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Megawati, emocionada com “honra” da condecoração com a Ordem de Timor-Leste que é “elo” na amizade dos dois países

todayJulho 9, 2026 51 1 5

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Díli, 09 de julho de 2026 (RAFA.TL) – A ex-Presidente indonésia, Megawati Soekarnoputri, mostrou-se hoje emocionada, e até chorou, com a “honra” de receber o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste, condecoração que considerou um “elo da corrente” na amizade entre Timor-Leste e a Indonésia.

“Ao receber hoje o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste, permitam-me dizer algumas palavras que vêm do coração. Muito obrigada. Obrigada. Não aceito esta honra como o encerramento de uma história, nem como sinal de que a nossa missão foi cumprida”, afirmou no Palácio Presidencial.

“Aceito-a precisamente como um começo. Este é um mandato para o futuro e, ao mesmo tempo, uma promessa relativamente àquilo que ainda não fizemos – nós, isto é, Timor-Leste e a Indonésia.

Esta distinção não é apenas uma medalha. É um elo de uma corrente, o elo que fecha e une. Para mim, é esse o significado: a amizade entre a Indonésia e Timor-Leste é uma corrente que deve continuar a estender-se de uma geração para a outra, sem nunca se romper”, afirmou.

Emocionada, a ex-Presidente indonésia disse que a honra da condecoração, não lhe pertence verdadeira a si ou sequer à sua geração, mas sim “aos que hoje ainda são jovens, até àqueles que ainda não nasceram”.

“Isto pertence às crianças de Timor-Leste, outrora chamado Tim-Tim, e às crianças da Indonésia que um dia receberão esta corrente das nossas mãos. Não deixem que esta corrente se parta e tenham a obrigação de a prolongar com as vossas próprias mãos”, disse.

Megawati Soekarnoputri, que completou em janeiro 79 anos, deixou uma mensagem aos jovens dos dois países.

“O mundo que irão herdar não será mais leve do que o mundo de hoje, o nosso mundo. Mas herdam algo que nós não tínhamos quando éramos jovens: dois países vizinhos que se tornaram amigos, que escolheram permanecer lado a lado como amigos iguais. Não se esqueçam disso. Cuidem bem dessa amizade”, vincou.

E depois comparou a prisão de Xanana Gusmão, na Indonésia, durante sete anos, com a do próprio pai, Sukarno, fundador da Indonésia, exilado durante anos e depois mantido em prisão domiciliária até ao fim da sua vida.

“Enquanto eu respirar, continuarei a guardar esta amizade, e esta história deve continuar a ser contada. Compreendo muito bem como é lutar pela liberdade, tal como nós também lutámos pela nossa independência”, vincou.

Recordou que ela própria, enquanto líder do partido indonésio PDI-P, concedeu bolsas de estudos a jovens timorenses.

“Quando eu era presidente do partido, havia muitas crianças aqui que não podiam estudar, e eu, em silêncio, concedia-lhes bolsas de estudo. Eu própria já me tinha esquecido disso, até que um dia um dos dirigentes do nosso partido, o senhor Basarah, foi abordado por um jovem. O nome dele era Kupa Lopez.?”, recordou.

“Então ele apresentou-se perante mim e disse: “Mamã, eu sou filho da Mamã’. Fiquei confusa: como é que o meu filho já está tão crescido? E afinal ele é agora embaixador no Camboja. Sim, é verdade. Pois bem, assim é”, afirmou

Megawati recordou a sua primeira visita a Díli, em 1999, e de ter ficado “num pequeno hotel”, e o que lhe ficou na memória

“Quando pisei Dili pela primeira vez, lembro-me de ter ficado num pequeno hotel. Esqueci-me do nome, e disseram-me que ainda existe. E aquilo que me fará recordar Timor-Leste para sempre, talvez vocês pensem que seja algo grandioso. Não. Sabem o que é?”, questionou a plateia.

“Eu gosto de malaguetas. E as malaguetas pequeninas de Timor-Leste superam todas as malaguetas do mundo. São extremamente picantes. Nunca esquecerei quando estava nesse hotel, ao pequeno-almoço, e a pessoa que me estava a servir perguntou: ‘Mama, o que quer comer?’. Eu respondi: “Quero nasi goreng.” Depois disse: “Pode pôr malagueta?” “Posso, Mama.” Quando chegou, olhei para o molho e pensei: porque é que parece não ter malagueta?

Então eu disse àquela criança: “Não tem malagueta, pois não?” E ela respondeu: “Mama, prove primeiro este molho.” Como eu pensava que não tinha malagueta, felizmente não enchi a colher; tirei só um bocadinho com a colher. Afinal, se existisse uma bomba, seria mais ou menos aquilo. Era mesmo muito picante.

E depois, provocando risos na plateia, informou que vai mandar gente comprar mais malaguetas.

“Senhor Ramos Horta e senhor Xanana, agora vou mandar as minhas pessoas ao mercado para trazerem como lembrança estas malaguetas de Timor-Leste. Obrigada, Timor-Leste

E depois terminou com uma declaração ouvida durante muitos anos em Timor-Leste, mas também na Indonésia, durante o regime de Suharto: “Merdeka, merdeka, merdeka” (Liberdade, liberdade, liberdade).

FIM

 

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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