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KHUNTO alerta para aumento de suicídios e defende estratégia nacional de prevenção em Timor-Leste

todayJulho 7, 2026 34 1

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Díli, 07 de julho de 2026 (RAFA.TL) – A Bancada do KHUNTO alertou hoje para os casos recorrentes de suicídio em vários municípios e defendeu a criação urgente de uma estratégia nacional de prevenção.

Intervindo no parlamento, a bancada considera que o problema constitui uma emergência de saúde pública e de coesão social que exige uma resposta coordenada do Estado e de toda a sociedade.

Na declaração política apresentada pelo deputado António Verdial, o KHUNTO disse que os casos registados em municípios como Liquiçá e Covalima, bem como noutras zonas do país, não devem ser vistos meramente como estatísticas ou notícias passageiras, mas como um sinal de que existem problemas profundos na sociedade timorense.

Segundo o deputado, quando uma pessoa decide pôr termo à vida, esta decisão resulta, muitas vezes, de um sofrimento prolongado associado à falta de apoio, à pressão social, à pobreza, à violência, a conflitos familiares, ao desemprego, ao consumo de drogas e álcool ou à perda de esperança no futuro.

Para o KHUNTO, o suicídio não deve ser visto apenas como um problema individual ou familiar, mas também como uma questão política e social, que reflete fragilidades nas instituições e nas políticas públicas.

A bancada considerou que, enquanto os serviços de saúde mental se mantiverem concentrados na capital, os jovens continuarem sem oportunidades de emprego, as famílias vulneráveis ​​permanecerem sem apoio e as vítimas de violência permanecerem desprotegidas, o Estado deve assumir a responsabilidade de rever as suas políticas públicas.

“Um Estado forte não se mede apenas pela infraestrutura física, mas também pela infraestrutura social. Um Estado forte é aquele que consegue salvar a vida dos seus cidadãos”, argumentou António Verdial.

O deputado afirmou que Timor-Leste não tem uma estratégia nacional específica para a prevenção do suicídio, considerando que esta se deve tornar uma prioridade nacional.

Entre as propostas apresentadas, o KHUNTO solicitou ao Governo o desenvolvimento de uma estratégia nacional liderada pelo Ministério da Saúde e coordenada com outros ministérios, igrejas, universidades, organizações juvenis, organizações de mulheres e sociedade civil.

Defendeu ainda o alargamento dos serviços de saúde mental a todos os municípios e sucos, permitindo que psicólogos, conselheiros e outros profissionais estejam disponíveis nas comunidades, sem obrigar as pessoas a deslocarem-se a Díli para obter apoio especializado.

No setor da educação, o partido propôs que as escolas assumam um papel ativo na prevenção, ensinando as crianças e os jovens sobre saúde mental, gestão do stress, resiliência e formas de procurar ajuda em momentos de dificuldade.

O KHUNTO defendeu ainda o reforço do papel das famílias na escuta e apoio aos seus membros, a realização de campanhas nacionais de combate ao estigma associado à depressão, ao trauma e ao sofrimento emocional, e a criação de programas destinados aos jovens desempregados, considerando que a falta de perspetivas pode aumentar o risco de desespero.

Outra proposta passa pelo reforço da proteção das vítimas de violência doméstica, violência de género e crianças vulneráveis, defendendo também a criação de um sistema nacional de monitorização e investigação científica sobre os casos de suicídio.

Segundo António Verdial, o país necessita de estudos aprofundados para identificar as principais causas associadas aos suicídios, incluindo fatores relacionados com a saúde mental, pobreza, desemprego, violência doméstica, violência de género, traumas decorrentes de conflitos, consumo de drogas e álcool e outras pressões sociais.

O parlamentar afirmou que os resultados destas investigações devem servir de base para políticas públicas adaptadas às diferentes realidades de cada municípios, sucos e grupos vulneráveis, permitindo uma utilização mais eficiente dos recursos públicos.

A bancada defendeu ainda que a prevenção do suicídio não é da exclusiva responsabilidade do setor da saúde, mas de toda a sociedade, defendendo um maior envolvimento das igrejas na promoção da esperança, das escolas na formação do carácter, das famílias na proteção dos seus membros, das comunidades no combate ao isolamento, dos meios de comunicação social na divulgação responsável da informação e do governo na coordenação das respostas institucionais.

“Cada número representa uma pessoa, uma família e um futuro perdido. A vida humana tem o valor supremo, e a política deve servir o povo”, disse o deputado.

Na parte final da declaração, António Verdial dirigiu uma mensagem aos jovens que enfrentam momentos de tristeza e desespero, afirmando que “não estão sozinhos”, que as suas vidas têm valor e que Timor-Leste precisa deles, apelando também à sociedade para que substitua o silêncio pela ação.

Em resposta à declaração política, o Vice-Ministro dos Assuntos Parlamentares, Adérito Hugo da Costa, afirmou que o Governo tomou nota das preocupações levantadas pela bancada do KHUNTO e reconheceu a importância de aprofundar o conhecimento sobre o fenómeno.

Segundo o responsável, sempre que ocorre um suicídio, há uma intervenção imediata do Estado através da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), que realiza investigações para apurar as circunstâncias de cada ocorrência.

Adérito Hugo da Costa considerou, contudo, que se se confirmar uma tendência crescente no número de suicídios, será necessário desenvolver investigação e análise científica envolvendo as autoridades competentes para compreender as causas do fenómeno e determinar se estão relacionadas com problemas sociais ou outros fatores.

O Vice-Ministro acrescentou que será necessário recolher dados em todo o território nacional e compará-los com os registos dos anos anteriores para produzir uma análise fiável que permita ao Estado definir políticas públicas e medidas de prevenção mais eficazes.

O responsável concluiu afirmando que os pontos levantados pelo KHUNTO serão transmitidos aos ministérios competentes para análise, incluindo o Ministério do Interior, tendo em conta os dados recolhidos pela PNTL sobre os casos de suicídio registados no país.

Jornalista: Miguel Caldas

 

 

Escrito por RafaFM

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