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Megawati recorda noite da independência de Timor-Leste e cumplicidade com Xanana

todayJulho 9, 2026 18 1 5

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Díli, 9 de julho de 2026 (RAFA.TL) – A antiga Presidente da Indonésia Megawati Soekarnoputri recordou, em discurso proferido em Díli, a noite de 19 para 20 de maio de 2002, quando acompanhou Xanana Gusmão até Tasi Tolu para a cerimónia de restauração da independência de Timor-Leste.

Megawati descreveu o momento em que foi recebida por Xanana Gusmão no aeroporto e seguiu com ele no mesmo carro rumo ao campo onde se realizaria a cerimónia.

“Naquele momento, eu sentia o coração despedaçado. Mas olhei para o senhor Xanana e vi-o em silêncio”, relatou num discurso no Palácio Presidencial em Díli, onde hoje foi condecorada com o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste.

A antiga chefe de Estado indonésia explica que perguntou então a Xanana Gusmão porque estava “tão sombrio”, ao que este respondeu: “Mega, hoje estou verdadeiramente feliz, mas amanhã não sei.” A frase, disse, “deixou-me ainda mais sombria”.

Megawati recordou ainda que foi a sua mãe quem, em 1945, coseu a primeira bandeira vermelha e branca da Indonésia, e descreveu ter rezado ao pai, já falecido, antes de decidir viajar a Timor-Leste para testemunhar a ‘descida’ dessa mesma bandeira indonésia em Tasi Tolu.

“Está bem, Pai, eu irei e verei a bandeira vermelha e branca ser arriada”, disse ter respondido interiormente.

A antiga Presidente recordou também a presença do então antigo Presidente norte-americano Bill Clinton na cerimónia de 2002, que conhecera anos antes, quando este era ainda governador do Arkansas. “Estava atrás de mim – um homem alto – e deu-me umas palmadas nas costas. E eu percebi o significado disso: estava a dar-me força”, contou.

A antiga chefe de Estado sublinhou que aquela noite, em Tasi Tolu, “não foi uma tragédia de separação”, mas antes testemunha “do nascimento de Timor-Leste como irmão da Indonésia”.

Megawati defendeu que a reconciliação entre os dois países “não significa apagar o passado”, recordando o percurso que traçou com Xanana Gusmão desde então. “O passado é história. Não deve ser abandonado. Deve ser sempre recordado”, afirmou, acrescentando que o processo exigiu “coragem moral de ambos os líderes”.

Citando o antigo líder indonésio Soekarno e seu pai, Megawati defendeu que “a nação não é uma herança”, mas sim “uma vontade com um ideal comum”, e que construir uma nação “começa por construir a alma”.

A antiga Presidente indonésia recordou ainda a Comissão da Verdade e da Amizade, criada por iniciativa dos dois países, que classificou como “única no mundo”.

“Ela não apagou a dor; reconheceu-a e decidiu que essa dor não podia ser herdada como rancor, mas transformada em lição para a vida”, disse.

Megawati encerrou a intervenção afirmando que Indonésia e Timor-Leste “encontraram um caminho de civilização: recordar sem alimentar rancor, perdoar sem esquecer”, antes de declarar, a partir de Díli, “cidade dos combatentes”.

“Embora hoje existamos como dois Estados, estamos unidos por um ideal comum.” A intervenção terminou com apelos repetidos de “Liberdade!”.

FIM

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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