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Ramos-Horta diz que moderação exige “muito mais coragem” do que o radicalismo, na condecoração de Megawati Soekarnoputri

todayJulho 9, 2026 53

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Díli, 09 de julho  de 2026 (RAFA.TL) – O Presidente da República, José Ramos-Horta, disse hoje que a moderação política exige muito mais coragem do que o radicalismo, numa intervenção no Palácio Presidencial em que condecorou a ex-Presidente indonésia, Megawati Soekarnoputri, com o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste.

“Foi durante o mandato de Ibu Megawati que se consolidaram as bases da amizade que hoje une os nossos dois países. Esta pode ser uma das maiores conquistas da democracia. Transformar antigos inimigos em parceiros. Transformar a memória do conflito numa cultura de cooperação.

Transformar fronteiras em pontes”, vincou.

Hoje, afirmou, os dois países trabalham lado a lado na ASEAN e em várias agendas bilaterais, “no combate às alterações climáticas, na segurança marítima, na cooperação económica, na educação, na cultura e na promoção da estabilidade regional”.

Por isso, sublinhou, a amizade entre os dois países “não nasceu do esquecimento”, mas sim “da coragem de enfrentar o passado sem permanecermos prisioneiros dele”, sendo “construída por líderes que compreenderam que nenhuma nação pode mudar a sua geografia, mas todas as nações podem mudar o seu futuro”.

Na cerimónia, o Chefe de Estado timorense saudou “com grande satisfação” a presença de Megawati Soekarnoputri, “Quinta Presidente da República da Indonésia”, sublinhando que a visita “oferece a oportunidade de reconhecer uma trajetória política que marcou um capítulo importante da história da Indonésia e da consolidação da sua democracia”.

Ramos-Horta traçou o percurso político de Megawati desde a liderança do então Partido Democrático Indonésio, em 1993, recordando o ataque de 27 de julho de 1996 contra a sede do partido em Jacarta – que classificou como “um momento decisivo da história moderna da Indonésia” – até à queda da Nova Ordem de Suharto, em 1998, e às primeiras eleições livres indonésias, em junho de 1999.

Foi a propósito da decisão de Megawati de aceitar a eleição de Abdurrahman Wahid para a Presidência e assumir a Vice-Presidência, apesar do mandato popular obtido pelo seu partido, que o Chefe de Estado timorense fez a referida afirmação sobre a coragem da moderação.

O Presidente destacou ainda o papel do então Presidente Habibie na abertura do processo que conduziu à consulta popular de 30 de agosto de 1999, decisiva para a restauração da independência de Timor-Leste, e sublinhou o contributo pessoal de Megawati, já como Presidente da Indonésia a partir de 2001, na consolidação da relação bilateral.

“É importante reconhecer, com justiça histórica, que Ibu Megawati poderia ter escolhido outro caminho. Durante muitos anos, tal como praticamente todo o estabelecimento político indonésio desse período, defendera a integridade territorial do seu país”, disse.

Apesar de essa ser “a posição predominante na Indonésia”, Megawait escolheu outro caminho, disse.

“A verdadeira grandeza dos estadistas mede-se precisamente pela capacidade de reconhecer que a História muda”, afirmou.

“Ibu Megawati reconheceu que Timor-Leste seguiria o seu próprio destino, cooperou com as Nações Unidas durante a administração transitória, apoiou a normalização das relações diplomáticas, promoveu mecanismos permanentes de cooperação fronteiriça, incentivou o diálogo político e contribuiu para que antigos adversários construíssem uma relação baseada na confiança”, afirmou Ramos-Horta.

O chefe de Estado referiu-se ainda ao papel de Xanana Gusmão, alguém que contribui significativamente para a reconciliação com a Indonésia e que, afirmou ironicamente, “conseguiu o seu doutoramente suma cum laude em Cipinang”, a cadeia onde esteve detido pelos indonésios.

Ao conferir a distinção, o Chefe de Estado timorense considerou tratar-se de “uma homenagem à coragem política, à reconciliação, à liderança sábia e à visão de futuro”, extensível ao contributo de Megawati para a “consolidação da democracia indonésia e à construção de uma amizade duradoura entre os nossos dois países”.

Ramos-Horta terminou a intervenção com votos de que “as futuras gerações de timorenses e indonésios continuem a preservar e fortalecer este património comum de amizade, respeito mútuo e cooperação”.

A condecoração da antiga Presidente indonésia insere-se na visita oficial de Megawati Soekarnoputri a Timor-Leste, que termina sexta-feira.

Megawati Soekarnoputri chegou ao Palácio Presidencial cerca das 10:00, sendo recebida pelo Presidente da República, José Ramos-Horta e pelo Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, entre outras individualidades.

A ex-Presidente indonésia, que está na sua terceira visita a Timor-Leste – e a primeira em 24 anos, depois de ter participado, a 20 de maio de 2002, nas cerimónias de restauração da independência – assinou depois o livro de honra, antes de uma reunião de delegações dos dois países e da condecoração.

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Escrito por RafaFM

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