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Ramos-Horta alerta para El Niño “Godzilla” e convoca governo para plano de acção urgente

todayJunho 19, 2026 52

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Díli, 19 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O Presidente da República, José Ramos-Horta, reuniu-se hoje com membros do Governo e responsáveis de organizações internacionais para debater o impacto do fenómeno El Niño em Timor-Leste, classificando a situação como “extremamente grave” e apelando a um plano de acção urgente para proteger a população.

Esse plano, disse o chefe de Estado aos jornalistas, deve dar prioridade ao acesso à água e à segurança alimentar.

Ramos-Horta afirmou que o El Niño foi “o assunto número um” da sua agenda nesta reunião, convocada com carácter de urgência após a receção de informações das agências meteorológicas internacionais sobre a dimensão do fenómeno.

Segundo o Chefe de Estado, trata-se do maior El Niño registado desde 1870, sem paralelo nos últimos 150 anos, comparável a um fenómeno de escala global que alguns especialistas já apelidaram de “Godzilla El Niño”, pela sua dimensão e poder destruidor.

O Presidente agradeceu ao Governo a realização de uma reunião do Conselho de Ministros dedicada ao tema, apelando a uma coordenação estreita entre os ministérios diretamente ligados às questões humanitárias, nomeadamente os da Proteção contra Desastres Naturais, Forças Armadas, Polícia, Saúde, Solidariedade Social, Agricultura e Infraestruturas.

As informações que motivaram a reunião provêm da NOAA, agência norte-americana de referência na área meteorológica, sediada no Havai, e da Organização Meteorológica Mundial, agência das Nações Unidas com sede em Genebra.

Ambas apontam para um impacto severo nos países do Pacífico, do Sudeste Asiático e nas regiões vizinhas, incluindo Singapura, Tailândia, Vietname, Indonésia e as províncias indonésias de Nusa Tenggara Timur.

Em Timor-Leste, os efeitos já se fazem sentir: em várias aldeias e sucos do país, relata-se a escassez progressiva de água, com nascentes e rios a secarem e a qualidade da água disponível a deteriorar-se em alguns locais.

O Presidente alertou para a possibilidade de o fenómeno se intensificar em julho, podendo prolongar-se por até um ano, com consequências graves para a agricultura e para a pecuária – incluindo a morte de animais como cavalos e aves domésticas -, além do risco acrescido de incêndios florestais e de nevoeiro de fumo que em ocasiões anteriores afetou gravemente a Malásia, Singapura e a Tailândia.

“Se não houver água, a terra secará. As nascentes secarão, os rios secarão, e isso terá um grande impacto na agricultura”, declarou Ramos-Horta, sublinhando que “salvar primeiro as pessoas, dando prioridade à água”, é “a responsabilidade do Estado”.

O Chefe de Estado referiu-se ainda a um episódio anterior de seca severa em Jaco, durante o qual o primeiro-ministro foi pessoalmente ao local para garantir o abastecimento de água aos animais, como exemplo da necessidade de resposta proactiva e coordenada das autoridades.

Segundo Ramos-Horta, o Governo já teria preparado uma estratégia e um plano concreto de antecipação ao fenómeno, tendo o Presidente apelado a que esse plano seja apresentado à população com clareza, dada a gravidade do momento.

No final da sua intervenção, Ramos-Horta abordou ainda as críticas nas redes sociais à promulgação de novas taxas, explicando que promulga as matérias que são da competência do Governo, mesmo quando politicamente não concorda com elas, distinguindo essa obrigação constitucional da possibilidade de veto, reservada para situações de inconstitucionalidade. “Politicamente, não concordo com essas medidas numa situação destas”, afirmou, referindo-se ao contexto de crise económica atual.

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Escrito por RafaFM

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