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Sequências de sismos abalam Viqueque, alerta IGTL

todayJunho 19, 2026 281 4

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Díli, 19 de junho de 2026 (RAFA.TL) — O Instituto de Geociências de Timor-Leste (IGTL) emitiu esta quinta-feira um comunicado a explicar a sequência de sismos que têm sido sentidos no município de Viqueque nas últimas duas semanas.

O Instituto de Geociências de Timor-Leste registou tremores até magnitude de 4.7 com epicentro em Foho Builo, com as autoridades a apelarem à população da zona para evitar encostas e zonas de lama

Desde 7 de junho de 2026, os sensores do IGTL detetaram tremores com magnitude entre M4.0 e M4.7, concentrados na área de Foho Builo, no Posto Administrativo de Ossu.

A 07 de junho registou-se o sismo mais forte (magnitude de 4.7), com abalos a 13 junho (4.2), a 14 junho (4.0), 15 de junho (4.1), 16 junho (4.3), 17 junho (4.0) e ontem, com magnitude de 4.4.

O sismo mais intenso atingiu o grau V na escala de Marcali Modificada (MMI) em Viqueque, com relatos de danos em habitações. A sequência continua ativa.

Segundo o IGTL, embora os sismos sejam de magnitude moderada, ocorreram a pouca profundidade – entre 1 e 10 km da superfície.

Tremores rasos tendem a ser sentidos com mais intensidade perto do epicentro do que sismos mais profundos com a mesma magnitude.

Timor-Leste situa-se numa zona de colisão entre a Placa Australiana e o Arco de Banda, que avança cerca de 7 cm por ano. A pressão acumulada é libertada através de falhas geológicas. Os eventos atuais podem estar ligados a falhas próximas de Foho Builo, como a Falha de Mata Bia. Ainda não é possível confirmar qual falha específica está ativa, mas o padrão indica movimento do tipo oblique strike-slip.

O IGTL alerta para o risco acrescido de queda de blocos e deslizamentos de terra em encostas instáveis de Foho Builo, sobretudo após réplicas ou chuvas fortes.

A população relatou também a saída de lama cinzenta do solo.

O instituto esclarece que se trata de um fenómeno natural conhecido como mud seep ou mud diapir, comum em Timor-Leste quando lama, água e gás sob pressão emergem à superfície. “Não é lava nem erupção vulcânica”, sublinha o comunicado. Ainda assim, há perigo: o solo fica instável e pode haver libertação de metano, um gás inflamável.

O IGTL apela à população, através deste comunicado, para que cumpra as seguintes regras: mantenha a calma e esteja preparado para réplicas; evite encostas íngremes, zonas com fissuras e locais com lama aflorando.

Não deve acender fogueiras nem fume perto de zonas com lama, verificar se há fissuras nas paredes ou telhados soltos e ter cuidado com os móveis pesados.

A instituição pede ainda à população local que não espalhe boatos e que siga apenas os canais oficiais, mas que comunique quaisquer ocorrências de lama, fissuras ou cheiro a gás às autoridades locais ou ao IGTL.

O IGTL garante que continua a monitorizar a situação e atualizará o público caso haja mudanças significativas.

“Continuem alerta, calmos e preparados”, conclui o comunicado.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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