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SG ONU exige transparência ambiental das empresas de IA e lança iniciativa da ONU em Londres

todayJunho 23, 2026 9

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Londres, 23 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, exigiu que as grandes empresas de inteligência artificial (IA) divulguem publicamente o impacto ambiental das suas operações.

Guterres falava no lançamento em Londres da Iniciativa de Transparência Ambiental da IA, durante a London Climate Action Week que incluiu também um apelo urgente ao corte nas emissões de metano e uma crítica directa à dependência global dos combustíveis fósseis.

“Até 2030, os centros de dados poderão consumir mais energia do que todos os países, exceto cinco – e água suficiente para satisfazer as necessidades básicas de todos os 1,3 mil milhões de habitantes da África subsaariana durante um ano inteiro”, afirmou Guterres.

Através da nova iniciativa, o responsável exige que as empresas de IA meçam e divulguem publicamente o seu impacto ambiental – emissões de carbono, consumo de água e uso de terrenos – e se comprometam a alimentar todos os centros de dados com energia renovável até 2030.

“Se a IA vai ajudar a construir um futuro melhor, tem de ser honesta sobre o que nos custa agora”, disse.

Os números justificam a urgência do apelo.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a procura global de eletricidade dos centros de dados deverá mais do que duplicar até 2030, atingindo cerca de 945 terawatt-hora – ligeiramente superior ao consumo elétrico total atual do Japão, com a IA a ser o principal motor desse crescimento.

As cinco maiores empresas tecnológicas mundiais registaram despesas de capital superiores a 400 mil milhões de dólares em 2025, valor que deverá aumentar 75% em 2026.

O investimento combinado dessas cinco empresas já supera o investimento global em produção de petróleo e gás natural.

A mistura energética que alimenta esta expansão levanta sérias questões climáticas.

Atualmente, os combustíveis fósseis fornecem perto de 60% da eletricidade consumida pelos centros de dados a nível mundial, com o carvão a ser a maior fonte individual – em grande parte devido às numerosas instalações na China.

As renováveis cobrem 27% da procura e o nuclear 15%. Nos EUA, o gás natural e o carvão deverão cobrir em conjunto mais de 40% do aumento adicional da procura dos centros de dados até 2030.

Do lado das soluções, as empresas tecnológicas foram responsáveis por cerca de 40% de todos os contratos empresariais de energia renovável em 2025, e a carteira de acordos condicionais entre operadores de centros de dados e projetos de pequenos reatores modulares cresceu de 25 gigawatts no final de 2024 para 45 gigawatts atualmente.

Guterres lançou também uma chamada à acção sobre o metano, apontando que cerca de 70% das emissões deste gás no sector do petróleo e gás podem ser eliminadas com tecnologia já existente.

Apesar disso em 2025 foram queimados 167 mil milhões de metros cúbicos de gás – tanto quanto toda a África consome num ano.

Anunciou ainda que convocará líderes mundiais em setembro, antes da COP31 na Turquia, para acelerar a “transição justa” para longe dos combustíveis fósseis.

O secretário-geral caracterizou o momento atual como “uma história de duas crises”, descrevendo um planeta que atravessou os seus 11 anos consecutivos mais quentes, enquanto a crise energética agravada pela guerra no Médio Oriente “expõe a loucura de um mundo viciado em hidrocarbonetos”.

Em contrapartida, a geração de energia limpa superou o crescimento total da procura de eletricidade em 2025, com as renováveis a ultrapassarem pela primeira vez na história moderna um terço da mistura elétrica mundial, e o carvão a cair abaixo de um terço da produção global pela primeira vez.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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