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Timor-Leste soma 213 detidos em operações contra centros de burla “online” em 2026

todayJulho 10, 2026 347

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Díli, 10 de julho de 2026 (RAFA.TL) – As autoridades timorenses detiveram nas últimas três semanas pelo menos 213 estrangeiros em quatro operações lideradas pela PNTL e pela PCIC contra centros de burla “online” em Tibar, Manleuana, Bebonuk e Metiaut.

As operações demonstram um aumento significativo das investigações sobre casos de suspeitos centros envolvidos em burlas online ou jogo ilegal online, um problema que está a gerar crescente preocupação nacional e internacional sobre o uso de Timor-Leste por redes criminosas internacionais.

A primeira operação mais recente ocorreu a 26 de junho, em Tibar, no município de Liquiçá, quanto a Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) deteve 61 estrangeiros, maioritariamente indonésios, com alguns cidadãos cambojanos.

O porta-voz da PNTL, superintendente-chefe João Belo dos Reis, indicou que cerca de 90 por cento dos detidos seriam antigos membros de um centro de burla desmantelado pelas autoridades cambojanas, que teriam fugido para reativar a atividade em Timor-Leste.

O caso seguiu para tribunal, que aplicou prisão preventiva ao alegado gerente e apresentações periódicas semanais, com caução de 2.500 dólares, aos restantes 60 arguidos.

A 8 de julho, com base em informação da comunidade, a PNTL fez buscas numa residência em Manleuana, detendo 29 estrangeiros, maioritariamente chineses.

Esta ação integrou uma operação mais alargada de dois dias, com participação da PNTL, da PCIC, do Serviço Nacional de Informações Estratégicas (SNIE) e do Serviço de Migração.

No dia seguinte, 9 de julho, a PCIC liderou buscas a um armazém na área de Bebonuk, detendo 99 estrangeiros, também maioritariamente chineses.

A PCIC comunicou que 19 suspeitos conseguiram fugir e estão a ser procurados.

Ainda a 9 de julho, uma outra busca teve lugar numa residência na área de Metiaut, resultando na detenção de 24 estrangeiros.

Das buscas nas três localizações de Díli resultou a apreensão de telefones, computadores portáteis, servidores e equipamento de acesso à internet via satélite (Starlink), considerado material central para o funcionamento das redes de burla “online”.

O aumento das operações contra centros de burla surge poucas semanas depois de a Interpol ter identificado explicitamente Timor-Leste, num relatório de avaliação de ameaças cibernéticas, como um dos países da Ásia e do Pacífico Sul visados pelo RedLine Stealer, o malware de roubo de informação mais disseminado na região, a par de países como o Camboja, as Filipinas, o Vietname, o Laos, o Nepal, Fiji e Kiribati.

O relatório sublinha que os pequenos estados insulares em desenvolvimento do Pacífico, categoria em que se enquadra Timor-Leste, enfrentam obstáculos severos ao nível da preparação institucional, do conhecimento técnico e dos recursos, o que os torna vulneráveis tanto a ataques diretos como à utilização como porta de entrada para atividade maliciosa de âmbito regional.

Segundo o documento, mais de metade dos países inquiridos na região reportaram que o cibercrime já representa 30 por cento de toda a criminalidade registada a nível nacional, com as operações de burla industrializada no Camboja, Laos, Myanmar e Filipinas a gerarem cerca de 40 mil milhões de dólares anuais, frequentemente com recurso a trabalho forçado.

A par das operações de desmantelamento físico de centros de burla, a PCIC divulgou também, a 1 de julho, um alerta público para um esquema de fraude financeira em circulação no Facebook e no WhatsApp, que recorre a perfis falsos para publicar testemunhos falsos em tétum sobre supostos ganhos avultados através de programas de lotaria ou investimento denominados “SDSB” ou “Anre Setiawan Pools”.

Segundo a PCIC, as vítimas são depois direcionadas para números de WhatsApp estrangeiros, sobretudo com indicativo +62 (Indonésia), onde lhes são apresentados comprovativos bancários falsificados, com utilização ilegal do logótipo do Banco Nacional de Comércio de Timor-Leste (BNCTL), mostrando saldos de milhares de dólares. A polícia confirmou, em articulação direta com o BNCTL, que essas contas e comprovativos são falsos, resultado de manipulação digital de imagens.

Este alerta reforça o quadro traçado pelo relatório da Interpol e pelas sucessivas operações de Tibar, Manleuana, Bebonuk e Metiaut: o país enfrenta hoje uma pressão simultânea de fraude digital direcionada à população local e de centros de burla instalados fisicamente em território timorense para atacar vítimas no estrangeiro.

O Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC) já tinha alertado, em abril, que a escala das atividades observadas em Timor-Leste era semelhante à registada nas fases iniciais da indústria de burlas no Sudeste Asiático, considerando o facto “preocupante”, sobretudo devido ao aumento de conectividade que o país passará a ter como membro pleno da ASEAN.

A Fundação Mahein, organização timorense de análise de segurança, tem insistido na necessidade de mudanças políticas e operacionais mais profundas, defendendo a criação de uma força-tarefa de inteligência financeira e cibernética para monitorizar o uso de cartões SIM, dispositivos Starlink e movimentos financeiros suspeitos, notando que a resposta das autoridades tem incidido sobretudo sobre autores de escalão mais baixo, sem ainda alcançar as estruturas que organizam e financiam estas operações.

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Escrito por RafaFM

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