interino destinado a ajudar a terminar a guerra na região.

Os ataques recíprocos, que já se tinham verificado na véspera, têm repetidamente colocado em causa o cessar-fogo, mas os de quinta-feira surgiram como os mais amplos até agora, com sirenes a soar pelo menos três vezes no Barém, sede do Comando da 5.ª Frota da Marinha norte-americana, e mísseis a atingir o Kuwait e o Qatar.

Sirenes soaram também na Jordânia, país onde os Estados Unidos mantêm tropas e aeronaves estacionadas.

Um responsável iraniano acusou os Estados Unidos de terem lançado, já esta quinta-feira à tarde, um ataque aéreo na zona envolvente da única central nuclear do Irão, tendo sido reportadas outras explosões em diferentes pontos do país.

Na madrugada de sexta-feira, o líder supremo, aiatola Ali Khamenei, foi sepultado na sua cidade natal, Mashhad, depois de vários dias de luto público. Khamenei morreu nos primeiros ataques da guerra contra o Irão.

Os novos ataques surgiram poucas horas depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que recentes ataques iranianos contra navios no estreito de Ormuz assinalavam o fim de um cessar-fogo frágil, ameaçando escalar o conflito caso os ataques não parassem.

A declaração aumentou o receio de que a região possa voltar a mergulhar numa guerra alargada a vários países, com potencial para interromper o transporte de energia através do estreito, essencial para a economia mundial.

No Irão, os dois dias de ataques aéreos norte-americanos mataram pelo menos 14 pessoas e feriram outras 78, segundo o Ministério da Saúde iraniano, citado esta quinta-feira, precisando que a maioria das vítimas seriam membros das forças armadas.

No Kuwait, as forças armadas indicaram que destroços em queda feriram uma pessoa, depois de o país ter abatido três mísseis balísticos, um míssil de cruzeiro e dez drones.

O Barém afirmou ter intercetado fogo dirigido ao seu território, sem dar mais pormenores, enquanto o porta-voz do Governo jordano, Mohammad al-Momani, garantiu que todo o fogo proveniente do Irão foi intercetado.

A televisão estatal iraniana informou que a Guarda Revolucionária, força paramilitar do país, disparou mísseis contra uma base norte-americana na Jordânia. Não houve, para já, informação sobre eventuais danos no Qatar.

O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (CENTCOM) afirmou ter atingido 90 alvos em todo o território iraniano, tendo divulgado imagens a preto e branco que mostrariam ataques a uma pista de aeroporto e a lançadores de mísseis.

Washington indicou que os ataques visavam degradar ainda mais a capacidade do Irão de ameaçar a liberdade de navegação no estreito de Ormuz, por onde passava, antes do início da guerra – desencadeada por ataques dos Estados Unidos e de Israel a 28 de fevereiro -, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural transacionados a nível mundial.

O tráfego marítimo tem vindo a recuperar desde que um acordo temporário, alcançado no mês passado, previu a reabertura da via marítima. Segundo dados preliminares da empresa de informação marítima Lloyd’s List Intelligence, pelo menos 576 navios atravessaram o estreito em junho, contra 233 em maio; em junho de 2025, tinham transitado mais de 3.100 embarcações.

Meios de comunicação estatais iranianos noticiaram explosões em várias localidades, incluindo Bushehr, onde se situa o complexo da central nuclear do país, e em cidades portuárias no sul.

A agência estatal IRNA citou um responsável local em Bushehr, Ehsan Jahanian, que acusou os Estados Unidos de terem atacado, por volta do meio-dia, uma zona próxima da central, horas depois de o CENTCOM ter anunciado o fim da mais recente vaga de ataques. Questionado sobre Bushehr, o CENTCOM remeteu para um comunicado com a lista de alvos, sem qualquer referência à central nuclear.

Pela primeira vez desde abril, os ataques norte-americanos visaram também pontes no território iraniano.

Meios estatais noticiaram um ataque a uma ponte ferroviária na província nordestina de Golestan, e a Guarda Revolucionária afirmou que duas pontes foram atingidas na via de acesso a Mashhad, cidade onde dezenas de milhares de pessoas se concentraram em largas avenidas durante o cortejo fúnebre final de Khamenei, esta quinta-feira.

Populares aproximaram-se para tocar no veículo que transportava o corpo de Khamenei, muitos empunhando bandeiras iranianas e imagens do antigo líder, ou cartazes evocando a longa tradição xiita dos mártires. Alguns cartazes pediam a morte de Trump e do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

Khamenei governou o Irão durante quase 37 anos, até ter sido morto nos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel que desencadearam a guerra.

Os cortejos fúnebres começaram no sábado anterior, com as autoridades a encerrarem ruas, espaço aéreo e a suspenderem a vida quotidiana em Teerão e noutras cidades, à medida que multidões prestavam homenagem ao homem que liderou o país durante décadas com mão de ferro, em confronto permanente com o Ocidente.

Depois de deixar a cimeira da NATO na Turquia, Trump publicou nas suas redes sociais vários vídeos que, segundo afirmou, mostravam explosões no Irão, dirigindo um novo aviso à República Islâmica.

Segundo o presidente norte-americano, tratava-se de uma retaliação pelo bombardeamento, na véspera, de navios por parte do Irão, avisando que, caso se repetisse, a situação pioraria significativamente.

Trump reiterou ainda ameaças anteriores de atingir infraestruturas civis iranianas, incluindo centrais elétricas e de dessalinização, e de ocupar a ilha de Kharg, por onde passa cerca de 90 por cento das exportações de petróleo do Irão.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, um dos principais negociadores nas conversações para um fim permanente da guerra, reagiu de forma desafiante numa publicação na rede social X, esta quinta-feira de manhã, avisando que os Estados Unidos responderiam a qualquer novo ataque.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, referiu, numa publicação no Telegram, ter falado por telefone com os seus homólogos saudita, turco e omanense, e ainda com o chefe do Exército paquistanês, marechal Asim Munir, um dos principais mediadores no conflito – um sinal de que estarão em curso esforços para reduzir as tensões.

Trump afirmou esta quarta-feira que o acordo interino de cessar-fogo estava terminado, dizendo que permitiria a continuação das negociações, embora considere que os negociadores estão a perder tempo.

As negociações para um acordo final deveriam começar depois do funeral de Khamenei, devendo incidir sobre as questões mais difíceis, incluindo a reabertura total do estreito de Ormuz e o recuo do controverso programa nuclear de Teerão.

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Escrito por RafaFM

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