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“Timor chora um santo sacerdote”: Cardeal despede-se de João Felgueiras e recorda o missionário como pai espiritual do povo timorense

todayJulho 7, 2026 74 4

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Díli, 07 de julho de 2026 (RAFA.TL) – A Catedral de Díli acolheu a missa fúnebre do sacerdote jesuíta João Felgueiras, presidida pelo Cardeal Virgílio do Carmo da Silva, que recordou o missionário português como um “santo sacerdote”, pai espiritual do povo timorense e um homem que dedicou mais de meio século da sua vida ao serviço da Igreja e de Timor-Leste.

Na sua homilia, o Cardeal afirmou que todo o povo timorense vive um momento de profundo luto pela perda de uma figura que marcou gerações com a sua fé, dedicação e amor ao próximo.

“O povo timorense está de luto pela perda de um santo sacerdote, um pai de amor, um homem com um grande coração para o povo e para a Igreja de Timor. Hoje deixa-nos e parte desta terra para o Céu”, disse.

Usando linguagem simbólica, Cardeal disse que “o galo de Timor canta no seu canto escondido” porque “o bom pastor partiu e deixou-nos órfãos”, acrescentando que os sinais da sua missão e do seu testemunho permanecem vivos.

“Os seus sinais permanecem gravados na nossa terra. O rasto das suas bênçãos permanece, e a sua palavra de ontem será a nossa luz de amanhã”, afirmou.

O Cardeal recordou que João Felgueiras chegou a Timor em 1971 e, embora tenha vindo como missionário, acabou por fazer do país a sua verdadeira casa, permanecendo junto do povo timorense até ao fim da sua vida.

“Não veio para voltar, mas para ficar. Escolheu Timor-Leste como a sua casa e escolheu os timorenses como o povo que amou, protegeu e ensinou”, disse.

Na sua homilia, destacou ainda que o sacerdote viveu junto do povo durante alguns dos períodos mais difíceis da história do país, incluindo os anos da ocupação indonésia, nunca abandonando os fiéis.

Segundo o Cardeal, João Felgueiras partilhou as dificuldades, os sofrimentos e as esperanças do povo timorense, dedicando toda a sua energia ao serviço da Igreja, à educação e à formação das novas gerações.

“Através das escolas que ajudou a construir e dos milhares de alunos que educou, deixou um legado que continuará a viver em Timor-Leste”, afirmou.

Virgílio do Carmo da Silva recordou ainda o papel desempenhado pelo missionário na promoção da paz, da justiça, da dignidade humana e da defesa dos mais pobres, descrevendo-o como um homem de coração puro, cheio de ternura, que amava o povo como um pai ama os seus filhos.

O Cardeal apelou a que o exemplo missionário de João Felgueiras continue a inspirar os fiéis, os sacerdotes, os religiosos e as religiosas e os dirigentes timorenses na construção de um país mais unido e fraterno.

“Rezamos para que, no Céu, continue a velar por nós, a abençoar este povo e a ajudar-nos a viver em unidade”, concluiu.

Dirigindo-se à família do sacerdote, presente na celebração, Cardeal agradeceu o apoio constante à missão de João Felgueiras em Timor-Leste.

“Neste momento de dor e consternação, agradecemos a Deus por ter oferecido à Igreja de Timor uma figura de santidade, paternidade e amor que serviu esta terra durante mais de meio século. À família, expressamos a nossa mais profunda gratidão pelo dom do seu amado Padre João Felgueiras, que se tornou um de nós”, afirmou.

O Cardeal concluiu a homilia com uma mensagem final de despedida.

“Querido Padre João Felgueiras, descansa na paz de Cristo. Amén.”

A celebração reuniu os bispos de Timor-Leste, dezenas de padres, religiosos e religiosas, o Presidente da República, José Ramos-Horta, o Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, membros do Governo, a família do padre, representantes da comunidade portuguesa e centenas de fiéis timorenses que encheram a Catedral de Díli para prestar a última homenagem ao missionário jesuíta que dedicou grande parte da sua vida ao povo timorense.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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