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Trump anuncia fim do cessar-fogo com o Irão após ataques a navios e ordena novos bombardeamentos

todayJulho 9, 2026 10

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Dubai, 09 de julho de 2026 (RAFA.TL) – Os Estados Unidos lançaram esta quarta-feira uma nova vaga de ataques contra o Irão, horas depois de Donald Trump ter declarado que os recentes ataques iranianos a navios no Estreito de Ormuz assinalam o fim do frágil cessar-fogo em vigor desde fevereiro.

A ação militar surge um dia depois de as forças norte-americanas terem atingido diversas instalações militares e portuárias iranianas, em resposta ao ataque do Irão a vários navios mercantes junto à costa de Omã.

Responsáveis militares dos Estados Unidos afirmaram, em comunicado nas redes sociais, que os novos ataques visaram “degradar ainda mais” a capacidade do Irão de “ameaçar a liberdade de navegação” no estreito, por onde passava, antes do início da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural transacionados a nível mundial.

A comunicação social estatal iraniana noticiou explosões em vários locais, incluindo Bushehr, onde se situa o complexo nuclear do país, e nas cidades portuárias do sul Chabahar, Konarak, Bandar Abbas e Sirik.

Após deixar a cimeira da NATO em Ancara, Trump publicou nas redes sociais vídeos do que descreveu como explosões no Irão, alertando: “Isto é em retaliação pelo bombardeamento de navios pelo Irão ontem. Se voltar a acontecer, vai piorar muito!”

O Presidente norte-americano tinha afirmado mais cedo que a nova escalada não deverá resultar em ação militar “prolongada”, acrescentando que “tudo o que acontecer, vai acontecer muito depressa” – admitindo, porém, que as forças norte-americanas poderão “simplesmente terminar o trabalho”.

Trump renovou ainda ameaças anteriores de atingir infraestruturas civis iranianas, incluindo centrais elétricas e instalações de dessalinização, e de ocupar a ilha de Kharg, por onde escoa cerca de 90% das exportações petrolíferas do Irão.

Questionado sobre o estado do cessar-fogo, Trump foi direto: “Para mim, acho que acabou.”

Admitiu, no entanto, que os negociadores norte-americanos podem prosseguir conversações, embora sem otimismo: “Podem falar, mas acho que estão a perder tempo.”

O porta-voz do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, respondeu em tom desafiante numa publicação na rede social X: “A era da intimidação e da extorsão acabou. Não leva a lado nenhum. Não vamos ceder.”

Também o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, replicou que as declarações de Trump “não são um sinal de força, mas sim a admissão do fracasso” da política norte-americana em relação a Teerão.

As declarações de Trump sobre o fim do cessar-fogo fizeram aumentar de imediato os preços do petróleo, alimentando receios de que o conflito no Médio Oriente possa reacender-se de forma alargada e voltar a interromper os fluxos energéticos através do Estreito de Ormuz – uma das mais importantes rotas de transporte de petróleo e gás do mundo.

Na sequência dos ataques iranianos a navios, Washington revogou ainda a licença que, pela primeira vez em anos, permitia ao Irão realizar vendas de petróleo abertamente em dólares norte-americanos, no âmbito do acordo interino entretanto colocado em causa.

Segundo o acordo provisório entre os dois países, os navios deveriam poder atravessar o estreito sem pagar taxas de passagem durante 60 dias, mas Teerão tem insistido em controlar as rotas dos navios e ameaçado cobrar taxas de passagem no futuro – uma exigência rejeitada tanto pelos Estados Unidos como por vários países árabes do Golfo.

Os navios atacados na terça-feira seguiam, segundo os relatos, uma rota próxima da costa de Omã, e não a rota imposta por Teerão.

No terreno, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CENTCOM) confirmou ter atingido, na terça-feira, sistemas de defesa antiaérea, radares e mais de 60 pequenas embarcações utilizadas pela Guarda Revolucionária iraniana, meios considerados centrais na capacidade do Irão de ameaçar a navegação no estreito.

Na quarta-feira de manhã, tanto o Barém – sede da 5.ª Frota da Marinha dos EUA – como o Kuwait, onde estão destacadas forças do Exército norte-americano, ativaram alertas de mísseis; a Guarda Revolucionária reivindicou ataques a instalações militares norte-americanas em ambos os países. O Kuwait afirmou ter intercetado dois mísseis balísticos e 13 drones lançados pelo Irão, tendo o Ministério da Eletricidade kuwaitiano indicado que várias linhas ficaram fora de serviço devido à queda de estilhaços.

Em paralelo, o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, o primeiro-ministro iraquiano, Ali Falah al-Zaidi, e outros responsáveis dos dois países participaram esta quarta-feira, na cidade iraquiana de Najaf, nas cerimónias fúnebres do líder supremo do Irão, Ali Khamenei, morto a 28 de fevereiro no primeiro momento da guerra.

O corpo de Khamenei deverá ser transportado de volta ao Irão para ser sepultado na quinta-feira no santuário do Imã Reza, em Mashhad, cidade onde nasceu.

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Escrito por RafaFM

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