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Trump reitera pretensão sobre a Gronelândia na cimeira da NATO em Ancara, apesar de anúncios de milhões em armamento

todayJulho 8, 2026 26

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Ancara, 8 de julho de  2026 (RAFA.TL) – O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou hoje que a Gronelândia deveria estar sob controlo norte-americano e não da Dinamarca, aliada da NATO, reacendendo tensões na Europa.

As declarações ocorrem no mesmo dia em que a Aliança Atlântica anunciava milhões de dólares em contratos de armamento numa tentativa de apaziguar o líder norte-americano, na cimeira em curso em Ancara, Turquia.

Trump classificou a ilha semiautónoma como “uma parte importante” para os Estados Unidos, repetindo a alegação, sem fundamento, de que estaria rodeada de navios chineses e russos, e afirmou que não permitirá que a Gronelândia seja ameaçada.

“Isso devia ser controlado pelos Estados Unidos, não pela Dinamarca”, disse Trump aos jornalistas, durante um encontro com o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

A NATO foi fundada no princípio de que os seus 32 membros defenderão mutuamente os respetivos territórios e não os ameaçarão.

Durante a cimeira, os países europeus e o secretário-geral da Aliança, Mark Rutte, procuravam simultaneamente responder a outra queixa recorrente de Trump: a de que os aliados europeus não investem o suficiente em defesa própria.

Separadamente, Trump anunciou que os Estados Unidos vão levantar as sanções impostas à Turquia na sequência da compra, por Ancara, de sistemas russos de defesa antimísseis, que tinham levado à exclusão do país do programa dos caças F-35 – um gesto enquadrado na relação próxima entre Trump e o anfitrião da cimeira.

A aquisição, pela Turquia, dos sistemas russos S-400, em 2019, tinha gerado anos de tensão, apesar da relação pessoal entre os dois líderes, que remonta ao primeiro mandato de Trump.

Persistem obstáculos legais antes de a Turquia poder ser plenamente reintegrada no programa norte-americano, mas o levantamento das sanções, impostas ao abrigo da lei norte-americana que visa sancionar adversários dos Estados Unidos, facilitará esse processo. Recuperar o acesso aos F-35 é um dos principais objetivos de Erdogan.

“Vamos retirar as sanções, ok?”, afirmou Trump, adiantando que o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário da Defesa, Pete Hegseth, estão a tratar do assunto.

Trump considerou que a possível venda de F-35 à Turquia é “algo que certamente consideraríamos”, tendo em conta a relação entre os dois países, e frisou que “a Turquia tem sido, em muitos aspetos, muito mais leal do que outros países que pensaríamos serem leais”.

Erdogan manifestou esperança de que os Estados Unidos venham a vender os F-35, afirmando que o Presidente norte-americano “cumpre sempre a palavra”.

Os dois líderes exibiram publicamente a proximidade da relação, com Erdogan a receber Trump com uma cerimónia protocolar que incluiu militares a cavalo e aviões a sobrevoar o local, largando fumo nas cores azul, branca e vermelha. Questionado sobre o que torna a relação tão forte, Trump respondeu haver “uma química que funciona entre nós”, acrescentando que “às vezes dá-se bem com as pessoas mais difíceis, como ele”.

O eventual acesso da Turquia aos F-35 norte-americanos pode complicar outras relações regionais.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou ter pedido a Trump que não vendesse os caças à Turquia, alertando que tal poria Israel em risco.

“Isto não é uma força para a paz e a estabilidade”, declarou Netanyahu à CNN. “Quando se dá esse poder a esse país, vai ver-se agressão na sua esteira.” Há também oposição de legisladores norte-americanos à venda dos F-35 à Turquia, enquanto o país mantiver na sua posse o sistema russo S-400 – uma restrição que se mantém em vigor mesmo que as sanções sejam levantadas.

Mais cedo, no mesmo dia, a NATO apresentou projetos militares avaliados em milhões de dólares, um investimento que Rutte classificou como “dinheiro bem gasto” e claramente destinado a satisfazer Trump.

A Aliança não possui armamento próprio – que pertence aos países membros -, mas opera 14 aviões de vigilância radar AWACS, com cerca de 50 anos, além de drones de vigilância mais recentes.

Foi anunciado um acordo para substituir os aviões mais antigos, com o fabricante sueco Saab a fornecer até dez novas aeronaves de vigilância GlobalEye a um consórcio de dez países, segundo revelou o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson.

Representantes de 15 países anunciaram ainda um esforço multinacional para adquirir aviões de reabastecimento aéreo e transporte junto da Airbus, e Rutte anunciou um projeto conjunto de quatro países para a compra de até cinco novos drones de vigilância Triton.

Alguns destes projetos serão financiados através de um sistema de empréstimos a baixo custo para fins de defesa, criado pela União Europeia, que reúne até 170 mil milhões de dólares captados nos mercados de capitais.

Separadamente, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, renovou o apelo para que o seu país seja admitido na Aliança, sublinhando a experiência das forças armadas ucranianas e a sua capacidade de reforçar as capacidades de defesa da NATO. Zelensky destacou a capacidade da Ucrânia para atingir alvos no interior da Rússia, incluindo refinarias de petróleo e outras infraestruturas energéticas, e afirmou que as suas forças estão a “eliminar”, em média, 30 mil militares russos por mês.

O Presidente ucraniano deverá reunir-se com Trump na quarta-feira, em Ancara. “Sinceramente, não sentimos orgulho nisto”, afirmou Zelensky, salientando que a guerra com a Rússia, já no quinto ano, é um conflito que a Ucrânia “não procurou, mas que é forçada a travar”.

Cresce a preocupação, entre alguns países europeus, de que a Rússia possa preparar um ataque híbrido – combinando guerra convencional com táticas como ciberataques – contra o continente, num contexto em que o Presidente russo, Vladimir Putin, enfrenta dificuldades para garantir uma vitória na Ucrânia.

Um responsável da NATO, falando à margem da cimeira sob anonimato, considerou que, apesar de algumas ações russas “imprudentes” – incluindo violações do espaço aéreo da Polónia, da Roménia e da Estónia -, a Aliança tem conseguido dissuadir Moscovo de qualquer ataque a um país membro.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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