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Governo decreta sete dias de luto nacional pela morte de Francisco Guterres “Lú-Olo”

todayJunho 22, 2026 202

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Díli, 22 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O Governo timorense decretou hoje luto nacional de sete dias pela morte do ex-Presidente da República Francisco Guterres “Lú-Olo”, falecido no domingo em Kuala Lumpur, na Malásia, onde recebia tratamento médico intensivo.

A bandeira nacional desce a meia-haste em todos os edifícios públicos do país e nas representações diplomáticas no estrangeiro.

“O período de Luto Nacional tem início às 15.00 horas do dia 22 de junho e termina às 24.00 horas do dia 28 de junho”, explica o decreto do Governo, aprovado na reunião extraordinária do Conselho de Ministros.

O diploma decreta “Luto Nacional em todo o território nacional, em sinal de pesar pela morte do Dr. Francisco Guterres, ex-Presidente da República Democrática de Timor-Leste”.

“Durante o período de Luto Nacional referido no artigo anterior, a Bandeira Nacional deve ser mantida a meio-mastro ou meia-adriça”, explica, com a instrução a ter que ser “cumprida em todos os edifícios públicos, incluindo embaixadas, consulados e outras representações do Estado no estrangeiro, bem como nas embarcações do Estado”.

O decreto foi aprovado numa reunião extraordinária do conselho de ministros convocada para o efeito pelo vice-primeiro-ministro Mariano Assanami Sabino, que exerce as funções de primeiro-ministro interino na ausência de Xanana Gusmão.

“Com esta deliberação, o Governo presta homenagem a um destacado membro da luta de libertação nacional e expressa as mais sentidas condolências à sua esposa, filhos e restantes familiares, à FRETILIN e a todo o povo timorense, reconhecendo o legado de dedicação e serviço que Francisco Guterres “Lú Olo” deixou à construção de um Timor-Leste livre, democrático e soberano”, refere o Governo em comunicado.

Ainda esta segunda-feira, o Governo confirmou a organização de um voo especial da Aero Dili para trasladar o corpo da Malásia, devendo a aeronave chegar a Díli na terça-feira transportando apenas o corpo e os familiares.

Francisco Guterres “Lú-Olo” morreu no domingo, 21 de junho, no Hospital Prince Court, em Kuala Lumpur, na Malásia, onde se encontrava internado desde finais de maio. Tinha 71 anos.

Natural de Ossú, município de Viqueque, onde nasceu a 7 de setembro de 1954, ingressou na luta de libertação nacional em 1974 e permaneceu na resistência armada durante os 24 anos da ocupação indonésia, nunca tendo deposto as armas até à independência.

Foi um dos quatro comandantes que se mantiveram na resistência até ao fim, assumindo após a morte de Konis Santana, em 1998, a direção política da luta armada da FRETILIN.

Depois do referendo de 1999, continuou ao serviço do Estado: foi Presidente da Assembleia Constituinte e do Parlamento Nacional e, a 20 de maio de 2002, proclamou a Restauração da Independência de Timor-Leste, dando em seguida posse a Xanana Gusmão como primeiro Presidente da República do país independente.

Entre 2017 e 2022 exerceu ele próprio a Presidência da República.

Era casado com Cidália Lopes Nobre Mouzinho Guterres e pai de quatro filhos.

As condolências multiplicam-se desde domingo.

O Presidente da República José Ramos-Horta, o ex-primeiro-ministro Taur Matan Ruak, o general Lere Anan Timur e o Arquivo e Museu da Resistência Timorense estão entre as entidades que já prestaram homenagem ao antigo chefe de Estado, bem como vários líderes internacionais.

Também o Presidente da República portuguesa manifestou o seu pesar pela morte.

Francisco Guterres “Lú Olo” foi distinguido com o Colar da Ordem de Timor-Leste, em 2009, o Grande-Colar da Ordem de Timor-Leste, em 2022, e o Grande-Colar da Ordem do Infante D. Henrique, atribuído pela República Portuguesa no mesmo ano, em reconhecimento pelo seu contributo para Timor-Leste e pelo fortalecimento das relações entre os dois países.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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